"Giovana"
Eu ajustei as lapelas do meu blazer preto, pronta para entrar naquele auditório. A minha postura firme e a aparente tranquilidade contrastava com o turbilhão de emoções que se misturavam dentro de mim e davam um nó no meu estômago. Havia se passado pouco mais de dezoito meses desde aquela manhã caótica em que o nome do Anderson brilhou no primeiro lugar do concurso para promotor.
Dezoito meses de uma dedicação total, que testou cada limite da minha sanidade. O edital para Delegada tinha aberto logo em seguida a aprovação do Anderson, e eu engoli livros, passei noites em claro, enfrentei o teste de aptidão física e a temida prova oral, chegando a exaustão. Tudo conciliado com o trabalho na polícia, que tinha plantões intensos e operações que exigiam mais do que preparo físico, exigiam entrega e atenção.
Mas eu não estava sozinha. O meu Gracinha, mais uma vez, foi o meu escudo. O Promotor Cavalcante foi quem segurou a minha mão para eu não cair. Ele fez os meus lanches de madrugada, revisou as peças jurídicas comigo e aguentou o meu mau humor nos dias de estresse. Nós funcionamos em sincronia e colhemos o resultado juntos mais uma vez. Eu tinha passado em primeiro lugar geral, exatamente como ele, deixando a família em êxtase, o Flávio comemorando como se fosse a própria filha e o Bonfim aos prantos.
Dezoito meses... o meu marido agora era um promotor que ia conquistando o seu espaço e o respeito dos outros, que tinha um futuro promissor pela frente e me deixava orgulhosa com o cuidado, respeito e profissionalismo com que tratava cada caso sobre a sua mesa. Mas, mesmo tendo realizado o seu sonho, ele se empenhou ainda mais para que eu alcançasse o meu. Ele me fez manter o ritmo dos estudos, estudava comigo diariamente, me acordava pela manhã com café e beijos e fazia massagem nos meus pés antes de irmos dormir. Ele se atentava para cada detalhe e quando eu estava tão cansada que mal parava de pé, ele me carregava no colo e me enchia de beijos reconfortantes.
Eu estava olhando para dentro, perdida em meus pensamentos e lutando para conter as lágrimas, eu era a policial durona, tinha feito muito marmanjo chorar nos tempos de agente e enquadrei alguns colegas durante a preparação na Academia de Polícia. Eu senti o leve aperto na minha mão, olhei para o lado e vi o sorriso do Anderson de puro orgulho.
- O auditório está lotado, Ferinha. - Ele disse, envolvendo a minha cintura com as duas mãos. - O seu pai está fingindo que não está chorando, mas enxuga as lágrimas a cada trinta segundos, e o Bóris está grudado no fotógrafo oficial para garantir que ele tire as melhores fotos suas. A Bianca e o Rui estão controlando a ansiedade da família, e a turma da delegacia está ameaçando uma torcida digna de estádio, mas a verdade é que ninguém ali embaixo está mais feliz, orgulhoso e ansioso que eu. Faltam cinco minutos para o início do seu futuro, Delegada Cavalcante.
- Eu estou tremendo, Gracinha. - Eu confessei, colando a minha testa no peito dele, sentindo o pulsar calmo e firme do coração dele que continuava compassando o ritmo do meu. - Eu enfrentei bandido na rua como Agente, tomei tiro no colete, mas subir naquele palco para assinar o termo de posse como Delegada está me dando um frio na barriga pior do que o do altar. A responsabilidade que vem com isso, Anderson... os agentes que vão estar sob o meu comando... vidas! Você acha mesmo que eu estou pronta?
O Anderson sorriu, segurando o meu queixo com delicadeza e me fazendo olhar para ele.
