"Anderson"
Eu olhei para o espelho no closet e precisei de alguns segundos para reconhecer o reflexo que me encarava. O homem que me encarava no espelho tinha vencido muitas batalhas e agora, vestindo calça tática preta e camisa polo preta com o brasão da polícia estampado no peito, estava prestes a começar uma nova jornada.
Eu ajustei a gola da camisa escura, verifiquei os cadarços das botas e peguei o distintivo que estava sobre a mesinha, dando uma boa olhada naquilo que representava onde eu tinha chegado. Por fim, eu encaixei a arma no coldre velado na minha cintura. O peso extra no quadril ainda era estranho, depois dos meses de academia, mas trazia uma certeza palpável: os últimos quatro anos tinham passado como um borrão de esforço, e o relógio do tempo realmente tinha corrido mais rápido para mim.
Eu havia me formado em Direito com honras, exatamente como o Rafael previu certa vez, passei no concurso para Investigador da Polícia logo depois de formado e sobrevivi aos meses intensos da Academia de Polícia, me dedicando, não para ser o melhor ali, mas para ser o melhor possível na rua, para quem contava com a polícia. E hoje era o meu primeiro dia oficial na ativa.
- Nossa, meu namorado fica gostoso pra caralho com esse uniforme preto! - A Giovana apareceu atrás de mim e mordeu o lábio inferior.
Eu me virei e sorri, sentindo o meu peito expandir. A minha Ferinha estava linda. Ela também estava de preto, aquela era quase a cor oficial do gerente do bar do Rafael, mas ela ficava muito mais interessante usando aquela calça de alfaiataria e a camisa social com as mangas dobradas, a postura impecável de quem estava dominando a faculdade de direito e dificultando a vida de quem quisesse disputar com ela o título de "aluna estrela".
- Você gosta, Ferinha? - Eu a puxei pela cintura, dando um beijo longo e profundo nela. Quando nos afastamos ela estava ofegante. - Quando eu chegar em casa mais tarde, eu posso te enquadrar, fazer uma revista pessoal... te dar um sacode que vai te deixar de pernas bambas. - Eu sussurrei no ouvido dela, dando beijos pelo seu pescoço.
- Eu já estou de pernas bambas, Gracinha! Mas aceito tudo isso que está se passando na sua cabeça agora. - Ela mordiscou a ponta da minha orelha me deixando arrepiado. - Agora para com isso, é o seu primeiro dia e você não vai se atrasar.
- Eu ainda tenho tempo para tomar o café com você. - Eu sorri e dei um beijo na ponta do nariz dela antes de me afastar. - Vou ficar com saudade o dia todo.
- Não vai nada! Sei muito bem que você, quando se junta com o Flávio, nem tem tempo para pensar em mim. - Ela ajeitou o meu colarinho com os dedos ágeis. - Anderson?
- Hum?
- Eu te admiro muito! Você me ensinou tanta coisa. Você é um grande homem. - Ela tocou o meu rosto e me deu um sorriso. Ouvir aquelas palavras dela encheu o meu coração de alegria e um sorriso lento se desenrolou no meu rosto.
- Eu também te admiro muito, Ferinha! Você se tornou uma mulher admirável. - Eu segurei as mãos dela no meu peito. - Quem diria que a garota que andava por aí se metendo em encrencas e quebrando os ossos das inimigas agora passaria madrugadas devorando livros de Direito, resolvendo todas as encrencas com argumentos sólidos e duas ou três ameaças de morte.
Ela deu uma gargalhada alta, evidenciando as covinhas nas suas bochechas.
- É, ameaçar de morte a caloura que deu em cima de você no seu último semestre não foi o meu melhor momento, mas eu não me arrependo de ameaçar aquele professor substituto que me assediou, aquela cena no pátio da faculdade rendeu um dos meus argumentos mais brilhantes. - Ela se lembrou rindo. - Mas eu preciso estudar, preciso estar afiada, Anderson. - Ela rebateu, com aquele queixo erguido e o brilho indomável nos olhos. - A faculdade está quase acabando para mim também e, daqui a alguns anos, quando eu passar no concurso para delegada, vou querer a minha equipe andando na linha. Já pensou? Você vai ter que bater na porta do meu gabinete e pedir autorização para as suas investigações.
- De novo? O distintivo já está te convencendo a voltar atrás da sua decisão?
- Não, Gi, essa decisão foi tomada. O distintivo é parte do caminho, mas ele não é o meu lugar.
- Sabe de uma coisa... - A Gi comentou, apoiando o queixo na mão, me encarando com aquela intensidade. - Você ainda não me contou o momento exato em que decidiu chutar o balde e desistir de ser delegado. O que aconteceu na Academia de Polícia, Anderson?
Eu coloquei a xícara na mesa e respirei fundo, dando um sorriso de canto. Eu sabia que ela ia cobrar essa resposta. Durante a faculdade inteira, o meu plano era ser Delegado, mas os meses de estudo e a vivência prática abriram os meus olhos.
- Eu confesso que eu fiquei estremecido depois daquele juri simulado, lembra? - Eu perguntei e ela fez que sim. - Acho que o professor viu algo que eu mesmo ainda não tinha visto. Mas foi durante as aulas na Academia a virada de chave aconteceu. - Eu confessei, olhando nos olhos dela. - Eu passei a vida inteira agindo no calor do momento, sendo o "segurança" de todo mundo, limpando a bagunça que os outros faziam antes que o pior acontecesse, protegendo quem precisava. Eu achei que a polícia era o meu lugar. Mas quando eu sentei para estudar a fundo o papel das instituições, quando eu comecei a ver como cada uma realmente funciona, eu percebi que a minha mente funciona de outro jeito. Eu sou analítico, Gi. Gosto da estratégia pura, da tese, da aplicação da lei.
A Gi assentiu, prestando atenção em cada palavra.
- O Ministério Público me chamou mais alto. - Eu continuei, sentindo uma convicção firme no peito. - Eu quero ser a voz da sociedade no tribunal. Quero a Promotoria de Justiça. Entrar como investigador agora é o meu laboratório, a minha base para entender a rua, mas o meu foco mudou. Eu vou ser Promotor. Enquanto você vai estar nas ruas prendendo os bandidos com toda essa sua energia de Fera, eu vou estar no gabinete garantindo que eles fiquem atrás das grades. Nós vamos ser uma dupla e tanto, Ferinha. - Eu olhei para ela com um sorriso no rosto e a ansiedade correndo pelas minhas veias para o meu primeiro dia de trabalho como policial.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque o livro do Anderson e da Giovanna não foi finalizado?...
Pq está travado, não consigo ler os próximos capítulos, depois do 265 Que inclusive é a parte da giovana...
Por que o livro da Giovana e do Anderson está ficando em meio ao livro do Jose Miguel e da Eva. Ficou muito bagunçado isso...
Faltou apenas os três últimos capítulos completos, poderiam liberar ne?...
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...