"Anderson"
Eu olhei para a pista de dança mais uma vez, vendo o sorriso da Giovana brilhar sob as luzes da festa, sabendo que aquela conversa começando a revirar o nosso passado no balcão daquele bar era exatamente o que eu precisava para entender o tamanho do meu futuro.
- Eu lembro. - Eu confessei, sentindo o meu peito aquecer. - Ela entrou sorrindo, debaixo do braço do pai e se encostou aqui no balcão, pediu um refrigerante com muito gelo.
- É. Foi há quase uns cinco anos?
- Mais ou menos isso. Eu fiquei fascinado por ela. Tão linda! O cabelo preto comprido até a cintura. Um sorriso enorme no rosto, com aquelas covinhas na bochecha. Os olhos brilhantes e cheios de vida. Queixo erguido, como se não estivesse nem aí pra ninguém. Ela estava tão perto e tão distante... eu senti o perfume dela, algodão doce, e pensei que ela tinha o cheiro dos anjos. E ela nem olhou pra mim. - Eu fechei os olhos e foi como voltar no tempo, como se eu estivesse de volta aquele dia, quando eu vi a Giovana pela primeira vez.
- Já você, não conseguia tirar os olhos dela. - O Rubens riu.
- Eu achei que estava sendo discreto. - Eu comentei, rindo baixo e colocando o copo vazio na madeira do balcão. - Mas você sempre leu a minha mente, não é?
- Sempre, garoto. Eu soube que naquele dia o seu destino foi selado, que mais cedo ou mais tarde vocês iam se encontrar e realmente olhar um para o outro. Quer que eu te lembre o que você me disse quando ela passou por aquela porta? — O Rubens arqueou uma sobrancelha, ostentando aquele olhar sábio de quem estava prestes a abrir o baú de memórias que nós dois guardamos por anos.
- Eu te pedi para me mudar de posição e me deixar na portaria naquele dia. - Eu respondi e ele balançou a cabeça.
- É, você não queria ficar dentro do bar. E quando eu te perguntei por que você disse: "Só me deixa longe daquela garotinha ali, ela cheira a problema. Ela ainda vai deixar o chefe maluco. E coitado do cara que cruzar o caminho dela no futuro, vai ter a vida virada do avesso."
Eu ri, me lembrando com exatidão daquele dia. Eu tinha dito aquelas exatas palavras, sentindo uma irritação que eu tentei disfarçar, porque aquela garota tinha algo que me incomodava. Eu queria saber o que era, mas eu sabia que precisava ficar longe dela.
- Você se lembra de cada palavra. - Eu comentei com o Rubens.
- É, eu me lembro, porque eu sabia que ela tinha chamado a sua atenção de um jeito que nenhuma garota jamais tinha conseguido. Eu achei que você ia se apresentar, mas aí você me pediu para ficar na portaria, bem longe dela. E todas as vezes que ela vinha ao bar, você mantinha distância.
- Ela é a filha do chefe, Rubens. Eu não podia me aproximar. E ela era uma garota de quinze anos. Eu tinha vinte já. Tinha que manter distância. Ela não era pra mim. - Eu suspirei.
- Mas olha como as coisas são, um tempo depois a Gigi voltou da Irlanda como se estivesse possuída, completamente revoltada. Tão doida que o Rafa precisou de ajuda.
- Nem me lembra. Eu tive vontade de chorar quando vi aquele cabelo verde todo torto. - Eu sorri. - Mas ela ainda era a garota mais linda que eu já tinha visto.
- E você não queria ser o segurança dela, lembra?
- Quando você me ligou eu fiquei furioso, eu achava que era uma péssima ideia, mas você não me deu escolha. - Eu olhei para o Rubens. - Eu me lembro que você falou assim: "ou você vai cuidar da garota, ou eu mesmo te demito". E eu só aceitei porque eu precisava do dinheiro, a faculdade do Felipe estava custando uma fortuna, mas eu sabia que ficar perto dela seria uma tortura. - Eu ri, me lembrando de quando cheguei no apartamento do Rafael. - O Rafael me apresentou como o segurança dela, e ela me olhou como se eu fosse um inseto.
