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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Havia uma mágoa nos olhos do Anderson que deixava o meu coração pesado. Tudo o que eu queria era poder tirar dele aqueles sentimentos dolorosos e a sensação de ter sido descartado quando não era mais útil, mas eu não tinha idéia do que fazer.

Mais uma vez foi impossível não me sentir estranha por tudo ser mais fácil para mim do que para ele. Eu não tinha feito nada para merecer tudo o que eu tinha, meus pais apenas me deram, enquanto o Anderson merecia muito mais do que a vida estava dando a ele. Doía nos meus ossos perceber que, para o mundo, a minha facilidade era "sorte", mas o sacrifício dele era apenas "obrigação". Eu engoli o choro, ele precisava de apoio, não se preocupar em me consolar.

- Chega de lamentar o leite derramado! A sua mãe tomou a decisão dela e você a sua, Anderson. Eu admiro muito a sua coragem. - O meu pai sentenciou, levantando-se e batendo as mãos nas coxas. - Anderson, você e a Bianca não vão ficar naquele apartamento sozinhos e com a geladeira vazia na primeira noite. As meninas me ajudam a preparar o jantar. Bóris, vai buscar a Bianca e o Rui. Estamos invadindo a sua casa, Gi, e ninguém sai daqui com fome ou com o coração apertado.

O Anderson abriu a boca, pronto para um daqueles discursos sobre independência e não querer incomodar. Ele passou tanto tempo carregando o mundo que desaprendeu a ser cuidado. Eu o silenciei com um selinho rápido, antes que o orgulho dele expulsasse a ajuda que ele tanto precisava.

- Não precisa buscar a Bi, eu já mandei mensagem para o Rui e eles estão vindo para cá. - Eu avisei e vi o sorriso orgulhoso do meu pai, aquele que ele dava quando percebia que tinha feito um bom trabalho. - E a minha casa, pai, sempre vai caber todos vocês! - Eu joguei um beijo para o meu pai e depois cheguei bem perto do ouvido do meu namorado: - Não adianta, Gracinha, aceita, você é nosso. E ponto final. Minha casa é a sua casa. Sempre vai ser! - Eu sussurrei para ele e o abracei, oferecendo tudo naquele abraço, principalmente conforto.

A partir daquele momento, o meu apartamento virou um formigueiro. Meu pai assumiu o comando da cozinha como nos velhos tempos neste apartamento, a Hana, a minha tia e a minha mãe dividiam as tarefas de "auxiliares" do meu pai entre risadas e comentários debochados sobre o meu pai se achar um grande chefe de cozinha. O barulho do Bóris brincando com os gêmeos no tapete e as risadinhas fofas que eles davam ajudava a quebrar o peso da trsiteza que acompanhava o Anderson. Enquanto o tio Rubens de um lado e eu de outro nos certificávamos de que ele estava seguro e que ficaria bem.

A campainha tocou e o Rui entrou trazendo a Bianca. Minha cunhada estava com os olhos vermelhos, mas assim que viu a mesa posta e o meu pai de avental, ela parou no meio da sala.

- O que é isso? - Ela balbuciou, olhando para o Anderson, com aqueles grandes olhos abertos.

- É o nosso quartel-general, Bi. - Eu respondi e caminhei em direção a ela para puxá-la em um abraço. - Obrigada por ter ficado ao lado do meu Gracinha. - Eu falei baixinho enquanto a abraçava.

- Eu nunca vou deixá-lo. Eu reconheço cada sacrifício que ele fez por mim. - Ela respondeu bem baixinho pra mim e suspirou. Ela estava triste, ela também se sentia descartada.

- Eu sei que você tem a sua família lá, mas você sabe que também tem um lugar para você nessa família aqui, não é?! Uma coisa não exclui a outra, mas saiba que você conta com todos nós, com o nosso apoio e o nosso carinho. - Eu garanti a ela e senti as lágrimas quentes no meu ombro.

- Ai, Gi! Eu te amo, como uma irmã! - Ela desabou no meu abraço e eu a segurei, deixei que ela chorasse, que colocasse pra fora. E quando me dei conta, eu estava chorando com ela e o meu pai estava segurando a nós duas no abraço.

- Vai passar, Bi. Às vezes as coisas saem do roteiro mesmo, mas passa. Daqui a pouco isso vai ser só uma lembraça ruim. Só aceita que vocês têm uma família aqui também e que nós vamos cuidar de vocês. - Meu pai falou com ela com aquela voz reconfortante.

- Quer dizer que você também vai trabalhar no bar, hein?! - A Hana se aproximou da Bianca e abriu os braços para ela.

- Deus me ajude! Não sei se o bar está preparado para a dupla dinamite. - O Anderson balançou a cabeça e eu nem podia dizer que a preocupação dele não era real.

- Se uma já dava trabalho para você controlar, Anderson, nem quero imaginar o que essas duas vão aprontar no salão. - Meu pai estava soprrindo e arrancou uma gargalhada geral.

Foi o gancho perfeito, no segundo seguinte estavam todos rindo e imaginando as confusões que a Bianca e eu aprontaríamos no bar.

- Você não tinha me contado. - A Bianca comentou.

- Era uma surpresa, Bibi. Mas eu vou copntinuar te levando e trazendo da faculdade e te levando e buscando do trabalho. - Ele puxou a namorada para um abraço.

- Ah, você é tão fofo! - Ela se derreteu no abraço dele.

- Você sabe que nós estudamos no mesmo lugar e vamos trabalhar no mesmo lugar, não sabe, Rui? Você não precisa oferecer o serviço de transporte. - O Anderson dalou.

- Não é serviço de transporte, é só um jeito de ficar mais tempo com a minha namorada. - O Rui sorriu cheio de si. - E você não vai me tirar esse prazer cunhado.

- Não... longe de mim. - O Anderson deu um sorriso genuíno. - Gosto de vocês dois juntos. Você faz bem pra ela.

- Vocês vão todos dormir aqui hoje, não é? - Eu perguntei animada com a possibilidade de ter os meus primeiros hóspedes.

- Não, Ferinha, minha irmã e eu vamos para a nossa nova casa, precisamos nos acostumar. - O Anderson se levantou, acabando com a minha idéia.

- Poxa, Gracinha, eu queria tanto que você ficasse comigo hoje. Eu quero poder te mimar um pouquinho. Até agora eu te dividi com todo mundo... - Eu reclamei manhosa e ele sorriu pra mim, completamente dividido entre ficar comigo e fazer o que ele considerava a coisa certa que era ir para a sua nova casa com a irmã.

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