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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Olhar para o bar do meu pai e não ver as mesas de madeira escura espalhadas e uma banda de rock no palco era como entrar em um novo mundo. O meu pai tinha se superado. O espaço tinha sido completamente convertido em um salão de festas rústico e sofisticado. Luzes varal de LED cruzavam o teto, arranjos de rosas terracota, astromélias creme, craspédias amarelas, ramos de trigo secos e folhagens verdes cobriam as longas mesas de madeira, iluminadas com velas brancas de tamanhos diferentes, e o ar tinha cheiro de final feliz.

Mas o verdadeiro espetáculo estava acontecendo no escritório do bar, que fopi convertido num camarim para a minha mãe se arrumar. A Hana tinha cuidado dos detalhes e o escritório frio e impessoal, parecia um lugar quente e afetuoso, lindamente decorado com as flores do casamento, muito tule e um enorme espelho com moldura provençal num tom branco envelhecido que parecia dar vida aos detalhes entalhados na madeira.

Havia uma grande penteadeira com luzes na parede que tinha a vidraça com visão para o bar, o sofá foi substituído por um chaise divan creme e ao lado tinha um manequim que vestiu o vestido da minha mãe até aquele momento para não amassar. E enquanto a minha tia tirava fotos como se a vida dela dependesse disso, com um assistente filmando cada segundo, a minha avó se debulhava em lágrimas na poltrona perto do espelho, com a Hana entregando lencinhos de papael para ela e tentando retocar a maquiagem.

- Gi, por favor, me diz que esse zíper não vai estourar. - A minha mãe pediu, a voz trêmula de puro nervosismo enquanto segurava o fôlego.

Eu ri e puxei o zíper do vestido até o alto. Ela tinha escolhido um vestido off-white, num corte império que disfarçava a barriguinha que começava a aparecer, delatando que o meu irmãozinho crescia ali. Ou irmãzinha, ainda não sabíamos. Eu esperava que fosse uma menina, o Bóris tinha um dom natural para ser pai de menina e a minha mãe poderia viver tudo o que perdeu na minha infância.

Eu dei um passo para trás e a observei em frente ao espelho. Ela estava deslumbrante. O cabelo preso em um coque elegante enfeitado com flores, a maquiagem leve realçando o brilho dos seus olhos e a renda do vestido que cobria os seus ombros como uma tatuagem. Ela parecia saída de um romance de época.

- Mãe, esse zíper nunca vai estourar. Está perfeito! Você é linda , D. Raíssa. - Eu falei, dando um passo para trás e cruzando os braços, encarando a minha mãe pelo reflexo do espelho.

Ela se virou para mim, os olhos já marejando. A nossa relação tinha passado por tantos altos e baixos, tantas fases de silêncio e rebeldia da minha parte, que estar ali, ajudando-a a se vestir para o casamento com o Bóris, parecia um sonho.

- Obrigada, minha filha. - Ela sussurrou, segurando as minhas duas mãos. A textura das mãos dela era quente, acolhedora. - Por estar aqui. Eu sei que eu nem sempre estive ao seu lado, que eu não fui a mãe mais fácil do mundo quando você estava naquela sua fase de cabelo verde...

- Ah, mãe, nem me lembre do cabelo verde. Eu gosto mais da fase cabelo com mexas cor de rosa. - Eu brinquei, dando uma risada leve para cortar a emoção que ameaçava me fazer borrar o rímel. - Nós duas erramos e acertamos muitas vezes. Mas o importante é que nós nos perdoamos e seguimos em frente. E você encontrou o Bóris. Ele é um homem incrível. Cuida de mim sempre que pode e até inventa motivo para me mimar. Ele é muito especial, mãe, ele cumpre promessas. Ele vai te fazer feliz e você merece isso. E ele merece você.

A minha mãe sorriu, limpando uma lágrima boba com a ponta do indicador, e me puxou para um abraço apertado. Um abraço sem as mágoas do passado e com a esperança do futuro.

- Tá, agora chega! - A minha tia parou de tirar fotos e nos interrompeu. - Rai preciso falar com você e com a Nana. Gi, leva a sua avó lá pra baixo, o assunto aqui agora é só entre irmãs.

- Que assunto entre irmãs nada, Rúbia Helena! Eu estou vendo a minha filha caçula se arrumar para se casar, já que a mais velha decidiu nãop me dar esse gosto. - A minha avó respondeu irritada.

- Mãe, a senhora já me viu vestida de noiva uma vez e quase casar uma segunda vez. Acho que todo mundo aqui concorda que a palavra casamento não me traz boa sorte. - A minha tia rebateu a minha avó.

- Ah, bobagem! Com esse homão maravilhoso que você arrumou agora, que falta pouco andar por aí carregando você... eu realmente não entendo por que não se casar.

- É, D. Arlete? Então casa a senhora com o Sr. Geraldo. - A minha tia cruzou os braços como se desafiasse a minha avó.

- Eu já me casei uma vez. Agora eu só fico, homem nenhum vai me prender de novo. - A minha avó se levantou alisando o vestido.

- Ah.. só fica?! - A Hana caiu na risada. - Mãe, você mora com o Sr. Geraldo, esqueceu? Há o quê... quase uns três anos?

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