- Você nasceu para isso, Gi. Desde o dia em que o seu pai me levou para a sua casa para tentar te colocar na linha, eu sabia que nenhuma linha no mundo seria capaz de segurar a sua força. Você é a mulher mais determinada que eu já conheci. Você é atrevida, cheia de si e tem um coração valente. E também tem o selo de aprovação do Flávio Moreno e do Bonfim, eles estão orgulhosos e se aqueles dois dizem que você dá conta do recado, é porque você dá. Vai lá em cima e pega o que é seu por direito. Eu vou estar te aplaudindo de pé.
Eu abracei o meu marido apertado, puxando o pescoço dele para um beijo rápido e cheio de promessas para mais tarde. O batom vermelho marsala que eu tinha escolhido, provavelmente borrou de leve o canto da boca dele. O Anderson limpou o rastro do batom com o polegar, me deu um último sorriso de canto e saiu para ocupar o seu lugar.
Eu respirei fundo e segui a fila dos meus colegas para os primeiros assentos do auditório, vendo os rostos conhecidos que ocupavam aquele lugar. Eu estava cercada de amor, de história e de certezas.
A cerimônia cumpria o seu rito solene e carregado de emoção, que ganhou um ingrediente a mais para me fazer chorar quando o Flávio e o Bonfim foram chamados para entregar os diplomas. Isso foi uma surpresa para mim e me deixou muito feliz, porque aqueles dois eram meus exemplos a seguir e receber o diploma das mãos deles era muito especial. Se eu precisava de um sinal de certeza que eu estava pronta, ali estavam dois.
- Convidamos a Senhora Delegada de Polícia Giovana Maria Ferri Cavalcante para receber o seu diploma. - O mestre de cerimônias anunciou o meu nome no microfone, o auditório inteiro veio abaixo em aplausos.
Ele parou bem na minha frente. O mundo ao redor silenciou. O Anderson abriu a caixinha, pegou o distintivo de metal e se aproximou para fixá-lo na lapela do meu blazer preto, bem em cima do meu coração. As mãos dele, que tantas vezes seguraram as minhas no chão da nossa sala entre as apostilas, tremeram de leve com a emoção do momento.
Quando ele terminou de prender, ele deu um passo atrás e olhou para a insígnia brilhando no meu peito. Mas, logo em seguida, o Anderson desarmou a postura. Ele abriu aquele sorriso de canto que sempre me deixava flutuar, segurou o meu rosto com as duas mãos e olhou bem no fundo dos meus olhos. Naquele momento tudo em volta desapareceu.
- Parabéns, Delegada Giovana Cavalcante. - Ele sussurrou com a voz embargada, os olhos brilhando com as lágrimas que ele tentava conter. - Eu sempre soube que você chegaria aqui. E eu sei que chegará ainda mais longe.
- Nós chegamos aqui, Gracinha. - Eu respondi com a voz sumida pela emoção, segurando os pulsos dele por um segundo. - Esse distintivo é nosso. Mais um dos nossos sonhos realizado com sucesso.
Esquecendo completamente as formalidades do Ministério Público e da Polícia, eu me atirei no pescoço do meu marido. O Anderson me apertou contra o corpo dele com uma força avassaladora, me tirando levemente do chão, enquanto o auditório inteiro vinha abaixo em aplausos, assobios e gritos da nossa família doida. Eu colei os meus lábios nos dele em um beijo rápido, mas cheio de uma paixão, de uma vitória e de uma certeza que dezoito meses de dedicação intensa não tinham sido capazes de desgastar.
Mas as surpresas não pararam na cerimônia de formatura, eu ainda descobriria quais eram os planos do Bonfim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque o livro do Anderson e da Giovanna não foi finalizado?...
Pq está travado, não consigo ler os próximos capítulos, depois do 265 Que inclusive é a parte da giovana...
Por que o livro da Giovana e do Anderson está ficando em meio ao livro do Jose Miguel e da Eva. Ficou muito bagunçado isso...
Faltou apenas os três últimos capítulos completos, poderiam liberar ne?...
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...