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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

O silêncio dentro do carro após a minha confissão era quase constrangedor, fazendo com que eu me afundasse no banco. Eu esperava que a me observava como quem compreendesse exatamente o que eu estava sentindo. Ela esticou a mão e apertou a minha, que ainda agarrava o volante como se fosse um bote salva-vidas.

- Gi, a primeira vez não é sobre perder algo, é sobre ganhar uma nova forma de se conectar com o seu parceiro, é muito mais sobre confiança do que sobre controle. Além do mais, o Anderson não se apaixonou por um "ideial de pureza", ele se apaixonou pela garota que voltou da Irlanda com o cabelo verde mal cortado, agindo feito uma desvairada, mas que se reencontrou e se tornou alguém muito especial e única. Ele se apaixonou pela sua alma, Gi. O sexo... o sexo é só a alma transbordando pelo corpo.

Ela fez uma pausa, deixando as palavras assentarem.

- E sabe, nós duas estamos no mesmo barco, eu com medo de dizer ao Fofinho que quero tentar de novo e você com medo de deixar rolar a sua primeira vez. Aquele rapaz te ama, Gi, como poucos homens são capazes de amar. Então, eu não vou te dar um conselho novo, eu vou te devolver as palavras que você mesma me disse: o Anderson "te ama. Ele ama a jornada com você, não só o destino final."

- Tia, eu não duvido do amor do meu Gracinha, eu só... tenho medo que a gente se perca. E eu não sei como controlar isso. - Eu olhei para a minha tia com os olhos marejados.

- Isso não vai acontecer, querida. E sobre o controle? Deixa eu te contar um segredo: o verdadeiro controle é saber em quem você confia o suficiente para soltar as rédeas. Se você sente que o Anderson é essa pessoa, então vocês não vão se perder. Vocês vão se encontrar um no outro.

Aquelas palavras foram como um bálsamo. Eu respirei fundo, sentindo o nó no meu peito afrouxar um pouco. Eu ergui a cabeça e sorri para a minha tia. Ela me mostrou que a resposta estava dentro de mim o tempo todo e que o meu medo era só o medo do desconhecido. Eu me joguei nos braços dela, grata por ela estar ali comigo.

- Quando você se sentir pronta, não será porque a Maya te pressionou, mas porque você se tornou a dona da sua própria entrega. Aprenda a escolher o que te faz feliz!

Eu me afastei do abraço dela para encará-la nos olhos.

- Obrigada por isso, tio Rúbia!

- Agora... - Ela abriu a porta do carro com um estalo decidido. - Vamos entrar naquela loja e encontrar o seu perfume novo. Porque quando você der esse passo, não vai ser cheirando a algodão-doce. Vamos achar o cheiro de quem sabe exatamente o poder que tem.

Eu comecei a rir e saí do carro. Nós caminhamos pelo shopping. A cada vitrine de grife que passávamos, eu sentia um aperto estranho no peito.

Nós paramos em frente à fachada de vidro minimalista da perfumaria de nicho, o lugar dos perfumes mais sofisticados. O ar lá dentro era climatizado, cheirando a riqueza e a possibilidades infinitas. Aquele lugar não vendia perfumes, vendia personalidade em garrafinhas decoradas.

Eu olhei para o meu reflexo no vidro e, por um segundo, vi a imagem do Anderson trabalhando noite após noite no bar do meu pai, se desdobrando para fazer o melhor para a família, tentando cuidar de todos enquanto não cuidava de si mesmo. E enquanto ele se preocupava com as coisas práticas e necessárias da vida, eu estava prestes a comprar um perfume caríssimo só porque uma fulaninha copiou o meu cheiro para roubar o meu namorado.

- Tia... - Eu estava congelada diante da vitrine do lado de fora da loja. - Isso tudo... um perfume desse nível, não é futilidade demais?

Minha tia, que estava quase entrando na loja, parou e me olhou, curiosa.

- Do que você está falando, Gi?

- Nós estamos buscando algo mais exclusivo. - A tia Rúbia tomou a frente. - Nada de baunilha comercial, ou tipo esse doce. - Ela me empurrou para a vendedora que sorriu. - Queremos algo que tenha presença, mistério e uma fixação que dure uma vida inteira.

- E esse poder todo é para você? - A vendedora me encarou com um sorriso amigável e eu fiz que sim.

- É que o meu perfume já não combina mais comigo. - Eu respondi com firmeza. - Eu quero algo inesquecível, algo que eu não precise abrir a boca para que saibam quem sou eu... algo que grite que eu sou a única e que não adianta tentar me copiar.

- Entendo perfeitamente. - A mulher assentiu e buscou um frasco rosado, pesado, com detalhes em ouro. - Este é o "Guidance" da "Amouage". - Ela explicou, borrifando em uma fita de seda. - Ele abre com pera e avelã, mas o que fica é o olíbano e o sândalo. É um perfume que projeta autoridade, é o cheiro de uma mulher que não pede desculpa por existir e que comanda qualquer ambiente, não de uma garota que vai para a balada. - Ela sorriu para mim como uma cúmplice que tinha entendido exatamente o que eu precisava.

Eu levei a fita ao nariz. O impacto foi imediato. Não era apenas um perfume. Era uma declaração de autoafirmação. Era denso e amadeirado, sofisticado e absurdamente sensual, quase proibido, mas de um jeito que impunha respeito. Tinha a doçura da garota que o Anderson conhecia, mas a força da "Ferinha" que não mandava recado. Era o cheiro da mulher que o Anderson descrevia quando dizia que eu era "da pá virada".

Eu senti uma onda de eletricidade percorrer minha espinha. Era como se aquele aroma fosse uma poção mágica e estivesse me revestindo, trocando a minha pele de "menininha" por algo muito mais... adulto e sedutor.

- É este. - Eu sussurrei completamente enfeitiçada por aquele cheiro, sentindo o peso do cartão de crédito na bolsa, mas, dessa vez, sem a culpa, porque quando eu senti o cheiro daquele perfume eu entendi o que a minha tia me disse fora da loja sobre vestir o perfume com a minha personalidade. E se eu queria mesmo ser a mulher da vida do Anderson, eu precisava parar de pedir desculpas por ser quem eu era.

Depois da loja de perfumes, minha tia e eu perambulamos mais um pouco pelo shopping. Depois eu a deixei no estúdio e corri para casa, eu tinha um almoço para preparar e um namorado para deixar sem fôlego.

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