Entrar Via

Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Anderson"

Eu estacionei em frente a minha casa sentindo que tinha algo errado prestes a acontecer. Eu dei uma olhadinha para a minha irmã e ela estava quieta, o trajeto inteiro sem dar uma palavra. Ela sabia de alguma coisa.

- Você sabe o que está acontecendo, não sabe? - Eu a perguntei e ela exalou um certo desconforto com a minha pergunta.

- Eu tenho uma vaga idéia, mas só porque ouvi sem querer um pedaço de uma frase solta em uma conversa. Então, como eu não tenho certeza, vou deixar para que ela diga.

Desde que começou a andar com o Rui a Bianca parecia mais centrada. Eu sabia que ela ia bastante a casa dele e que a mãe dele a adorava, inclusive foram os pais dele que a fizeram enxergar a idéia da faculdade como algo importante para o futuro. Eles eram uma boa influência e pela primeira vez em muito tempo eu não me preocupava com a minha irmã, finalmente ela tinha um namorado que a levaria a sério e que não aprontaria com ela.

- Os pais do Rui já sabem desse namoro? - Eu perguntei e ela esfregou as palmas das mãos na calça jeans.

- Não. Ele quer que eu esteja com ele quando contar. Não sei se é uma boa ideia. Eu não quero que a Josiane me odeie. - A preocupação dela tirou a minha atenção do problema que eu sentia que me aguardava por um minuto.

- Por que ela te odiaria? Eles gostam de você. A Josiane não é do tipo que que finge que gosta.

- E eu adoro os pais do Rui, Anderson! Mas... eu sou desse jeito... eu meti os pés pelas mãos algumas vezes já, quis viver de um jeito que não ia bem, já tive um monte de namorados... não sou como a Gi que espera a hora certa...

- A Gi teve problemas também, Bi. Foi caótico até o Rafael conseguir colocá-la sobre os trilhos. Você conhece a história. - Eu a lembrei.

- É, mas o Rui... o Rui é todo certinho, nunca namorou, nunca tinha dado um beijo, Anderson! Você acha mesmo que os pais dele vão ficar felizes que o único filho esteja namorando uma garota como eu, que já fez mais do que beijar? - O desespero dela era real, o medo de não ser aceita e isso me doeu.

- Eu falhei com você! - Eu passei as mãos no rosto exasperado e culpado. - Entre trabalhar e equilibrar a minha vida eu falhei com você. Eu deveria ter feito por você o que o Rafael fez com a Gi, deveria ter te parado de alguma forma.

- Não é sua culpa, Anderson! Você não é meu pai. Você fez muito, você assumiu essa família cedo demais e isso não era sua função. Além do mais, a mamãe sempre exigiu a sua ajuda, mas nunca permitiu que você tivesse voz ativa comigo ou o Felipe, ela nunca permitiu que você nos... educasse, vamos dizer assim.

Eu dei um sorriso triste para ela. Eu queria ter feito mais pela minha irmã.

- Sabe o que eu acho? Eu acho que você está se preocupando à toa. Se os pais do Rui não te aceitassem, vocês nem seriam amigos. Eles te adoram, Bianca, e eles são boas pessoas. Vai ficar tudo bem. - Eu a encorajeo.

- Você é o melhor irmão do mundo! - Ela me deu um abraço meio desajeitado ali no espaço confinado do carro.

- Bom saber. Agora vamos ver o que a D. Fátima está aprontando.

Nós saímos do carro e quando entramos em casa os outros já estavam sentados em torno da mesa numa conversa muito animada, que cessou assim que entramos. Aaté o Ary estava lá, o que me deixou ainda mais tenso, eu tinha a sensação de que o que estava por vir não me agradaria.

- Anderson, eu sempre tive o sonho de abrir meu próprio negócio, um ateliê de costura, você sabe. E o Ary me apóia nisso. Eu vou usar parte do dinheiro da casa para isso, criar o meu negócio. E a outra parte eu vou dar para o Felipe... a conta, Fê, a boa notícia é sua! - Minha mãe falava com empolgação, enquanto eu estava completamente atordoado.

- Então, irmãos, eu termino a faculdade no fim do semestre e recebi uma proposta irrecusável para trabalhar numa empresa gigante de engenharia em outra cidade. Então, como a mamãe e o Ary já estavam pensando há um tempo sobre morar juntos... - Meu irmão estava radiante falando, mas eu o interrompi.

- Ah, você sabia. - Não foi uma pergunta.

- Digamos que eu tenha dado um empurrãozinho. - Ele respondeu sorridente e piscou para a nossa mãe. - A mamãe estava com medo e eu a ajudei a decidir.

- É isso, Anderson, seu irmão é um engenheiro agora, recebeu uma proposta irrecusável e encontrou um loft maravilhoso na cidade para onde ele vai. O dinheiro da casa é para pagar parte do loft e o restante ele vai parcelar. É a chance da vida dele começar bem, como o seu pai sempre sonhou.

Eu larguei o talher no prato, o som ricocheteou no ar como um tiro disparado que atingiu direto no meu coração. Eu olhei para o Ary que desviou os olhos visivelmente desconfortável, como estava desde o momento em que eu cheguei, depois olhei para a minha mãe que me encarava como se não entendesse a minha reação.

- Espera, mãe... você não pode vender a casa sem que a Bianca e eu estejamos de acordo. Você estava sabendo disso, Bianca? - Eu me virei para a minha irmã que estava sem cor e com os olhos marejados.

- Eu não tinha ideia. Quer dizer, até sabia que ela e o Ary estavam falando sobre morar juntos, eu te falei, peguei uma parte de uma conversa, mas vender a casa... a nossa casa... - Uma lágrima caiu do rosto da minha irmã e eu entendi o que ela queria dizer.

- Mãe, nós precisamos conversar com calma...

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe