"Giovana"
O Anderson travou ao entrar, e eu senti o corpo dele retesar sob os meus braços. Ele parecia um soldado que tinha acabado de voltar de uma guerra e não sabia se o que via era real ou uma miragem. Os braços apertados na minha cintura, o olhar exausto, com aquela tristeza profunda que ele tentava esconder atrás da pose de homem forte... meu coração se estilhaçou em mil pedaços. Por que a vida parecia ser tão difícil para ele enquanto para mim parecia ser um passeio no parque?
Eu não precisei que ele dissesse uma palavra para saber que a D. Fátima tinha soltado uma bomba que destruiu o chão dele. Mas o que ele ainda não tinha entendido, parado ali no meio da minha sala, era que agora ele tinha a mim para ajudá-lo a enfrentar o que quer que fosse, como ele me ajudou.
- Nós estamos aqui pra você, meu gracinha. Nós sempre vamos estar. - Eu falei baixinho no ouvido dele.
Ele enterrou o rosto nos meus cabelos e respirou profundamente. Meu pai deu um passo em nossa direção e deu dois tapinhas nas costas dele, com aquele jeito de quem mandava em tudo mas que, no fundo, era um manteiga derretida pelo genro.
- Vamos nos sentar e conversar. - Meu pai chamou e o Anderson me soltou com cuidado.
Um a um ele recebeu os abraços que estavam ali esdperando por ele. Nós ainda não sabíamos o que era, mas todos nós tínhamos certeza de que não podia ser bom.
- Por que a sua mãe não me atendeu, Anderson? - O tio Rubens perguntou assim que nos sentamos.
- Talvez porque ela saiba que você vai dizer tudo o que eu não disse. - O Anderson soltou uma expiração pesada e magoada. - Ela vai morar com o namorado.
- Ah, não, Gracinha, você não pode estar chateado porque ela vai morar com o Sr. Ary. Isso não pode ser ciúme ainda! - Eu não conseguia pensar em mais nada com aquele fragmento de informação.
- Giovana Maria, o que eu te ensinei sobre conclusões preciptadas? - Meu pai perguntou muito sério e eu percebi que tinha sido imprudente.
- Desculpa. - Eu abaixei os olhos, mas o Anderson me puxou mais para perto.
- Tudo bem, Gi. Mas não, não é ciúme. É que a minha mãe vendeu a nossa casa e nos reuniu hoje para que assinássemos os papéis. Ela se muda no sábado. - Ele explicou mais um pouco e eu comecei a entender que o problema era a casa.
- A sua mãe vai vender a casa porque vai morar com o namorado? Por quê? Você concordou com isso? Quer dizer, o Ary parece uma boa pessoa, mas a casa é um patrimônio que o pai de vocês deixou, é uma segurança para vocês. Vocês vão morar com ela, imagino, mas não é melhor alugar a casa? E se algum de vocês não se adaptar com o Ary? - O tio Rubens começou a conjecturar e o Anderson o encarou muito sério e com os olhos muito tristes.
- Eu não tive escolha Rubens. Ela já tinha decidido tudo e me botou no meu devido lugar, o de filho que não fez nada demais, nada além do que seria esperado de um bom filho. - Havia muita dor nas palavras do Anderson, isso eu sabia.
- Como não fez nada demais? Só o que um bom filho faria? A sua mãe enlouqueceu? - O tio Rubens se levantou de um pulo, estava até com a veia do pescoço saltando de raiva.
- Não, ela está bem segura de tudo. - O Anderson se recostou no sofá e fechou os olhos, pareceu repassar tudo o que tinha acontecido naquele almoço, e quando os abriu de novo, eles estavam brilhando com a tristeza que ele se esforçava em esconder.
- Por que a sua mãe vai vender a casa, Anderson? Eu conheci o Ary e ele parece um homem de princípios. Além do mais, ele tem a própria casa e eu tenho certeza que não precisa que a sua mãe contribua com nada. - Meu pai perguntou calmamente.
- Não ele não precisa e parece que não concorda, mas a opinião dele parece não ter contado para a decisão dela também. Resumindo, a minha mãe acha que a casa é totalmente dela por alguma régua de justiça que ela criou alegando que se sacrificou por nós três sozinha, que nunca teve nenhum tipo de ajuda. - O Anderson explicou.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...