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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

O Anderson e eu encontramos o Rui perto da entrada do nosso prédio na faculdade. Ele tinha um brilho diferente nos olhos, uma postura mais ereta e o sorriso de quem tinha o mundo na palma das mãos.

- Espero que a minha irmã esteja bem, Rui, ou eu arranco esse sorrisinho dessa sua carinha de bom moço. - O Anderson brincou e o sorriso do Rui ficou maior.

- Ah, cunhado, não se preocupe, a sua irmã está muito bem. Eu a deixei na sala de aula agora há pouco e ela estava sorrindo. - O Rui disparou confiante.

- Rui, eu quero ter uma conversinha com você depois sobre... - O Anderson parou de andar e se virou para o Rui medindo as palavras. - A experiência que a minha irmã acha que tem.

- Vai ser um prazer ter essa conversa com você, Anderson. Mas pode ficar tranquilo, eu respeito a Bibi e estou indo devagar, do mesmo jeito que você com a sua Ferinha. A experiência que a Bibi acha que tem, não significa nada pra mim, Anderson. - O Rui falou com seriedade, olhando nos olhos do Anderson e sem gaguejar. E se eu conhecia o meu Gracinha, ele estava impressionado.

- E aí, estranho, quem é você e o que fez como o meu amigo tímido e inseguro? - Eu brinquei quando o Rui e eu entramos na nossa sala, ajeitando a alça da minha mochila sobre o ombro.

- Ah, Gi, quem tem Flávio Moreno como conselheiro não pode ser tímido e inseguro. - O Rui respondeu com o seu novo sorriso confiante.

- Como foi a sua noite cuidando da Bi? E não adianta tentar ocultar nada, eu quero os detalhes sórdidos! Sabe como é, a gente sempre pode aprender um truque novo. - Eu fui direta, queria saber tudo mesmo e não ia fingir que não.

O Rui riu, um riso cheio de confiança que me animou ainda mais.

- Eu não vou contar os detalhes sórdidos para você, mas digamos que o delegado é um mestre na arte da estratégia, Gi. Ele me ensinou que atitude não pede licença. E a Bianca... bom, ela parece ter gostado do que eu aprendi.

- É... pelo tamanho do seu sorriso eu imagino. O Flávio sabe das coisas mesmo. Mas não se preocupa, a Bi vai me dar cada detalhe do que você aprontou. - Eu dei uma piscadinha para ele.

- E você? - O Rui me encarou, mais sério. - Vai insistir em se meter no juri simulado do Anderson por causa da Maya?

Eu me sentei e dei o meu melhor e mais inocente sorriso para o Rui.

- Rui, meu amigo, eu não vou me meter em nada! Apenas vou aproveitar uma oportunidade de ampliar os meus conhecimentos acadêmicos. E também vou seguir os conselhos que o meu BFF me deu, como você mesmo disse, ele é um mestre na arte da estratégia.

- Isso não vai prestar. - O Rui tirou o sorriso do rosto e balançou a cabeça.

- Aprende, Rui, eu não desisto de nada. Principalmente quando tentam me tirar o que é meu... e op Gracinha é meu!

O Rui não se aguentou, soltou uma gargalhada e balançou a cabeça.

- É verdade. Eu me esqueci com quem eu estava falando. Lembra na escola? Aquela nossa colega, a outra Maya? Ela viveu para te infernizar e acabou saindo da escola chorando. Parece que tem sempre uma "Maya" no seu sapato, Ferinha.

- Pois é, aquela coitada da escola quase se deu mal tentando me prejudicar e eu nem precisei fazer nada... eu nunca mais soube dela...

- Ah, eu soube, ou melhor, minha mãe... os pais dela se separaram e ela deu uma pirada depois de tudo. Arrumou um namorado, engravidou, o cara sumiu e ela repetiu de ano na escola.

- Que triste! Ela era uma das melhores alunas da sala. - Eu olhei para o Rui e ele deu de ombros ao mesmo tempo que suspirou, como se também não entendesse essa reviravolta.

