Entrar Via

Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

O Bóris não conseguiu responder de imediato. Ele apenas olhou para o meu pai Rafael, que deu um passo à frente com um sorriso cúmplice e bateu no ombro dele, confirmando que aquela decisão já estava selada entre nós dois. A generosidade do meu pai em dividir o tapete de folhas do bosque com o homem que me acolheu na adolescência era o reflexo mais puro do amor que os dois tinham por mim.

- Gi, eu te amo, do mesmo jeito que eu amo a Luísa. Vocês duas são minhas filhas. Mas te levar ao altar é uma honra que eu não mereço. Esse privilégio é do Rafa. - Ele falou limpando a garganta, estava nos olhos dele a luta entre fazer o que ele achava certo e aceitar o que ele adoraria fazer.

- Ah, qual é Bóris! E aquele papo de paternidade compartilhada? - O meu pai interveio. - Cara, você não pode deixar a nossa filha na mão assim. Ela te quer lá. E eu fico honrado de dividir essa missão com você.

- Mas, Rafa... - O Bóris tentou argumentar, mas o meu pai interrompeu.

- Bóris, não tem nada que me deixe mais tranquilo do que saber que a Giovana conta com nós dois. Você é parte da vida dela, uma parte muito importante. E a nossa família não é muito convencional, Bóris, mas se tem uma coisa que nós sabemos fazer muito bem é compartilhar momentos. Você não vai dividir comigo a honra de levar a nossa filha ao altar, você vai somar o nosso amor e o nosso orgulho por ela, dando a ela a segurança que ela precisa para dar esse passo tão importante. - Meu pai falou, me deixando orgulhosa.

- Bóris, eu preciso de vocês dois. Você disse que sempre me encontraria, que sempre estaria comigo. Eu preciso de você agora. - Eu pedi.

- Ai, meu Deus! Isso é sério mesmo. - O Bóris percebeu que meu pai e eu estávamos de coração aberto esperando por ele. - O Dr. Gatíssimo chegou? Porque eu posso desmaiar de tanto orgulho e emoção no meio do caminho. - O Bóris falou, me fazendo rir.

- Desmaia depois que me entregarem para o Gracinha. - Eu brinquei.

- Ah, querida! Obrigado por isso! É uma honra fazer parte desse momento. Eu aceito! E, Rafa, nesse momento, eu quase te amo mais do que amo a Rai. Se a Nana te chutar, eu te torno a minha segunda esposa. - O Bóris brincou.

- Não seja ridículo, Bóris! A Rai nunca aceitaria que você tivesse um harém! E a minha doida é uma esposa feliz. - Meu pai entrou na brincadeira.

- Vocês são os melhores do mundo! - Eu estava rindo e chorando.

Eu não aguentei. Puxei os dois para um abraço triplo, afundando o meu rosto entre os ternos deles, chorando todas as lágrimas que tinha guardado.

- Eu amo vocês dois. Eu não seria nada sem o amor de vocês. - Eu sussurrei.

Depois de um momento, nós nos afastamos, a tempo de ver a minha tia limpando uma lágrima teimosa.

- A nossa família não é muito convencional, mas ela com certeza é muito especial. - A minha tia falou antes de tirar uma selfie com a gente. - Então, garotos, estão prontos para conduzir essa noiva linda para os braços do amado?

O meu pai e o Bóris se olharam.

- Se limpa aí, Bóris. - O meu pai brincou, estendendo um lenço de papel para o Bóris, embora a sua própria voz estivesse embargada. - Nós temos uma rainha para escoltar até o altar e o Gracinha não vai esperar a noite inteira.

O cenário no bosque parecia uma pintura de cinema. O sol já tinha sumido por completo, deixando o céu tingido de um azul-escuro profundo e salpicado de estrelas. Centenas de pequenas lanternas de vidro com velas estavam suspensas nos galhos das árvores, jogando uma luz dourada, quente e mágica sobre a trilha de folhas secas.

O meu Gracinha já tinha entrado de braços dados com a mãe, assim como a minha mãe com o Sr. Ary e a Hana com o Tio Rubens. Os padrinhos estavam começando a entrar e logo na minha frente, com uma compostura que me fez morder o lábio para não rir, estavam os meus irmãos menores e o meu priminho. Os meninos vestiam mini-ternos pretos impecáveis segurando as plaquinhas de madeira de modo firme e compenetrado. E as meninas estavam vestidas como princesinhas em vestidos brancos volumosos, flores nos cabelos e cestinhas cheias de lavanda nas mãos para espalharem pelo caminho.

A minha tia me entregou o meu buquê de lírios-do-nilo brancos e lavanda, que eu segurei firme. Encaixei o meu braço esquerdo no do Bóris e o meu direito no do meu pai Rafael e sorri. Sentir a força daqueles dois homens me sustentando de cada lado fez o nó de ansiedade no meu estômago se transformar em uma calmaria avassaladora.

- Graças a Deus, o Dr. Gatíssimo chegou! - O Bóris sussurrou, a voz ainda um pouco trêmula, me fazendo rir. Ele se virou para mim e piscou, dando aquele sorriso bonito. - Pronta, filhota?

- Pronta, minha menina? - O meu pai também perguntou, apertando o meu braço contra o corpo dele.

- Pronta! Eu nasci pronta para dizer sim para o meu Gracinha! - Eu respondi, respirando fundo.

No segundo seguinte, os primeiros acordes solenes da marcha nupcial começaram a ecoar por entre os alto-falantes ocultos na mata, e nós três demos os primeiros passos parando na entrada da trilha. Num segundo eu registrei as pessoas em volta, reconhecendo alguns rostos queridos.

O murmúrio dos convidados cessou instantaneamente. A música que eu escolhi começou a tocar e quando eu levantei os olhos em direção ao altar, o mundo inteiro desapareceu como fumaça.

Lá estava ele. O meu Gracinha, o meu amor. Impecável no seu terno preto de três peças. No momento em que o olhar dele cruzou o bosque e fixou em mim, eu vi a postura rígida do Anderson desarmar por completo. Ele deu meio passo à frente, os olhos brilhando com uma emoção tão pura, tão arrebatadora, que eu soube, com absoluta certeza, que ele tinha esquecido exatamente como se respirava. Ali, a metros de distância, eu podia sentir o amor dele chegando a mim, eu podia ver no brilho dos olhos e na postura desarmada que eu era o mundo dele, assim como ele era o meu, e com essa certeza fazendo o meu coração acelerar, eu dei o primeiro passo na sua direção.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe