"Giovana"
Eu sabia que a Maya estava mais do que determinada a conquistar o Anderson e eu era o combustível que a deixava ainda mais interessada nele. Enquanto eu me aproximava da mesa onde ela estava, eu a observei, ela era bonita, alta, com um corpo perfeitamentamente distribuído, magra e atlética.
Ela, com os seus vinte e três anos, era uma mulher, enquanto eu ainda me sentia uma garota. E ela era uma mulher que tinha aquele padrão de beleza de cabelão com luzes, maçãs do rosto proeminentes e contorno do maxilar delineado, boca de lábios grossos e nariz afilado e arrebitado. Os cílios pareciam de boneca, fartos e bem curvados e as unhas compridas no melhor stiletto compunham seu visual "mulher fatal". Ela estava usando um vestido prata muito curto e com decote que ia até o umbigo.
Ela certamente chamava muita atenção para si e de uma forma que eu nunca tinha experimentado. Um pesamento sobre o Anderson prestar atenção nela surgiu na minha mente como fumaça e eu tratei de expulsá-lo antes que ele se tornasse real demais para ser encarado, porque qualquer homem a olharia.
- Ai que preguiça! Agora contratam menor aprendiz para servir as mesas aqui? - Ela me encarou com ar de superioridade e confiança, estava cercada pelas amiguinhas, algumas eu conhecia da faculdade, e todas começaram a rir.
- Nossa, Maya, isso tudo é inveja da minha juventude? - Eu sorri para ela e comecei a colocar as taças sobre a mesa. - Eu não tenho culpa se você está velha e ainda não conseguiu sair do primeiro ano da faculdade.
As amigas dela riram, emitindo o sonoro "uuuuu". A Maya me encarou com odio, o seu rosto pintando de vermelho. Eu tinha acertado em dois pontos que a incomodaram, o fato de estar repetindo tantas matérias na faculdade que ela sequer conseguia prever quando se formaria e dizer que ela estava envelhecendo, mesmo que ela ainda fosse jovem, mas foi um golpe direto na vaidade.
- Escuta aqui, Giovana... - Ela apontou o dedo pra mim.
- Se quiser sair daqui com esse dedo inteiro, é melhor não apontá-lo para mim de novo. - Eu avisei sem tirar o sorriso do rosto, mas com a voz ameaçadora o suficiente para que ela levasse o aviso em consideração e abaixasse o dedo.
- Quem você pensa que é, garota? - Ela falou com toda a arrogância.
- Depende, aqui eu sou uma funcionária, na faculdade eu sou uma caloura e na vida eu sou o seu pior pesadelo se você continuar achando que esse seu tom de voz me impressiona. - Eu dei um passo à frente, deixando a bandeja de lado por um segundo para encara-la bem de perto. - Mas, para simplificar para você, já que você não é muito esperta, pode me chamar de quem vai assinar a sua conta se você não aprender a tratar quem serve o seu drink com o mínimo de educação.
- Você está se achando só porque esse bar é do seu pai, não é?! Mas não fica assim tão confiante, pode demorar só um pouquinho, mas o Anderson vai perceber o que está perdendo. - Ela apontou para si mesma.
- O bar é do meu pai, Maya, o meu namorado é o gerente, mas a paciência que está acabando é a minha. Você é uma cliente aqui, mas nós não gostamos de clientes problemáticos, então se não quiser o seu nome na lista negra do bar é melhor se comportar, ou nunca mais você coloca os pés aqui dentro.
Eu me virei e deixei aquela chata com as amiguinhas dela. Meu recado estava dado. Ela não passaria por cima de mim, há muito tempo que ninguém passava, eu já tinha aprendido o meu valor e o meu lugar no mundo, não me encolhia mais para ninguém e nem tentava agradar a qualquer custo. E ela não estragaria o que esse trabalho significava para mim.
No momento em que eu passei pela mesa dos rapazes que eu havia servido mais cedo, o cara de camisa polo tentou barrar a minha passagem outra vez. Ele era o tipo insistente e desagradável, segurou o meu cotovelo e eu olhei para cima, o encarando sem nenhum humor e levantei as sobrancelhas.
- Não se faça de difícil, gatinha! Qual é? Você deveria estar lisonjeada que eu notei você. - Ele falou com um sorrisinho de quem não estava acostumado a ser rejeitado. Eu comecei a rir e puxei o meu braço da mão dele.
- Eu preferiria que você não tivesse me notado. Porque a única coisa que eu notei em você até agora é que você é o típico filhinho de mamãe mimado que acha que pode ter tudo na vida. Mas deixa eu te contar, você não pode!
Os amigos dele começaram a rir e a dizer que ele tinha levado uma invertida, um fora da garçonete. Eu continuei sorrindo. Era um bando de marmanjo imaturo e carente que precisava de atenção. Ele deu um sorriso sem graça e tentou se aproximar, mas eu dei um passo atrás.
- Quer apostar que eu te beijo até o fim da noite? - Ele estava me propondo um desafio.
- Olha, como você é confiante! O que você quer apostar? - Eu sorri e dei trela para ele, mas já tinha feito as contas na mesa e eu tinha algo melhor em mente.
- Se eu ganhar, você sai daqui comigo no fim da noite. - Ele abaixou o tom de voz, com a certeza de que era um convite irrecusável.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...