- É, minha mãe diz que foi reflexo de tudo, os pais nunca ligaram muito pra ela... sabe aquela coisa de dar tudo o que o dinheiro pode comprar e esquecer do afeto e do apoio emocional? Pois é, parece que foi isso. Ela tentou chamar a atenção deles sendo uma aluna brilhante, não deu certo e ela tentou de formas menos saudáveis. - O Rui olhou pela janela. - Nós temos sorte, Gi!

- É, temos... e você às vezes parece ser um idoso se fingindo de jovem adulto. _ eu brinquei e ele riu. - Mas essa Maya daqui quem vai resolver com ela sou eu mesma e se ela não aprender depois desse juri simulado, eu não tenho problema nenhum em ressuscitar a "Giovana Track-track" e quebrar alguns ossos dela.

- Por isso, profe, eu fiquei pensando que, como o professor Antunes é seu amigo e pelo que o Anderson fala é muito comprometido com os alunos, talvez você possa fazer uma "colaboração constitucional" no juri simulado, envolver a nossa turma no trabalho, pontuar a participação... - Enquanto eu argumentava com os professores a idéia de juntar as duas turmas para aquele trabalho, eles foram ficando cada vez mais interessados e eu tinha certeza de que com a ajuda da minha professora eu conseguiria entrar naquele juri.

- Como a gente não pensou em fazer isso antes, Antunes? - Minha professora perguntou meio impressionada com tudo o que eu tinha dito.

- Eu só tenho uma pergunta pra você, Giovana: o seu futuro é a advocacia, não é? Porque você fez uma sustenção oral com argumentos, fatos e embasamento técnico. - O professor Antunes parecia impressionado.

- Professor, a minha vocação é a investigação, mas eu tenho a mente aberta e quero explorar as possibilidades. Por isso, eu quero o lugar que a lei garante para a família da vítima: assistente de acusação. E eu acho que isso enriqueceria o debate para toda a turma.

Sem saída diante de dois argumentos que eu apresentei e da pressão que a minha professora fez silenciosamente, ele deu um sorriso e cedeu.

- Eu gosto do seu jeito, você não espera acontecer. - O Professor elogiou. - A vaga é sua. Estamos de acordo, Helena? - Ele perguntou e a professora sorriu animada. - No intervalo eu te passo os detalhes. Acho que nós vamos precisar do auditório... - O professor Antunes saiu animado em direção a sala do Anderson.

Eu tinha conseguido! Estava dentro do juri simulado. Valendo nota. E o melhor: agora era uma parceria entre as cadeiras de penal e constitucional. A Maya não podia mais me tirar dali sem causar um incidente diplomático entre os departamentos que envolveria toda a faculdade.

Quando deu o horário do intervalo, eu ainda estava radiante. Eu precisava contar para o Anderson. Mas, ao chegar no pátio, meu sangue congelou.

O Anderson estava de costas, debruçado sobre uma bancada, distraído com uns papéis. Eu vi a Maya se aproximar como uma sombra por trás dele. Ela deslizou as mãos pelos olhos dele, tapando sua visão. O Anderson sorriu. Um sorriso relaxado, de quem reconhece as mãos que fecham os seus olhos.

Ele falou alguma coisa e ela deu um sorriso de vitória, enquanto ele se virava para envolver a cintura dela. A Maya não perdeu tempo. Ela se inclinou, quase colando os lábios nos dele. Meus olhos arderam. Eu virei as costas antes de ver o beijo acontecer. Eu não ia dar aquele espetáculo para ela, porque no fim eu seria expulsa se a agredisse. Eu a pegaria, mas fora da faculdade.

No entanto, eu sabia que tinha alguma coisa errada naquela cena, o meu Gracinha jamais faria aquilo comigo, ele não me trairia, muito menos ali, na frente da faculdade inteira. Mas antes que eu desse um passo para longe dali o Rui agarrou o meu braço e me impediu.

- Espera, Gi. Olha direito. - O Rui falou com a voz baixa e urgente e eu me virei.

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