"Anderson"
Depois que me fez desabar e me dar um último beijo, a Giovana tomou uma ducha rápida e saiu do banheiro dizendo que me esperava na cozinha. Eu ainda precisava me recuperar e talvez ela soubesse disso.
Eu estava encostado na parede fria do box, com a água agora morna escorrendo pelo meu corpo, mas a sensação térmica na minha pele ainda era de um incêndio fora de controle. O choque térmico eu não sentia na pele, eu sentia na alma, como se a minha Ferinha tivesse me arrancado de um lugar gelado e me incendiado. O silêncio que ficou no banheiro depois que a Giovana saiu era quase ensurdecedor. Minhas pernas ainda tremiam levemente, e meus pulmões pareciam ter esquecido como funcionavam direito.
Eu tinha entrado ali para esfriar minha cabeça e meu corpo, para manter a minha atitude de homem que sabe esperar o momento certo, que respeita o tempo da sua mulher. Mas a Giovana... ela não apenas quebrou as regras de novo, ela bagunçou todas as cartas sobre a mesa e me deixou completamente atordoado. Ela não apenas invadiu o meu banho, ela demarcou umnovo território em mim.
Eu passei a mão pelo rosto, tentando organizar os pensamentos. A imagem dela ajoelhada, nua sob a água, com aquele olhar de quem sabia exatamente o poder que tinha sobre mim, estava gravada a ferro e fogo em minha mente. Eu nunca vi nada mais sexy e irresistível que aquilo. Ela não tinha apenas me dado prazer, ela tinha reivindicado algo em mim que eu nem sabia que estava disponível para ser reivindicado. E aí ela me lembrou, ela tem todo esse poder sobre mim e é ela quem dita o ritmo. Ela tinha acabado de estabelecer uma nova ordem.
- Droga, Anderson... - Eu murmurei para o nada, soltando um riso incrédulo. - como pode? Você é um cara experiente...
Mas isso era só o que eu achava. Eu achava que era o veterano experiente, o cara que tinha que conduzi-la com cuidado, mostrar o caminho. Mas hoje, quem deu a aula foi ela. E que aula! O gosto do beijo dela mistarado com o meu ainda estava na minha boca, o rastro do perfume novo... não, aquilo não era um perfume, era um feitiço tentador. Aquele cheiro denso, proibido, que gritava poder e atitude, parecia ter se fundido ao vapor do chuveiro e estava em cada partícula de ar que eu respirava.
Eu saí do banho e me sequei rápido. Eu precisava vê-la. Precisava entender quem era essa nova Giovana que abriu a porta para mim hoje, essa Giovana que chegou quebrando tudo e me colocando de joelhos por ela de um jeito que nunca tinha sido. Essa Giovana que tomou posse de mim de uma forma que eu nunca pensei. Eu sempre a amei, desde o início, mas era um sentimento calmo e tranquilo. No entanto, nos últimos meses isso vinha se transformando em algo mais maduro, mais intenso, assim como ela se transformou. Eu me vesti depressa e caminhei para a sala.
O impacto foi imediato. A visão da Giovana me parou. Ela estava sentada, elegante naquele conjunto de tricô avelã, com um par de saltos que a deixavam com pernas quilométricas e uma postura de quem acabava de dominar o mundo... o meu mundo. Ela não era mais a garota que eu conheci. Ela era uma mulher que sabia muito bem o que queria e, para minha sorte, ela me queria.
- Esfriou a cabeça no banho, Gracinha? - Ela perguntou com aquele sorriso confiante de quem sabia exatamente que o banho nao era mais suficiente para "esfriar a minha cabeça".
Eu parei a dois passos dela. Totalmente desarmado. Eu inspirei profundamente, sentindo o perfume dela invadir os meus sentidos.
- Esse cheiro... - Eu murmurei, a voz um pouco rouca. - Não é você... quer dizer, é a versão de você que eu não estava preparado para enfrentar hoje.
Ela se levantou e ficou bem na minha frente, ajeitou uma mecha do meu cabelo, os dedos roçando a minha pele como uma provocação.
