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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Quando o meu pai e o Bóris entraram no quarto lado a lado, o silêncio que se instalou foi quase como se os dois estivessem petrificados diante de algo extraordinário. Os dois homens que me chamavam de filha e estavam sempre a postos para me defender estavam ali, lado a lado, quase pareciam irmãos. Eles vestiam ternos cinza chumbo, com raminhos de lavanda nas lapelas. Estavam igualmente lindos e emocionados.

Meu pai, o homem que me criou sozinho enquanto conduzia o bar quando a minha mãe morava longe, que quase perdeu tudo quando eu fiquei doente e aguentou todas as minhas fases mais difíceis e rebeldias, que foi o meu chão mais firme e a minha corda de segurança, me puxando de volta quando eu quase me perdi, ainda tentava conter as lágrimas ao me ver vestida de noiva.

E o Bóris, o padrasto que entrou na minha vida aos dezesseis anos, que quebrou todas as minhas barreiras com aquela leveza e a língua solta dele, tão igual a minha, que chegou fazendo piada e se tornou um pai de alma e coração, que estava sempre pronto para se sentar comigo no sofá e fazer uma rodada de skincare enquanto ouvia as minhas reclamações mais banais, esse, não tentava conter nada, já se desmanchava em lágrimas como um menino.

O meu pai Rafael engoliu em seco, as lágrimas brilhando nos seus olhos, mas ainda represadas. O Bóris simplesmente passou o braço pelos ombros do meu pai, desarmado, limpando o rosto com a mão livre.

- Cara, a nossa filhota... obrigado por me convidar para esse momento. - O Bóris murmurou com a voz falhando. - Caramba, querida! Você arrasou os corações dos seus velhos agora. O Gracinha vai desmaiar no altar. Tem ambulância de prontidão? Você sabe se o Dr. Gatíssimo já chegou, Rafa?

Meu pai se virou para o Bóris com um meio sorriso e balançou a cabeça.

- Vocês dois estão parecendo um casal. - A minha tia Rúbia brincou enquanto o flash da máquina dela disparava. - Isso vai ser hilário.

- Se nós somos um casal, ele é a esposa. - O meu pai declarou e passou o braço pelas costas do Bóris. - Precisa de um lencinho, querida?

Eu comecei a rir, enquanto eles se acotovelavam para se afastar. Mas logo todos ficaram sérios.

- Minha menina... - O meu pai se aproximou devagar, segurando as minhas mãos com um tremor que eu nunca tinha visto nele. O homem firme e corajoso, agora tremia diante de mim. - Você é linda, filha, mas te ver vestida de noiva é como entrar no paraíso e ver um anjo. - Ele passou a mão carinhosamente no meu rosto. - Eu tenho tanto orgulho de ser o seu pai.

Ele tirou do bolso uma caixa e abriu, tinha um par de brincos, duas gotas de diamante, claras e brilhantes como o meu sim para o meu Gracinha. Meu pai colocou cuidadosamente os brincos nas minhas orelhas, com a experiência de um pai que fazia aquilo desde que eu era pequena e ele ainda tinha que escovar os meus cabelos. Ele beijou as minhas mãos, depois o meu rosto e me abraçou com um amor tão grande e incondicional que eu podia sentir aquele sentimento em ondas me atingindo e acalmando, como as ondas do mar quando atingem os nossos pés na areia da praia.

- Pai... você é um pai maravilhoso! Você sempre me colocou antes de tudo na sua vida, sempre se manteve forte por mim. Eu te amo muito e eu sou muito grata por você ser o meu pai, por cada noite que você passou na beirada da minha cama quando eu estive doente, por cada conselho, mesmo os que eu não ouvi, por cada castigo que você aplicou para me ensinar que toda escolha tem consequência.

- Parece que deu certo. Você aprendeu a escolher. - Eles respondeu com a voz embargada e rouca que não deixava dúvida que ele não estava mais segurando o choro. - Você vai ser muito feliz, eu sei. Mas eu sempre vou desejar a sua felicidade. E eu vou te dar um conselho, porque eu sei que você é uma ferinha, mas saiba, querida, para ter um casamento feliz, você precisa escolher ser feliz e abrir mão de ter razão algumas vezes. Você precisa aceitar que o seu Gracinha é um homem e que ele tem algum defeito, mesmo que a gente ainda não tenha descoberto qual é... - Nós rimos juntos.

- Isso não é verdade. Eu sei qual é o defeito do meu Gracinha. Ele pensa que precisa ser responsável por tudo e por todos, que precisa fazer tudo para todo mundo que está a sua volta, mas não sabe pedir ajuda. - Eu falei e o meu pai me soltou para me olhar nos olhos.

- É, você sabe o que fazer. Não deixe que ele se afogue nisso, segure a mão dele e mostre que vocês são parceiros. - Meu pai me deu um beijo na ponta do nariz.

- Eu vou usar agora! Ela é perfeita e vai brilhar sobre a renda no meu pulso. Anda, coloca, "pai-drasto". - Eu insisti e ele demorou mais que o normal para conseguir fechar o bracelete, porque as lágrimas dele embaçavam os olhos.

- Te amo, filhota! - Ele me abraçou por fim, emocionado.

- Bóris, você sabe que no meu coração voce é o meu pai bônus, não o reserva, porque você não é um substituto, você é um pai a mais. - Eu comecei a falar e ele abriu aquele sorriso lindo pra mim.

- Ah, Gigi, você tem um coração lindo. E eu sou um privilegiado por estar nesse lugar que você me deu. - Ele respondeu.

- O lugar que você conquistou. - Eu o corrigi. - Você apareceu num momento que estava tudo ruim e você me amou assim mesmo. Cada tarde no meio da semana que você fugia da farmacêutica para ir ver um filme comigo, aplicando máscara facial, lixando as unhas um do outro e tomando sorvete no sofá de casa, fizeram que eu te amasse mais. Mas, quando você me resgatou no mirante, cumprindo a sua promessa, e cuidou de mim, como o meu pai teria feito, naquele dia, você se tornou um dos meus super heróis que não usam capa. Por isso, hoje, você precisa ajudar o meu pai Rafael a fazer uma coisa por mim.

- Claro, querida. O que você precisar eu faço. - Ele falou com um tom mais sério.

- Eu quero que você entre comigo. Eu quero os meus dois pais me levando ao altar. Um de cada lado. - Eu pedi cheia de expectativa e o Bóris começou a chorar de novo.

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