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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Anderson"

O tempo tem uma forma engraçada de correr quando você finalmente para de tentar controlá-lo e simplesmente aceita viver. Praticamente um ano já havia se passado desde que eu carreguei as minhas malas para o apartamento da Giovana e nós unificamos as nossas vidas sob o mesmo teto. E aquele ano passou como um trem-bala e deixou um gostinho de "quero isso para o resto da vida".

Foi um período de adaptações e renúncias para nós dois. Teve plantões policiais intermináveis da minha parte, madrugadas em claro com a minha Ferinha cercada por montanhas de livros doutrinários, dias de estudo intenso para o próximo passo na minha carreira, o TCC dela sendo defendido com louvor e a nossa rotina sendo ritmada pelo som dos saltos altos da Bianca batendo no nosso teto enquanto abria a porta para o Rui nos horários mais loucos.

O Rui e a minha irmã tinham se tornado os vizinhos mais barulhentos e presentes do mundo, a rotina deles era tão agitada quanto a nossa, o Rui estava se dedicando como um louco ao escritório do Dr. Romeu e a farmacêutica e a Bianca o esperava todas as noites, oferecendo apoio e companheirismo enquanto fazia sua pós-graduação à distância. E aquela mistura de cansaço, café forte e pizzas nas reuniões de quinta-feira à noite foi a nossa base. Seguramos o tranco juntos. Cada segundo valendo a pena.

E a prova viva disso estava bem na minha frente, no centro do palco do anfiteatro da faculdade, discursando sobre os anos de dedicação e entrega, os desafios superados, e a importância de fazer do diploma um instrumento de defesa da justiça, da cidadania e da igualdade, com ética, respeito e empatia.

- E lembrem-se, colegas, o exercício jurídico deve sempre estar voltado para a defesa dos indefesos e para a construção de um país mais ético e justo. Não precisamos temer os desafios que virão. Acreditemos nos nossos sonhos e na nossa vocação e lutemos. Porque, como bem dizia o mestre Rui Barbosa, "maior do que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado". Portanto, meus colegas... "segui, com o coração puro". - A Giovana finalizou o discurso, recebendo os merecidos aplausos e causando uma comoção geral.

Eu olhei para a minha Ferinha vestindo a beca preta de formanda, com o capelo firme na cabeça e aquele sorriso radiante que iluminava o auditório inteiro. Meu coração estava transbordando de orgulho. Quando o reitor pronunciou o nome dela e ela pegou o canudo de Direito, o auditório parecia que ia virar do avesso. A família e os amigos, todos ali explodindo em gritos e aplausos para ela.

E o orgulho que todos nós sentíamos ia além da conquista do diploma. Ela não era apenas a formanda estrela da turma. Ela já tinha sido aprovada no exame da Ordem dos Advogados o que a deixava segura de que teria como atuar. Mas o melhor veio duas semanas antes, o Diário Oficial tinha carimbado o nome dela na lista de aprovados do concurso para Agente de Polícia Civil. Ela estava pronta para começar a Academia de Polícia e o plano dela continuava milimetricamente traçado: ela cumpriria o tempo de atividade jurídica e policial exigido por lei na rua, sentindo o chão da realidade, e quando o momento chegasse, ninguém no mundo seguraria aquela mulher, ela certamente seria aprovada como delegada. Ela era imparável.

Depois do turbilhão de fotos, abraços chorosos da Raíssa, da Rúbia e da Hana, a comemoração oficial não poderia ser em outro lugar. Fomos todos para o bar do Rafael. Ele havia permitido que eu organizasse uma festa para ela. O Rafael havia fechado o bar para dar a festa. E ela estava radiante andando entre os convidados, exibindo o seu sorriso de covinhas, dançando alegremente.

- Você vai fazer isso, garoto? - O Rafael bateu a mão no meu ombro enquanto eu observava a Giovana dançando com a minha irmã.

- Você já disse que eu posso. - Eu sorri para ele.

- E estou ansioso para ver isso. Você, o garoto tímido e contido, em cima do palco. Vai ser interessante. - Ele riu.

- Então faça a sua parte e observe o garoto tímido dar um show. - Eu brinquei e ele se afastou rindo.

A banda parou de tocar e o Rafael subiu ao palco. Todos esperavam que ele fizesse uma declaração de pai orgulhoso para a filha ou cantasse algo como ele fazia às vezes no bar. Mas esta noite ele estava apenas dando a bênção dele de forma inusitada. O meu coração começou a bater de forma diferente.

- Boa noite, pessoal! Muito obrigado a todos que estão aqui, felizes comigo e com as conquistas da minha filha. Eu sou o pai muito orgulhoso da Giovana Maria, que está comemorando a sua formatura aqui, onde a vida dela aconteceu ao longo dos anos. Aconteceu tanto que foi aqui que ela encontrou o amor... sim, o cara responsável pelos meus cabelos brancos. - Todos riram da graça dele. - Mas ela escolheu um bom garoto e eu me alegro por isso. E eu peço licença a vocês, mas o meu genro tem algo especial para a minha filha hoje, por isso, sejam gentis com o garoto, ele é tímido. Anderson, capricha, ela merece o melhor. Ah... que chato, você já é o melhor!

- Anderson... - Ela sussurrou, a voz falhando e eu tinha deixado a minha Ferinha sem palavras, isso era raro.

Mas eu, diferente do que imaginei, não estava mais nervoso. Uma calma me atingiu, me fazendo relaxar, porque eu tinha absoluta certeza do que eu ia fazer.

- Eu fiz uma promessa para você no balcão deste bar, logo depois do casamento da sua mãe. Eu prometi que você cruzaria o altar de branco assim que eu firmasse a minha carreira. - Eu segurei a mão dela, sentindo-a tremer de leve. - Mas eu não posso cumprir essa promessa, porque eu não vejo mais sentido em esperar.

Eu abri a caixinha na frente dela, revelando o anel de noivado que brilhava sob a luz baixa do bar. A Giovana parou de respirar, os olhos se arregalando em choque.

- Eu já estou na polícia, você está formada e na polícia, e nós já construímos a nossa fortaleza sob o mesmo teto. Você é a minha certeza de todos os dias. Eu não quero esperar o concurso de promotor ou o seu de delegada para te dar o meu nome. Eu já te dei o meu mundo inteiro, eu já fiz de você a razão de cada batida do meu coração. Eu já te entreguei o meu corpo, o meu coração e a minha alma. Não tem volta, Gi. Eu quero casar com você agora. E quando você se tornar delegada, porque vai, eu quero estar lá te aplaudindo como seu marido.

Eu me ajoelhei em frente a ela, olhando no fundo dos seus olhos.

- Giovana, você aceita casar comigo? Aceita cruzar o altar de branco o quanto antes e ouvir as minhas novas promessas?

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