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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

O movimento da noite já tinha acabado e a calmaria da madrugada começava a se instalar no salão do bar. As últimas cadeiras estavam sendo colocadas sobre as mesas, as garrafas vazias sendo recolhidas para o depósito e as meninas já começavam a se despedir.

Eu caminhei até o balcão e passei a mão pela madeira escura. Eu conhecia cada ranhura daquela madeira onde eu já tinha subido e cantado tantas vezes, mais me divertindo que trabalhando. Mas essa noite era diferente e o apagar das luzes tinha um peso diferente para mim. O último funcionário se despediu e saiu, o silêncio que se instalou quando a porta bateu parecia um ato de respeito ao que estava por vir, um rito de passagem solene e formal.

A gerência do bar, que por um tempo foi o meu domínio absoluto, estava prestes a voltar para as mãos do seu dono original. Meu pai e o Tio Rubens se encostaram ali em minha frente, a cena estava carregada de nostalgia. A transição oficial estava começando a acontecer. No dia seguinte, o Rafael e o Tio Rubens reassumiriam a gerência integral daquele lugar.

- Foi uma bela despedida, Gigi! A sua última noite da tequila. O pessoal vai sentir sua falta. - O Tio Rubens comentou rindo da comemoração que os funcionários do bar prepararam para a minha despedida.

- Foi divertido, não foi?! - Eu comentei com um sorriso, me lembrando que até os clientes mais fiéis fizeram questão de estar ali e se despedir.

O pessoal do bar me fez subir no balcão, cantar e distribuir tequila entre os clientes. Eu recebi presentes, abraços emocionados e várias doses de tequila viradas na minha boca como eu fazia com os outros que me deixaram com as bochechas vermelhas e o sorriso fácil. Mas agora, o tom era outro e a sensação de fechar o ciclo tinha uma certa melancolia. Sair da minha zona de conforto, da minha rotina conhecida e mergulhar no desconhecido que me aguardava na polícia chegava a me dar um frio no estômago.

- Tem certeza de que anotou a nova senha do sistema de estoque, pai? - Eu perguntei, tentando manter o tom casual enquanto me recostava no balcão, quase como se fosse difícil me separar dele. - E não vai bagunçar a contabilidade!

Meu pai se debruçou sobre o balcão, apoiando o queixo na mão, com um meio sorriso e os olhos brilhantes. Ele olhou para mim por um momento, olhou para o Tio Rubens, limpou a garganta e abriu um sorriso cheio de orgulho e emoção paternal.

- Eu gerenciei este lugar antes de você aprender a somar, Gi. Acho que dou conta de não falir o bar em duas semanas. - Ele brincou, mas a sua voz falhou de leve. - É hora de ir, minha menina. Tem um mundo inteiro, grande e maravilhoso, esperando por você.

- É isso, não é, pai?! O fim de uma era. - Eu murmurei, com os olhos subitamente marejados. - Amanhã eu começo na Academia de Polícia, rumo ao que eu quero ser quando crescer. Acabou a minha jornada por aqui.

Meu pai deu a volta no balcão e segurou o meu rosto com as duas mãos, me olhando com um sorriso cheio de amor e um brilho orgulhoso nos olhos.

- Acabou a jornada aqui no bar, minha filha. E foi uma jornada linda, que me deixou muito orgulhoso com o quanto você cresceu, amadureceu e é capaz de cuidar de si e dos outros. Mas a sua jornada de verdade no mundo está só começando. Esse bar cumpriu a missão dele com você: sustentou a nossa família e floresceu tantas coisas em você que foi lindo de ver. Você se tornou uma mulher incrível, Gi, e eu tenho muito orgulho de quem você é. Agora o seu lugar é lá fora, defendendo as pessoas, fazendo a diferença no mundo.

Nós nos abraçamos apertado, eu não segurei as lágrimas e quando o meu pai se afastou ele limpou o meu rosto com os polegares. Eu dei um beijo nele e coloquei sobre o balcão o chaveiro pesado com as chaves do bar. Eu estava oficialmente entregando o bastão.

Eu dei a volta no balcão e recebi o abraço de urso do Tio Rubens.

- Cuida dele pra mim? - Eu pedi com o rosto afundado no peito dele.

- Do bar ou do seu pai? - Ele perguntou, tentando disfarçar a emoção com uma risadinha.

- Nos despedir do depósito de bebidas. - Ele me olhou com um sorriso malicioso. - Vem, Ferinha, nosso último amasso no depósito de bebidas do bar do seu pai.

O Anderson me puxou pelo corredor que culminava na porta do depósito de bebidas, aquele lugar onde nós fomos tantas vezes ao longo dos anos para dar uns amassos porque não dava para esperar chegar em casa. E o nosso último amasso ali foi memorável, ou, como eu costumava dizer, foi um amasso de respeito que eu me lembraria para sempre.

E depois daquela noite nós fomos arrastados para uma nova rotina caótica.

Nos dias que se seguiram, a nossa vida virou uma verdadeira operação de guerra, obedecendo um padrão de cansaço e obstinação. A rotina da Academia de Polícia era implacável. Meus dias eram um borrão de coturnos sujos, hematomas das aulas de defesa pessoal, cheiro de pólvora no estande de tiro e madrugadas em claro devorando códigos e doutrinas jurídicas.

O Anderson não estava em situação diferente. Entre os plantões exaustivos e as operações que os atravessavam, ele passava as suas poucas horas de folga comigo no quarto de estudos, cercado por montanhas de material preparatório para o concurso de Promotor de Justiça.

Éramos dois obcecados dividindo o mesmo teto, cansados demais para qualquer coisa que não fosse estudar, mas conectados por um companheirismo que se fortalecia no silêncio entre os livros. Muitas vezes, nossa única interação no dia era um bilhete deixado na caneca de café ao lado da cafeteira ou o calor do corpo um do outro na cama, quando um de nós chegava de madrugada e se encaixava no abraço do outro sem dizer uma palavra.

Os sacrifícios eram reais, pesados e diários. Cada hora de sono perdida era um tijolo na fortaleza que estávamos erguendo num futuro que estávamos construindo juntos. Era o nosso pacto funcionando na prática: a gente se segurava para ninguém cair.

E no meio desse caos, os preparativos para o casamento pareciam mais uma contagem regressiva invisível.

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