"Giovana"
Eu olhei para a nova tabela do fornecedor de bebidas do bar sobre a minha mesa no escritório e sorri. Foi uma disputa divertida e vê-lo suando e tentando me fazer engolir um reajuste exorbitante para no final se dar por vencido e acabar tendo que aceitar a manter o justo.
- É, foi um dia produtivo. - Eu murmurei para mim mesma e desliguei o computador no momento em que o Tio Rubens entrou na sala. - Está fazendo o quê por aqui, tio? Onde está o nosso gordinho?
- A sua tia o levou para o estúdio hoje. E pegou a princesinha e os gêmeos também. Disse que ia fazer umas fotos dos priminhos. Aí eu fiz uma reunião com a equipe de segurança, estava entediado lá em casa sem o nosso gordinho. - Ele se sentou em minha frente. - Eu vi o fornecedor de bebidas saindo, ele disse que você é um perigo.
- É, ele pensou que ia me fazer de boba.
- Então o bobo é ele. - O Tio Rubens riu. - Teve notícias do Gracinha?
- Ainda não. Estou indo pra casa esperar por ele. Estou ansiosa para saber como foi o primeiro dia dele. - Eu estava sentindo um misto de ansiedade e empolgação. Eu sabia o quanto significava para o Anderson o novo trabalho.
- Eu também. Mas eu ligo pra ele mais tarde. Agora eu vou para o estúdio ver a minha Lorão e ajudá-la com aquele monte de crianças.
- Tio, você sabe que eu só devo ficar por aqui mais um ano. Você tem alguma ideia do que o meu pai vai fazer? - Eu gostava do bar, mas eu tinha outros planos para a minha vida, só não queria que o meu pai se desfizesse dele.
- Fica tranquila, Gi. O seu pai não vai fechar o bar. Isso aqui é um negócio sólido e rentável. Nós estivemos conversando e vamos voltar ao que fizemos uns anos atrás, ele e eu vamos dividir a gerência. Esse tempo que você e o Anderson cuidaram de tudo foi muito bom. Tanto o seu pai quanto eu pudemos estar presentes nos primeiros anos dos nossos bebês. Agora eles dormem a noite toda e ano que vem o Vítor vai para a escolinha. - Ele deu um sorriso bobo.
- Eles crescem muito rápido! - Eu me dei conta de como o tempo parecia estar passando de forma veloz.
- É verdade. Daqui a pouco será a sua vez de ter os seus. Mas se prepare, porque quando o seus mini gracinhas chegarem eu vou sequestrá-los. e vou escondê-los debaixo da cama. Do mesmo jeito que você faz com o nosso gordinho. - Ele ameaçou rindo.
- Eu não tenho culpa de ser a pessoa preferida dele no mundo e ele nunca querer ir embora da minha casa. - Eu dei de ombros me sentindo uma sortuda.
- Você enfeitiça esses bebês! - Ele falou enquanto se levantava. - Vamos comigo parao estúdio?
- Hoje não. Hoje eu vou esperar o meu Gracinha. - Eu me levantei, peguei a bolsa e saí do escritório abraçada com o Tio Rubens.
Eu cheguei em casa quando o sol estava se pondo, olhei as horas e ainda demoraria um pouco para o Gracinha chegar. Eu tinha tempo suficiente para preparar o jantar.
Eu preparei um jantar especial e deixei a mesa posta. Olhei em volta e achei que o dia era especial e merecia algo especial, uma noite romântica. Eu tomei um banho, vesti uma lingerie nova, uma das camisas sociais do Anderson e um salto alto, porque ele adorava me ver de salto. Eu deixei a camisa aberta o suficiente para que ela caísse um pouco pelo meu ombro, deixei o óleo de massagem sobre a mesinha de cabeceira e voltei para a sala. Acendi umas velas perfumadas, coloquei a nossa seleção de músicas para tocar baixinho, abri um vinho e me sentei no sofá com uma taça.