- Essa aqui, Gracinha, é a Ferinha que você evitou por muito tempo correndo para banhos gelados. - Ela deu um beijo rápido na minha boca, um encostar de lábios, e queimou com a necessidade que eu senti de j**a-la sobre a mesa ou prende-la contra a parede. - Me diz a verdade, Anderson, você quer a Giovana de antes de volta?
- Gi... - A minha voz saiu mais rouca do que eu pretendia. - Esse caminho não tem volta. E ainda que tivesse, a mulher que está na minha frente agora é tudo o que eu quero! Não foi só o perfume que você mudou... você mudou a nossa dinâmica, refinou a sua atitude. Eu gosto da minha Ferinha de agora ainda mais do que da "Ferinha algodão doce" e eu sou louco por ela.
Nós nos abraçamos, eu podia sentir o sorriso dela no meu pescoço. Ela tinha conseguido tudo o que queria e sabia.
- Eu mudei muita coisa, Gracinha. - Ela respondeu, os dedos brincando na minha nuca. - A menina ficou pra trás. Agora você tem que lidar com essa mulher que está aqui e que vai proteger o que é dela. E, dito isto, saiba que eu não pretendo deixar a Maya sair inteira desse juri simulado. Ela vai aprender a não mexer mais comigo e muito menos com o meu namorado!
Eu a olhei nos olhos e vi a estratégia. O brilho de quem já tinha um plano traçado e que não pararia até derrubar o inimigo.
- Você é um perigo, sabia? - Eu encostei a minha testa na dela, rendido.
- Sempre fui, só não quebro ossos mais, eu despedaço a dignidade... se bem que no caso da Maya eu vou ter que procurar a dignidade dela com lupa! - Ela revirou os olhos me fazendo rir. - O almoço está servido, Gracinha.
- Anderson! Tudo bem? - Ele cumprimentou rápido, mas seus olhos logo buscaram a Gi. - Gi, pelo amor de Deus, não me manda embora só porque o Gracinha está aqui, eu preciso da sua ajuda, você conhece os gostos da Raíssa, eu não posso fazer isso sozinho!
A Giovana riu, aquela risada gostosa que evidenciava as marquinhas na bochecha e que me desarmava.
- Calma, Boris. Vamos resolver. - Ela pegou a bolsa e se virou para mim. - Você me espera, Gacinha?
- Não, Ferinha, eu também tenho coisas pra fazer e preciso dar uma olhada na Bianca. O Rui começou a trabalhar hoje, eu quero ver se ela não colocou fogo no apartamento. - Eu respondi e dei mais um beijo nela. - Mas eu passo para te pegar para o trabalho.
Nós saímos do apartamento com o Bóris tagarelando sobre alianças e flores. No estacionbamento do prédio, ela me entregou as minhas chaves e me deu mais um selinho rápido, que deixou um rastro daquele perfume novo e absurdamente sexy brincando na minha cabeça, e saiu carregando o Bóris pelo braço.
Eu fiquei parado no meio do estacionamento, sentindo o rastro dela ainda no ar. Eu precisava falar com alguém. Alguém que entendesse que eu não estava mais lidando com a garota que eu jurava proteger. Eu peguei o celular e disquei para o Flávio.
- Fala, Gracinha. A Gi já implodiu a faculdade? - A voz do Delegado Moreno soou do outro lado, divertido e consciente da espoleta que era a minha namorada.
- Não, a faculdade ainda está de pé... mas eu, meu amigo, ela me colocou de joelhos.
- Opa! O que aconteceu? Vocês brigaram? - Ele mudou o tom, ficando em alerta.
- Aconteceu... - Eu suspirei, passando a mão pelo rosto e sorrindo feito um idiota para as paredes. - Aconteceu que eu perdi o controle da situação, meu amigo. A sua BFF não é mais uma "ferinha"... ela virou uma caçadora. Me encontra para um café? Eu preciso de um conselho de homem para homem, porque, honestamente... eu não sei mais como lidar com ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Pq está travado, não consigo ler os próximos capítulos, depois do 265 Que inclusive é a parte da giovana...
Por que o livro da Giovana e do Anderson está ficando em meio ao livro do Jose Miguel e da Eva. Ficou muito bagunçado isso...
Faltou apenas os três últimos capítulos completos, poderiam liberar ne?...
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...