- É, não foi o melhor momento dela. E eu só confiava em você para estar perto dela naquelas condições. - O Rubens deu uma risada. - Lembra quando ela tentou ofender a gente, como se fosse uma princesinha mimada? Ela já estava tentando resistir ao seu charme. Eu vi o jeito que você olhava para ela, Anderson. Você achava que estava ali para ser o carcereiro dela, para protegê-la das encrencas. Mas foi você quem ficou preso. Ela te desarmou sem nem saber que estava fazendo isso. Você já gostava dela e não queria admitir. - Ele me lembrou.
- Ela me salvou, Rubens. De todas as formas que um homem pode ser salvo. - Eu falei com honestidade. - Ela me deu o meu lugar no mundo. Me deu uma razão para que eu quisesse ser mais do que o irmão mais velho que tinha responsabilidades a cumprir.
- Então cuida dela, garoto. O meu futuro está chegando, num berço, nos braços daquela mulher. - Ele apontou para a mesa onde a Rúbia estava sentada. - E o seu futuro está bem ali na pista. Não demore para dar o próximo passo. O Fedrnando quase perdeu a Melissa porque demorou demais.
- Eu não vou demorar. Eu a amei desde o primeiro olhar, Rubens. E eu sempre vou amá-la.
- E quem é essa sortuda, Gracinha? - A Giovana se aproximou sem que eu percebesse, me abraçando por trás e eu envolvi os seus braços com os meus.
- Quem mais seria, Ferinha? Você, minha linda! Eu só tenho olhos para você. Eu só amo você. Desde sempre. - Eu me virei e a puxei pela cintura.
- É bom que seja assim. - Ela recostou a cabeça no meu peito. - Tio, você sabe que eu vou ser a pessoa preferida desse bebê, não sabe? - A Giovana brincou e arrancou um sorriso enorme do Rubens.
- Ah, Gigi, eu não vou duvidar, você é mesmo uma encantadora de bebês.
- O quê? Sobre não me descabelar por flores? - Ela sorriu no meu pescoço, com aquela audácia que me deixava louco.
- Não. Sobre casar com o seu Gracinha assim que ele se tornar delegado. - Eu falei, diminuindo o passo da dança, nos parando bem no cantinho da pista. Eu segurei o rosto dela com uma das mãos, o polegar roçando a sua bochecha. - Eu vou cobrar essa promessa, Giovana.
O olhar dela amoleceu, aquela vulnerabilidade linda que ela só mostrava para mim aparecendo nos seus olhos.
- É uma ameaça, futuro delegado? - Ela sussurrou, a respiração batendo nos meus lábios.
- É uma certeza. Tudo está entrando em ordem... e o meu futuro está bem aqui, nos meus braços. Daqui a poucos anos, quando eu pegar o meu diploma e a minha carreira estiver engatada, vai ser a nossa vez. Vai ser você de vestido branco atravessando a passarela e sorrindo para mim. Eu e você, para sempre. É mais que uma promessa, Ferinha. É a maior certeza da minha vida.
O peito dela subiu e desceu com força, e eu vi o brilho das lágrimas de emoção se formarem nos seus olhos.
- É bom cumprir, Gracinha. - Ela devolveu, a voz sumindo em um sussurro apaixonado. - Porque eu já me prendi a você para o resto da vida.
Eu sorri, sentindo uma paz absurda transbordar pelo meu peito, e colei os nossos lábios em um beijo profundo, lento e cheio de certezas. Não havia mais pressa. O passado tinha finalmente perdido o poder sobre nós. Enquanto eu a segurava contra o meu corpo, com o som do bar ao fundo e o calor da boca dela na minha, eu soube que estávamos prontos para o que quer que o tempo trouxesse. Nós estávamos de frente para o futuro e o futuro estava chegando rápido. Só não imaginávamos o quanto as coisas mudariam assim que o relógio do tempo começasse a correr mais rápido para nós dois.
N.A.:
Olá, queridos... como estão?
Há tempo para tudo na vida, não é?! Gracinha e Ferinha aprenderam isso. Querem saber o que o futuro reserva para esses dois? Então se preparem para esse tempo deles que começou a correr mais rápido.
Um beijo no coração, meus lindos!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque o livro do Anderson e da Giovanna não foi finalizado?...
Pq está travado, não consigo ler os próximos capítulos, depois do 265 Que inclusive é a parte da giovana...
Por que o livro da Giovana e do Anderson está ficando em meio ao livro do Jose Miguel e da Eva. Ficou muito bagunçado isso...
Faltou apenas os três últimos capítulos completos, poderiam liberar ne?...
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...