"Giovana"
A semana parecia passar lentamente, como se pudesse ser medida em meses e não em dias. Eu sentia falta do Anderson vir para o meu apartamento, mas nós estávamos trabalhando no juri simulado na bilbioteca todas as tardes e à noite, depois do bar, ele me deixava em casa e ia para o apartamento dele.
Eu entendia o que ele estava fazendo, nos mantendo em antecipação, com aquele friozinho na barriga e a ansiedade de estasrmos juntos. Quem reclamou bastante disso foi o rui, que acabou tendo os planos com a Bianca frustrados. Pelo menos, nisso tudo, a Maya tinha sossegado um pouco e estava sendo menos insuportável, apesar de ainda dar aquelas indiretas desagradáveis.
Mas hoje eu estava animada, teria a companhia da minha mãe, era a noite do nosso jantar e eu estava bastante feliz em preparar algo por ela.
O aroma de manjericão fresco e molho de tomate caseiro preenchia o meu apartamento, trazendo uma sensação de paz que eu não sentia há dias. Eu estava preparando uma massa simples, mas que funcionaria bem com o vinho que eu tinha separado. Minha mãe gostava dessas coisas, massa e vinho. E ela disse que traria a sobremesa.
No momento em que a campainha tocou, eu estava colocando a última taça na mesa. Eu tinha aprendido com a Hana a fazer uma mesa posta decente e estava tudo lindo. Minha mãe merecia.
Eu abri a porta e dei uma boa olhada na mulher parada ali, ela ainda era tão jovem e linda! Estava arrumada como se fosse a um jantar importante e o sorriso no rosto dela era tão grande que evidenciava o quanto ela estava feliz por jantar comigo.
- Raíssa Fernanda, essa produção toda é para me ver ou para o Bóris desmanchar mais tarde? - Eu a provoquei, sabendo que ela ficaria sem graça.
- Não seja boba, Giovana Maria! - Ela estalou a língua e deu um sorrisinho travesso. - Isso é porque eu estou honrada em ter sido convidada por você. Mas tem o bônus do Bóris desmanchar tudo depois. Aliás, ele saiu com o Anderson. Ela passou por mim e me deu um beijo no rosto.
- É, fiquei sabendo que eles marcaram alguma coisa com o Flávio. - Eu respondi pegando a sobremesa das mãos da minha mãe e levando para a cozinha.
Nós jantamos com a minha mãe contando como o Rui estava fazendo sucessona farmacêutica com o seu jeito divertido e gentil de tratar as pessoas ele já tinha um fã clube lá. Eu temia que a Bianca não fosse ficar muito feliz em saber disso e quisesse conhecer as fãs pessoalmente. Depois do jantar nós nos sentamos no sofá com o resto do vinho.
- Você mudou o perfume. - Ela comentou, a voz suave, mas deixando claro que era muito mais do que uma observação, era o prelúdio de uma conversa delicada. - Combina com você, com tudo o que você está fazendo... para onde você está indo.
- Mãe, eu sei que você notou... - Eu sorri, servindo mais vinho nas nossas taças. - Muita coisa mudou esta semana, não foi só o perfume. Ele foi só um ajuste de personalidade.
- Já era hora. O antigo não combinava mais com você. Você cresceu, não foi? Está mais segura, não age mais no impulso... sabe o que quer. Seu pai te criou muito bem, ele te preparou para o mundo. - Havia um lampejo de melancolia no olhar dela.
- Vocês dois me criaram muito bem, D. Raíssa! - Eu a corrigi. - Você estava do outro lado do mundo, mão, mas você sempre foi muito presente.
- Eu deveria ter ficado mais perto, não deveria ter ficado tanto tempo no Japão.
- Mãe, foi o que tinha que ser! Você foi, eu fiquei com o papai e foi muito bom para todos nós. E agora você está aqui. É isso o que importa. Você ainda tem trabalho de mãe a fazer, ainda precisa me dar conselhos e me colocar na rota certa se algo der errado.
- Não vai dar errado. - Ela se curvou em minha direção e abaixou a voz, falando com um sorriso doce. - Eu não vou deixar!
Eu sorri para ela e olhei para a minha taça, eu realmente precisava de conselho.
- Mãe... eu vou viajar com o Anderson este fim de semana. - Eu soltei, tentando manter a voz firme, mas sentindo um frio na barriga.
Minha mãe sorveu um gole de vinho lentamente. Ela não pareceu chocada, se tinha uma coisa que era admirável nela é que elça não fazia drama com isso. Quando eu comecei a namorar o Anderson e as dúvidas foram surgindo, ela me aconselhava com naturalidade e partiu dela a ideia de me levar ao médico para que eu esdtivesse sempre preparada "caso as coisas acontecessem sem planejamento" como ela dizia. Ela apenas me olhou com uma serenidade que me deu vontade de abraçá-la e agradecê-la por ser assim e não fazer da perda da minha virgindade um grande drama.
- Você decidiu que é a hora, não é? - Ela deu um sorriso pequeno e cúmplice.
- É, ele sempre foi a pessoa certa. Eu me sinto pronta, mãe. Mas, ao mesmo tempo... eu sinto que estou deixando de ser uma pessoa para virar outra. Isso dá medo.
Ela esticou a mão e apertou a minha. Naquele simples gesto havia mais do que apoio, havia uma garantia de que o que quer que viesse ela estaria ali por mim.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...