"Giovana"
Depois do meu aniversário, o tempo pareceu acelerar, como se eu nunca tivesse tempo para tudo, embora o meu pai vivesse dizendo que o problema era eu querer abraçar o mundo.
No dia seguinte ao meu aniversário, quando eu cheguei em casa, o meu pai teve uma conversa séria comigo sobre a responsabilidade de morar sozinha. Naquele momento, livre das emoções que eu senti no dia do meu aniversário, eu percebi que era um passo grande demais e que talvez eu precisasse dar em algumas etapas.
Meu pai me entregou as chaves, os documentos, explicou como funcionava tudo e estava pronto para ir ou para me deixar voar como ele disse. Mas eu não estava pronta e quando ele, a Hana e meus irmãozinhos estavam saindo pela porta eu pedi que me esperassem, preparei a minha mala raoidamente e fui com eles.
Talvez eu estivesse com medo, mas o fato era que a minha língua era grande, mas a minha coragem ainda cabia na mochila. Mas eu fiquei feliz em ter ido, a casa era grande e a Hana tinha preparado um quarto lindo pra mim, pensado em cada detalhe para que eu realmente sentisse que sempre teria um lar com eles.
Nos meses seguintes eu me dediquei completamente aos estudos, enfiei o nariz nos livros e tive uma rotina pesada de estudos, afinal eu tinha um objetivo. E eu mirei no alvo e disparei, acertei em cheio e no final do ano veio a recompensa, eu tinha sido aprovada e bem colocada para a faculdade de direito, a mesma que o Anderson frequentava.
E não fui apenas eu, o Rui também seguiu firme conosco, como tínhamos combinado, iríamos os três para a faculdade juntos e depois para a polícia seguindo o exemplo do Flávio. Eu sentia como se tudo fosse dar certo o tempo todo e isso me encheu de confiança para o ano seguinte. Eu começava a olhar para frente e entender o que eu queria.
Claro, eu também queria coisas que não dependiam de mim, como juntar o Rui e a Bianca, mas o Anderson e o Rui me convenceram de que o Rui deveria conquistar a Bianca e não partir pra cima como os rapazes com os quais ela já tinha se envolvido faziam, porque o Rui nem era assim, ele era um rapaz tímido. Como o Anderson vivia dizendo, cada processo tem seu tempo e eu confiava no julgamento dele. Eu não ia mentir, ele sempre foi o mais sensato de nós.
No entanto, os planos de conquista tinham sido atropelados pelos planos do vestibular, porque a própria Bianca tinha se tornado uma estudiosa e conseguiu uma vaga no curso de publicidade e propaganda da mesma faculdade para onde iríamos. No final, estaríamos todos juntos e talvez os planos de conquista funcionassem melhor depois que o Rui voltasse da viagem de férias com os pais.
E foi assim que, depois daquele ano cheio de surpresas e totalmente dedicada aos estudos, eu decidi levar as férias com calma. Fiquei grudada nos meus irmãos e aproveitei aquelas últimas semanas em família, como se ganhasse a força que precisava para caminhar com as minhas próprias pernas. O meu namoro com o Anderson ainda estava com os pés no freio e nós combinamos deixar tudo se acalmar mais e relaxar, mas agora a escolha era minha, não estava mais amarrada em um acordo com o meu pai e isso mudava tudo.
E depois de tudo isso, finalmente havia chegado a hora, o meu primeiro dia como caloura universitária. Eu estava tão ansiosa que na noite anterior mal consegui dormir e na manhã seguinte eu acordei antes do despertador e quando a Hana e o meu pai chegaram com os gêmeos na cozinha eu saltitava de um lado para o outro colocando a mesa do café.
- Bom dia, universitária do papai! - Meu pai se aproximou e me prendeu num abraço de urso. - Eu tenho tanto orgulho de você, Gi!
- Que bom, porque eu trabalhei muito por isso. - Eu apertei os meus braços em volta dele e apoiei a minha cabeça no seu peito.
- Mas eu preciso saber quando você vai fazer o exame de habilitação. O coitado do Anderson tem que fazer um desvio de rota imenso para te buscar aqui. - Meu pai me soltou e se sentou enquanto eu fui em direção a Hana e aos bebês.
- Meu instrutor disse que eu estou pronta, provavelmente eu faça o exame semana que vem. Eu tambem estou louca para dirigir o meu "vermelho ferinha". - Eu contei enquanto colocava um pedaço de omelete na boca e criava coragem para pedir o que eu tinha em mente. - Pai, eu quero te pedir mais uma coisa.
- É só dizer, filha, eu estou sempre pronto para te dizer não! - Ele brincou com aquele sorriso bonito.
- Continua assim e eu acabo indo morar com a minha mãe e o Bóris. - Eu brinquei e ele deu aquela risada alta, jogando a cabeça para trás.
- Eu fico me perguntando porque não vendi aquele apartamento. - Ele estreitou os olhos para mim, divertido.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...