"Giovana"
- Cavalcante! Acorda, garoto! Camarão que dorme a onda leva! Cadê a Ferinha? - A voz do Flávio saiu quase em um grito pelo alto-falante, misturada com o barulho de crianças conversando ao redor dele.
- A Ferinha está aqui ao meu lado, está te ouvindo. Mas ela está uma fera mesmo porque você nos interrompeu. - O Anderson sorriu para mim.
- Mas ela vai ficar calminha. - O Flávio falou confiante. - O que vocês dois estão fazendo que não estão na frente do computador?
- O mesmo que você vai fazer com a Manu assim que as crianças se distraírem com a babá. - Eu respondi num tom de provocação. - Existe vida além dos concursos, Flavinho.
- Sei bem! - O Flávio riu. - Presta atenção, Gracinha, Gi! Saiu! O resultado do concurso foi publicado!
O Anderson travou o corpo ao meu lado no mesmo milissegundo. Eu arregalei os olhos, o meu coração disparando violentamente no peito.
- Flavinho, fala logo! - Eu ordenei como se fosse a superiora dele, a adrenalina limpando qualquer resto de sono. - O nome dele está na lista, não está?
- Anderson Cavalcante... - O Flávio fez um pequeno suspense. - Não só está na lista, Gi, o primeiro lugar geral na ampla concorrência é dele! - O Flávio gritou do outro lado, soltando uma gargalhada genuína e emocionada. - Você conseguiu, garoto! Você é o novo Promotor de Justiça do Estado! Caramba, eu estou muito orgulhoso!
- Pri... prim-primeiro lugar? - O Anderson gaguejou, a voz embargada.
- Primeiríssimo lugar! - O Flávio confirmou.
- AAAAHHHH! - Eu dei um grito de felicidade. - Eu disse! Eu disse que você ia conseguir!
Eu me atirei no pescoço do Anderson, o enchendo de beijos, as lágrimas de felicidade caindo dos meus olhos, enquanto ele me abraçava de volta, rindo alto e com os olhos transbordando lágrimas de puro alívio e vitória.
O segurança do bar, o menino tímido que carregou o mundo nas costas, tinha vencido. O sonho dele estava se realizando e a nossa próxima fronteira estava oficialmente aberta.
- Anderson, você merece! Parabéns! E, Gi? - O Flávio falou cheio de orgulho.
- Fala, Flavinho. - Eu respondi emocionada.
- Se prepara, o seu edital vai abrir e o Gracinha subiu muito a régua, eu quero você no primeiro lugar. - O Flávio deu o comando.
- Pode deixar, chefe, eu não vou te decepcionar. - Eu respondi.
- Ótimo! Agora comemorem. Eu tenho que ir, a babá já levbou as crianças para o parquinho do condomínio. - O Flávio se despediu e nós ainda pudemos ouví-lo antes que a chamada fosse cortada: - Agora nós dois, minha baixinha!
Eu olhei emocionada para o meu marido, nós dois rindo do Flávio e com o gosto da felicidade na boca pela conquista alcançada.
- Gi... eu preciso ver. - O Anderson declarou.
- Eu também!
Nós saímos da cama correndo para ter o prazer de ver o nome do Anderson brilhando na tela do computador. Eu estava transbordando felicidade e orgulho e ele olhava para a tela como se ainda não acreditasse. Eu me atirei no pescoço dele, chorando e o enchendo de beijos, enquanto ele me segurava pela cintura e me girava pela sala.
Ele estava rindo alto, aquela gargalhada gostosa e livre que eu raramente ouvia, porque ele estava sempre preocupado demais fazendo o que precisava ser feito, como ele dizia. As lágrimas venceram o controle do meu Gracinha, molhando a minha pele.
- Parabéns, irmão! - O Rui abriu um sorriso gigante, os olhos brilhando de puro orgulho enquanto estendia a mão para o Anderson em um cumprimento forte, que logo virou um abraço de tapinhas nas costas. - Você merece demais, Anderson!
No meio daquela confusão de gritos e pulos na nossa sala, o celular do Anderson em cima da mesa começou a tocar. Era o meu pai Rafael.
- Acho que todo mundo estava vigiando esse edital. - O Anderson atendeu e colocou no viva-voz imediatamente.
- Anderson? Gi? Vocês viram?! - A voz do meu pai saiu completamente eufórica e embargada do outro lado da linha. Dava para ouvir o Bóris fungando o nariz ao fundo e o Tio Rubens gritando um "eu sabia" emocionado, provavelmente os três estavam vigiando o resultado como se fossem os próprios concursandos.
- Meu filho... primeiro lugar! É orgulho demais! Tem três marmanjos chorando igual crianças aqui. - A voz do Tio Rubens ecoou.
- Gracinha, o primeiro lugar é seu! - O Bóris gritou ao fundo, soltando uma fungada alta.
- Se arrumem e venham pra cá, almoço em família! Anderson, se você não aceitar a comemoração que eu vou fazer hoje no bar, eu trago a Giovana pra casa e a tranco no quarto de novo!
- Pai, eu tenho uma arma agora. E algemas. Nem tenta! - Eu avisei bem humorada.
O Anderson riu alto, limpando uma lágrima teimosa que insistiu em cair enquanto ouvia o Tio Rubens, o meu pai e o meu pai-drasto comemorando na mesma sintonia.
- Obrigado, gente! - O Anderson respondeu, a voz firme e cheia de gratidão. - Eu nunca recusaria, Rafa! Mas entende uma coisa: não tem a menor chance de você trancar a Ferinha num quarto sem mim. - O meu pai riu. - Nós estamos indo para aí. E não precisa ligar para a Bianca e o Rui, eles estão aqui com a gente.
- Maravilha! Venham logo, nós queremos te dar um abraço. - O meu pai ordenou antes de desligar.
Olhei para o meu marido no meio daquela sala bagunçada, cercada por quem nos amava, e senti uma felicidade tão pura que nem parecia real. A ralação de dois anos tinha valido a pena. O Anderson tinha alcançado o sonho dele. E enquanto eu o abraçava mais uma vez, eu sorri de canto. A próxima seria eu!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque o livro do Anderson e da Giovanna não foi finalizado?...
Pq está travado, não consigo ler os próximos capítulos, depois do 265 Que inclusive é a parte da giovana...
Por que o livro da Giovana e do Anderson está ficando em meio ao livro do Jose Miguel e da Eva. Ficou muito bagunçado isso...
Faltou apenas os três últimos capítulos completos, poderiam liberar ne?...
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...