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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Anderson"

Assim que o Bonfim fechou a porta, o Flávio deu um passo à frente, com aquele sorriso que sempre me dava segurança, quase como um irmão mais velho. Ele colocou as mãos pesadas nos meus ombros, me encarando com aquela seriedade típica dele, mas cheia de afeto.

Ele me olhou de cima a baixo, como se buscasse um traço de nervosismo em mim. Ele encontrou, porque eu estava nervoso. O Rubens continuava imóvel perto da janela, os braços cruzados, observando a cena daquele jeito silencioso de quem observa muito e compreende a situação antes que ela se desenrole.

- Cavalcante, eu sei exatamente o que você está sentindo agora. E você está mais nervoso do que no dia da sua primeira operação na poícia. Eu também me senti assim quando me casei com a minha baixinha. - Ele sorriu. - Estique os braços para frente. - O Flávio deu o comando, com a mesma postura de quando saíamos para alguma operação da polícia. Eu fiz o que ele disse e ele examinou as minhas abotoaduras. - São especiais?

- Nada demais, comprei semana passada. - Eu revelei, olhando para as abotoaduras de madrepérola nos meus punhos.

- São bonitas! Você tem bom gosto, mas disso todos nós sabemos, afinal, sua noiva é uma jóia rara. - Ele comentou com um sorriso e tirou as abotoaduras dos meus punhos, uma de cada vez, me deixando curioso. Então ele tirou do bolso do paletó uma caixinha e abriu na minha frente. - Mas estas são especiais. Você sabe, você e a Gi são muito especiais para mim, então eu queria dar algo especial para vocês hoje. Meu sogro desenhou e eu mandei fazer para você. É um presente meu para um amigo especial em um dia especial. Posso colocar?

Eu fiz que sim. Dentro da caixinha o par de abotoaduras em platina, com as iniciais G e F entrelaçadas em relevo dourado, brilhavam.

- Giovana Ferri. As iniciais dela. - Eu sorri para o toque especial que o Flávio estava dando com aquele detalhe. - Obrigado, Flávio! São perfeitas!

- É... pode ser também. - Ele abriu um sorriso largo e coçou a cabeça. - Na verdade eu tinha pensado em "Gracinha e Ferinha" mesmo, não tinha me dado conta que são as iniciais dela também. - Nós começamos a rir, com aquela coincidência que só deixava tudo mais perfeito. - A vida é boa, garoto! E você agora vai colher os frutos de todas as boas sementes que você plantou. E mesmo que o seu futuro seja a promotoria, você sempre vai contar comigo.

- Obrigado, Flávio! Você é um grande exemplo pra mim. - Eu declarei e nós nos abraçamos de novo.

- Você está pronto, Anderson. - O Flávio declarou com a voz firme. - E eu não estou falando do terno ou do nó perfeito da gravata. Eu falo do homem. Eu conheci você quando era um pouco mais de um garoto se mantendo firme com medo de falhar com as pessoas que ama, carregando o mundo nas costas. Mas hoje, olhando para você, eu só vejo um homem pronto para vencer. O casamento não é sobre os dias bons e felizes, é sobre escolher quem você quer ao seu lado quando o mundo desmorona. E você escolheu a melhor parceira pra você. Vocês vão cuidar um do outro e é isso que vai mantê-los unidos todos os dias.

- Obrigado, Flávio. Eu não vou me esquecer disso. - Eu respondi emocionado, apertando a mão dele num cumprimento forte que nós levamos ao peito ao nos abraçar de novo.

Ele sorriu, me deu um tapinha de apoio nas costas e caminhou até a porta. Antes de sair, trocou um aceno silencioso com o Rubens e nos deixou a sós, fechando a porta com cuidado.

O silêncio finalmente se instalou no quarto do hotel. O Rubens se afastou da janela devagar, caminhando até mim. Ele parou bem na minha frente e, por alguns segundos, apenas me observou com os olhos completamente marejados, como se tivesse muito a dizer, mas nada coubesse em palavras.

- Eu não sou muito bom com discursos, você sabe. - O Rubens começou, a voz um pouco mais rouca que o normal. Ele enfiou a mão no bolso do paletó e tirou uma caixa de madeira escura, estendendo-a para mim. - Isso aqui pertencia ao meu pai. Ele usou no casamento dele, eu usei quando me casei e agora é seu.

- Está na hora, filho. - A minha mãe se aproximou já secando as lágrimas. - Hoje você oficialmente começa a sua nova família.

- Mãe, eu não estou excluindo ninguém da minha vida. Não precisa chorar e fazer drama. - Eu declarei e ela deu uma risadinha.

- Eu sei, Anderson. O que eu quero dizer é que agora você vai construir algo seu, junto com a mulher que você escolheu e escolheu muito bem. - Ela me abraçou apertado. - Eu não posso dizer que a minha missão com você chegou ao fim, porque a verdade é que desde que seu pai se foi, até toda aquela história com o seu irmão, foi você quem cuidou de mim.

- Em algum momento nossos papéis se inverteram, mãe. Mas eu não me arrependo de nada do que eu fiz, porque eu fiz com amor e boas intenções. Mas agora você tem o Ary, o Felipe está na linha, a Bianca não demora a se casar com o Rui... você nem precisa mais de mim. - Eu falei em tom de brincadeira, para aliviar o momento.

- Menino bobo! Uma mãe sempre precisa do carinho dos seus filhos. - Ela colocou a mão no meu rosto. - Você se tornou um homem muito melhor do que o seu pai sonhava. E ele estaria muito orgulhoso de você. Eu estou muito orgulhosa de você, sempre estive. - Ela pegou a minha mão e colocou uma pequena caixa na palma. - Esse prendedor de gravata era dele, era muito especial, foi presente da sua avó para o nosso casamento. Agora é seu.

Eu abri a pequena caixa sabendo o que encontraria lá. Um prendedor de gravata, um modelo clássico, em ouro branco e acabamento escovado. No verso tinha as iniciais do meu pai e as palavras: "Honra. Família. Respeito." Eu só tinha uma foto do meu pai, receber aquele prendedor foi como receber a bênção dele. Eu sorri entre as lágrimas e pedi a minha mãe que o colocasse para mim. Me virei para o espelho mais uma vez, sentindo o meu coração martelar no peito. Todos aqueles presentes significavam uma coisa: significavam amor incondicional e era esse o sentimento que estava me levando para o altar com a minha Ferinha.

Eu vesti o paletó, ajustei as mangas e respirei fundo. O nervosismo tinha dado lugar a uma certeza avassaladora. Eu ofereci o braço para a minha mãe e nós deixamos o quarto em direção ao bosque do hotel. O sol estava começando a se pôr, filtrando raios dourados por entre as árvores decoradas com pequenas lanternas. O altar estava pronto e o meu coração batia num ritmo acelerado, mas absurdamente feliz. Eu estava pronto para uma vida inteira com a minha Ferinha.

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