Entrar Via

Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Anderson"

Eu nunca fui o tipo de pessoa que treme diante de desafios. Eu já tinha encarado coisas demais, desde quase cair em situações ruins para ajudar a criar meus irmãos até brigas no bar, mas o que eu ia fazer essa noite era inédito para mim e me fazia sentir como se estivesse prestes a desarmar uma bomba sem saber qual fio cortar.

Eu não entendia como o Bóris achava graça nisso, tanto que se ofereceu para me acompanhar, de acordo com ele, para dar apoio moral. Mas o apoio moral dele não me fez suar menos, tampouco evitou que eu sentisse o colarinho da camisa me sufocando.

- Você não deveria estar de folga, Anderson? Possivelmente corrompendo a minha filha com aquela conversinha açucarada? - O Rafael estava atrás da mesa no escritório do bar, analisando alguns relatórios. - E ainda trás o fofoqueiro junto?

- Eu estou aqui pela diversão que essa conversa vai proporcionar. E porque a Rai foi jantar com a Gi, um lance mãe e filha. - O Bóris revelou e eu passei a mão na testa, já imaginando que ele ia me deixar numa situação ainda mais delicada. Foi uma péssima ideia trazê-lo, ele era a versão masculina da Giovana, totalmente sem filtro.

- Resumindo, vocês foram dispensados e eu não fui convidado. - O Rafael soltou o relatório, se recostou na cadeira e nos encarou. - E vocês não tinham lugar melhor pra ir? Eu posso deixar o turno com você e ir pra casa, Anderson, Minha doida vai ficar muito feliz em me ver de volta tão rápido.

- Por mim, não tem problema, chefe, pode ir. Eu estou pronto para o turno. - Eu respondi prontamente e ele estreitou os olhos para mim.

- Eu sei que está. Você sempre está disposto a abrir mão das folgas. O que foi, brigou com a Giovana e precisa ocupar a cabeça? Isso é oficialmente a primeira briga do casal em anos? Se for, recomendo que você vá para o salão e fique bêbado. - O Rafael perguntou com um ar divertido.

- Eu não briguei com a Ferinha e não sei em quê ficar bêbado ajudaria se eu tivesse brigado. Eu respondi meio confuso.

- Não ajudaria em nada. Mas eu acho que seria engraçado te ver bêbado, sair da linha uma vez faz parte da juventude, Anderson. - Ele riu. Eles estavam sempre tentando me fazer "sair da linha".

- Já saí da linha, como você diz, uma vez chefe. Não foi bom, você conhece a história.

- É, conheço. Então me diz, porque você está aqui no bar no seu dia de folga e com essa cara de quem tem uma notícia ruim para me dar? - O Rafael perguntou e eu não tinha mais como enrolar, ele sabia que eu queria algo e que era importante, ele me conhecia há tempo demais.

O que tornava tudo mais difícil é que o Rafael não era apenas o dono do lugar em que eu trabalhava, ele era o pai da minha namorada e, principalmente, o homem que tinha me dado uma chance quando eu era apenas um garoto desesperado para conseguir sustentar a família. Eu o respeitava como um pai e, agora, eu estava ali para pedir algo que ia muito além de um banco de horas.

- Rafael, eu preciso de um favor. - Eu comecei, tentando manter a voz estável. - Eu queria pedir a folga deste fim de semana. De sábado e domingo.

O silêncio se prolongou por alguns segundos, aqueles segundos onde você consegue ouvir o próprio coração batendo e que são o suficiente para ouvir a outra pessoa gritando com você e te jogando para fora.

- Pelo visto é sério. Folga no fim de semana, Anderson? Você nunca pediu uma folga no fim de semana. - Ele arqueou uma sobrancelha, mas não havia raiva, apenas uma curiosidade afiada de quem me conhecia bem demais. - Você é o meu gerente. Meu homem de confiança. O bar é o seu território. Geralmente é você quem recusa as folgas de fim de semana. O que é tão importante para você me pedir isso agora?

Eu respirei fundo. Não adiantava inventar desculpas. Com o Rafael, a verdade era a única moeda que valia e a nossa relação sempre foi sincera, inclusive em relação ao meu namoro com a filha dele. Eu sempre respeitei os limites e as diretrizes dele, eu falei com ele antes de dar um beijo sequer nela, eu compartilhei com ele as ansiedades dela sobre amassos, eu esperei, como ele pediu e eu concordei que era o certo a se fazer.

E por mais que eu brincasse com ele sobre o assunto e fizesse piadas sobre ele ser um pai ciumento, agora era sério e eu não podia simplesmente ser discreto e manter tudo entre a Giovana e eu porque ele era o meu chefe e ele teria que me sar ou não a folga. E obviamente ele iria querer saber justamente porque eu nunca pedia folga. Então eu respirei fundo.

- Eu quero viajar com a Gi no fim de semana. Só nós dois. O que me leva ao fato de que ela também precisa de folga, mas isso eu mesmo posso resolver com as outras garotas e ajustar a escala. - Eu falei de uma vez, com firmeza e respeito.

O olhar dele mudou instantaneamente. A postura relaxou, mas o peso da conversa, a seriedade, aumentou. Ele se inclinou para frente, cruzando as mãos sobre a mesa.

CASAL 2 - Capítulo 62: Respeito e honestidade 1

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe