"Giovana"
Era fim de tarde de sexta feira e nesta noite seria minha estréia como funcionária no bar do meu pai. Como esperado, o meu início seria como garçonete, por isso eu passei a semana treinando durante as tardes e aprendendo sobre os drinques e como eu deveria me comportar no ambiente como uma funcionária e não como a filha do dono.
- Uau! Você está gata nesse uniforme. - A Hana assoviou um "fiu-fiu" da bancada da cozinha.
- Gostou? Eu acho esse uniforme estiloso! - Eu dei uma voltinha cheia de firulas.
- Você parece uma mulher fatal! - A Hana sorriu.
- Ela só tem dezoito anos, minha doida. - Meu pai brincou da banqueta onde estava sentado. - Você está linda, Gi!
Eu estava me sentindo bonita naquele uniforme de calça skiny em preto absuluto e totalmente justa no corpo, que combinava perfeitamente com o colete alfaiataria em couro preto e o body vinho de gola alta. O visual era arrematado por uma ankleboot de salto bloco, pulseiras de couro e um brinco dourado longo. Meu cabelo estava preso em um rabo alto e a maquiagem era apenas um delineado gatinho e um batom da cor da blusa, como todas as outras garçonetes usavam. Era um padrão prático e elegante, que combinava perfeitamente com o bar. Como resultado final, eu realmente não me sentia só uma garota de dezoito anos, eu me sentia fatal, como a Hana disse.
- Você está animada com o seu primeiro dia? - Meu pai perguntou com um meio sorriso, talvez ele esperasse que eu voltasse atrás, mas isso não aconteceria.
- Ah, o teste do sofá da segunda não me levou ao estrelato, porque eu não fui contratada como secretária do chefe, mas...
- Teste do sofá? - Meu pai perguntou meio confuso.
- Sim, lá no meu apartamento. Você sabe que eu fui até lá, pai.
- Giovana, nao coloca as imagens na minha cabeça, por favor. - Ele respondeu já ficando em pânico e eu comeceu a rir.
- Talvez eu deva tentar convencer o chefe no sofá do escritório no bar, hein, pai?! - Eu sugeri e ele revirou os olhos, enquanto a Hana caía na risada.
- Mais uma gracinha e o dono do bar te demite antes de você começar. - Ele respondeu sério, mas era só uma ameaça vazia. Eu o abracei rindo. O bipe de notificação de mensagem no meu celular me disse que estava na hora. - Vai, seu chefe veio te buscar.
Eu peguei a minha bolsa depressa e saí correndo pela porta. O Anderson já me esperava com a porta do carro aberta. Ela já não usava mais o terno, mas adotou o estilo do meu pai como um uniforme, estava sempre de calça social, camisa preta com as mangas dobradas e colete ajustado ao corpo. Ele dizia que aquilo era como uma identidade do bar, mas para mim ele ficava simplesmente de tirar o fôlego.
- Ferinhaaa!! Você está incrível! - O Anderson me elogiou e eu dei uma voltinha para me exibir.
- Talvez mais tarde eu tente o teste do sofá com o meu chefe. - Eu brinquei e dei um beijo rápido nele.
- Cara de sorte! - Ele murmurou enquanto eu entrava no carro.
- Pensei que precisaria acionar a segurança. - Ele brincou, inclinando-se para perto.
- Não confia nas minhas habilidades, Gracinha?
- Eu conheço muito bem suas habilidades e pensei que precisaria chamar a segurança pra tirar você de cima deles. Antes que eu tivesse uma ambulância na porta e vários clientes com ossos quebrados. - Ele me provocou e eu dei uma risada rápida.
- Inconveniente neutralizado sem uso de força física. - Eu pisquei para ele e peguei a próxima bandeja sobre o balcão. - Mas fica de olho, Gracinha. A noite mal começou e sabe o que dizem, a noite é uma criança, tudo pode acontecer.
O solo de guitarra explodiu no palco, e eu girei a bandeja na mão, pronta para a próxima mesa. Eu me sentia em casa, como se sempre tivesse feito aquilo como se a bandeja fosse uma extensão do meu braço.
- Vai lá, Ferinha, mas se surgir um inconveniente maior, você já sabe, é só avisar que nós estamos prontos para encerrar a noite de alguém mais cedo. - Ele falou e eu saí rindo, claro que estavam todos de olho em mim e prontos para me proteger, ninguém ali queria o meu pai e o Anderson irritados.
- Deixa que eu resolvo meus próprios problemas, Gracinha! Guarde a sua disposição para o final da noite. - Eu o adverti, com uma piscadinha e saí andando em direção a minha próxima mesa. Confiante de que mesmo cercada de cuidado, eu estava construindo o meu caminho por mim mesma.
Mas ao me aproximar da mesa que havia pedido aquela rodada de margaritas eu revirei os olhos mentalmente, claro que aquela desocupada da Maya apareceria por aqui mais cedo ou mais tarde, ela tinha passado a semana tentando me provocar e se aproximar do Anderson.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...