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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Atravessar os corredores da faculdade de Direito no último ano tinha um gosto completamente diferente de quando comecei, antes era a ansiedade de um mundo novo, agora é um "pelo amor de Deus, acaba logo". Eu não era mais a garota descobrindo o mundo cheia de incertezas. Agora, eu olhava para o meu reflexo no vidro da janela da biblioteca e enxergava a mulher que eu estava me tornando e uma futura delegada de polícia. O que me deixava ansiosa agora era ser colega do meu BFF Flávio e deixar o meu Gracinha de cabelos brancos no Ministério Público.

Eu sorri para mim mesma. A confiança que eu tinha, não tinha nada de arrogância, era a confiança de quem estava construindo um futuro sólido com muito trabalho e persistência. Meu trabalho de conclusão de curso estava praticamente alinhavado, com um ano de antecedência, eu teria tempo para estudar para o concurso da Polícia e para a prova da Ordem dos Advogados, esta era o meu plano B, porque eu aprendi que sempre precisamos ter um. Eu me sentia no controle de tudo.

Eu estava perto dos murais de notas quando avistei a Maya e mal pude acreditar. Ela era a definição daquela elite acadêmica de fachada: tinha um sobrenome de peso no mundo jurídico, entrava na faculdade de nariz empinado desfilando bolsas de grife, implicava com os calouros, mas não conseguia interpretar um parágrafo do Código Penal sem gaguejar. Ela estava ali, de braços cruzados, encarando a lista dos professores ainda disponíveis para orientação do trabalho de conclusão de curso com uma cara de quem tinha acabado de engolir um limão azedo.

Eu me aproximei devagar, ajeitando a alça da minha mochila no ombro, a mesma mochila de couro que o meu Gracinha me deu no meu aniversário de dezoito anos e que era minha companheira inseparável, resistente e confiável, exatamente como o meu Gracinha era.

- Problemas com o livramento condicional, Maya? - Eu perguntei, soltando um meio sorriso descontraído enquanto parava ao lado dela.

Ela se virou rápido, os olhos semicerrados de puro ódio quando viu que era eu.

- Não enche, Giovana. O professor é um carrasco, aquela prova estava completamente fora do normal. Todo mundo foi mal.

- "Todo mundo" é um termo meio amplo. Eu tirei total. - Eu dei de ombros, apontando com o queixo para a lista que ela verificava. - Mas me conta, qual a sua aflição com o trabalho de conclusão de curso, nesse você deve ter passado, apresentou o mesmo trabalho pelo segundo ano consecutivo.

- Não enche, Giovana, sai daqui!

- Ah, meu Deus, você não passou. - Eu a encarei perplexa. - Vai, Maya, me conta. Se você não contar outra pessoa vai, então me poupe da fofoca e encare a sua realidade, colega. Vai, fala!

- Você é insuportável, Giovana! - Ela bufou.

- Eu sei! - Eu abri um sorriso enorme.

- Eu reprovei em processo penal, processo do trabalho e no trabalho de conclusão de curso, o meu orientador me abandonou e disse que eu não deveria insistir em apresentar o mesmo trabalho esse ano porque eu não tenho nenhum domínio sobre cadeia de custódia de provas digitais e tipificação de crimes contra a honra no ambiente virtual. Ele disse que o TCC deve ser mais sobre direito do que sobre a pessoa perder milhões de seguidores na rede social. - Ela bufou, revirou os olhos e voltou a olhar para a lista.

- E o que você vai fazer agora?

- Você já viu que a Maya repetiu de novo. - O Rui se juntou a mim em frente ao elevador com aquele sorriso aberto.

O meu amigo gordinho, tímido e inseguro já não existia mais. Agora eu olhava para um homem alto e forte, de terno alinhado e exalando a mesma confiança do Flávio e do Anderson. Mas uma coisa nele não tinha mudado, ele ainda era extremamente leal e a nossa amizade nos tornava irmãos.

- Como ela pode não aproveitar o que tem na mão? - Eu olhei para o Rui ao entrarmos no elevador.

- Nem todo mundo, Gi, aprende que de nada adianta os pais te darem todas as ferramentas se você não está disposto a trabalhar e levar a vida a sério. Como você e eu. - Ele sorriu. - Você tinha tudo para ser uma versão da Maya, eu podia ser aquele gordinho que se sabotava ainda, mas nós aprendemos que a vida pede mais. E isso, talvez, a gente deva muito ao Anderson, ver a trajetória dele mudou a gente. Claro, nossos pais são fodas também e fizeram um grande trabalho. E nós também vivemos cercados por pessoas que nos direcionam sempre para o que é certo.

- Nossa, que orgulho, Ruizinho! Você se tornou um homem e tanto!

- Eu quero ser melhor todo dia, Gi. Esse tempo na farmacêutica tem me ensinado muito. A minha vida está garantida lá, mas eu ainda penso num futuro mais adiante.

- Eu sei. Você recalculou a rota, assim como o Gracinha, não foi?! - Eu encarei o meu amigo. Há tempos eu já tinha percebido o encantamento dele por uma área diferento do que tínhamos planejado no início. Eu pensei que ele não me surpreenderia tanto, mas eu me enganei. O Rui era uma caixinha de surpresas.

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