"Rui"
Depois que a Giovana e o Anderson saíram, a Bianca e eu ficamos conversando na lanchonete. Eu não sabia mais o que fazer para que ela olhasse para mim e visse mais que um amigo e eu já estava impaciente com os amiguinhos que ela tinha feito na faculdade. Parecia que eles brotavam do chão, como se fossem invocados cada vez que eu pensava no quanto eram pegajosos. E quando eu vi um deles entrando na lanchonete por uma porta, eu logo tracei a rota de fuga pela outra.
- Bibi, almoça comigo hoje? - Eu sorri para ela e me levantei rapidamente, oferecendo a mão para ajudá-la.
- Você está me deixando mal acostumada, Ruizinho. Você se tornou a minha carona diária, vive me convidando para alguma coisa, me enche de mimos... qualquer um diria que você é...
- O seu amigo gay! - Aquele amiguinho chato da Bianca se pendurou no ombro dela. - Cara, você precisa desgrudar da Bianca um pouco, está atrapalhando a gente.
- Nossa, que engraçado! - Eu respondi sem humor.
- Ruuuu! - Uma garota da minha sala se aproximou.
Era a Diana, ela era baixinha e cheia de energia, a garota parecia uma candidata a um cargo político, sempre sorrindo, falante demais e já conhecia tudo e todo mundo na faculdade. Ela se aproximou e me deu um abraço, porque ela gostava tanto de abraços eu não sabia. A Bianca simplesmente não a suportava e eu não entendia porque, a Diana era simpática com todos.
- Oi, Bibelô. - Eu retribuí o abraço dela com um beijo no rosto, a chamando pelo apelido que ela já tinha ganhado da turma.
- Achei que você já tinha ido. Eu estava na biblioteca. Eu estou indo comer, vem comigo? Por favor, Ru, eu detesto comer sozinha. - Ela foi falando em disparada, porque ela falava bastante.
- Pronto, Bianca, seu cachorrinho já tem quem o leve para passear, vem comigo. - O chato do amiguinho da Bianca tentou levá-la, mas ela estava encarando a Diana muito séria.
- Ô, 'bibelô', sinto muito, o 'Ru' já tem compromisso. Mas você pode levar o Breno para almoçar com você. Ele está disponível. Não é, Breno?! - A Bianca empurrou o amiguinho em direção a Diana e me puxou para o seu lado.
A Bianca saiu me puxando pela lanchonete e para fora do prédia até o estacionamento sem dizer uma palavra. Eu estava tentando não rir da implicância dela com a Diana e pensando que eu teria que agradecer a minha colega por ter aparecido na hora certa. Quando chegamos ao meu carro ela parou de braços cruzados e cara fechada, parecia até a Giovana quando ficava com ciúmes do Anderson. Eu abri a porta sorrindo e fiz um gesto para ela entrar. Ela bufou antes de se sentar e eu fechei a porta rindo.
- Onde você quer almoçar, Bibi? - Eu perguntei quando me sentei ao lado dela.
- Na minha casa! - Ela respondeu emburrada.
- Não, vou te levar naquele restaurante perto do apartamento da Gi que você gosta. Eu sei que você gosta daquela tortinha de frutas que eles servem de sobremesa. - Eu coloquei o cinto e dei a partida. Ela continuou muda por mais alguns minutos. - Bi, o que foi? Por que você está brava comigo?
- Porq ue, seu lerdo? Você não sabe?
- Bi, a Bibelô é super legal, dá uma chance pra ela.
- Não chama aquela criaturinha de bibelô perto de mim. - Ela se virou para mim irritada e eu comecei a rir. - Escuta bem, Rui, eu conheço garotas como ela de longe e eu não gosto dela, ela se mete entre nós dois e vai aprontar com você.
- O que ela pode aprontar comigo, Bibi? Eu sou apenas um calouro sem graça. A Bibelô curte os veteranos. Só que ela é assim, expansiva, se aproxima de todo mundo. Vai, para com isso. Desfaz essa cara emburrada, você é minha amiga.
- Rui, eu gosto de você e não vou deixar aquela criaturinha colocar aquele monte de mãos sobre você! - Ela me avisou.
- Você é uma amiga ciumenta! E só por isso vai comigo hoje para o bar do pai da Giovana. O que acha? Nós dois na pista de dança e atoprmentando o seu irmão por cortesias? - Eu brinquei e ela sorriu.
- Então está combinado.
Eu tinha um plano e a Giovana ia me ajudar. Ela mesma sugeriu que eu criasse uma oportunidade com a Bianca fora da faculdade e era o que eu ia fazer, levar aquela garota para um lugar legal e tomar uma atitude. Talvez eu a beijasse enquanto entivéssemos dançando. Eu queria mesmo era levá-la para um jantar romântico e me declarar, mas a Giovana achou que ela poderia se sentir acuada e achou que o bar seria um bom lugar.
Nós almoçamos juntos no mesmo clima leve de sempre e depois eu a deixei em casa. Quando eu voltei à noite para buscá-la eu até engasguei com o suco que o irmão dela havia me oferecido.
- Calma, Ruizinho, ela ainda nem chegou perto. - O Felipe brincou batendo a mão nas minhas costas.
- Não seja idiota, Felipe! Só eu posso chamá-lo de Ruizinho. E a mãe dele, claro. - A Bianca ralhou com o irmão e depois segurou os meus ombros. - Você está bem, Ruizinho?

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...