Eu já havia bebido mais da metade do vinho, o Anderson estava mais do que atrasado e eu começava a ficar inquieta. O tempo estava passando e eu ainda não havia tido nenhuma notícia do Anderson. Aquilo já estava me incomodando. Então eu liguei, mas o celular dele estava desligado.
O Anderson não desligava o celular, mas ele estava em um trabalho novo, então era melhor esperar. Talvez a bateria do celular tivesse acabado... ou ele estava em alguma diligência... ou só tivesse ido ao bar comemorar o primeiro dia com os novos companheiros de trabalho... ou... não! Giovana, não! O Flávio prometeu que não colocaria o Anderson nas incursões mais arriscadas enquanto ele não estivesse pronto.
Mas o Flávio é doido!
A medida que os minutos iam passando, eu pensava cada vez menos nas histórias divertidas de ação que o Flávio contava e pensava cada vez mais nas histórias de dias e noites inquietantes que a Manu passava totalmente preocupada com o delegado dela. Eu comecei a pensar que essa coisa de ser a namorada de um policial ia me converter numa neurótica.
Eu olhei para o celular na minha mão e liguei de novo. Desligado. Eu não queria ser a namorada doida que liga pra todo mundo só porque o namorado está atgrasado umas quatro horas, mas todo mundo entenderia que era o meu primeiro dia como namorada de um policial, todos entenderiam a minha preocuapação, não é?! Ou o Anderson viraria a chacota da delegacia.
- Não, Bonfim, eu não estou tranquila, na verdade eu estou surtando! Cadê o Gracinha, Bonfim?
- Calma, garota! Seu namorado estreou em grande estilo, ele é a sensação da delegacia. - O Bonfim riu. - Acredita que ele identificou um meliante que nós estávamos procurando?! No primeiro dia! O Flávio conseguiu o mandado e eles foram cumprir. Essas coisas demoram. Fica tranquila que está tudo dentro da mais perfeita desordem de uma delegacia de polícia. - O Bonfim deu uma gargalhada.
- Não tem graça, Bonfim!
- Gigi, é só o primeiro dia dele e só um cumprimento de mandado. Fica tranquila. Assim que eles derem notícia eu te aviso, mas pode ser rápido ou pode demorar.
- Entendi. - Eu pensei por um momento e desabei no sofá. - O que eu faço até lá? Eu estou preocupada.
- Olha, alguns rezam, outros bebem e tem os que tentam dormir... a minha esposa faz tudo, reza, depois esvazia duas ou três garrafas de vinho e, por fim, dorme como um bebê. Mas eu sugiro um chá de camomila e uma série na TV, é mais saudável.
- Tarde demais, a garrafa de vinho já está pela metade. - Eu olhei para a garrafa sobre a mesinha de centro. - Bonfim, me liga quando souber de algo ou eu apareço aí e ressuscito a "Giovana track-track"!
O Bonfim desligou o telefone rindo.
- Rezar, beber, dormir... entendi! - Eu repeti para mim mesma e fui até o meu quarto, me ajoelhei diante da cama e fiz a oração mais sincera que o meu coração conseguiu, pedindo pela proteção do Anderson, do Flávio, de todos os policiais que estivessem trabalhando e de todas as pessoas de bem que estivessem em perigo.
Eu fiquei um tempo ali em silêncio. Até que o silêncio se tornou pesado demais. Então eu voltei para a sala e olhei para o vinho, aquilo não me faria dormir. Eu fui até o armário, peguei a garrafa de whisky e um copo e me sentei no sofá olhando para a porta enquanto tomava a primeira dose.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque o livro do Anderson e da Giovanna não foi finalizado?...
Pq está travado, não consigo ler os próximos capítulos, depois do 265 Que inclusive é a parte da giovana...
Por que o livro da Giovana e do Anderson está ficando em meio ao livro do Jose Miguel e da Eva. Ficou muito bagunçado isso...
Faltou apenas os três últimos capítulos completos, poderiam liberar ne?...
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...