"Giovana"
O problema com a Maya na terça feira me rendeu uma noite tão especial que eu não me importaria de arrumar uma encrenca por dia naquela faculdade, só para que o meu Gracinha me compensasse com noites como aquela.
E na quarta eu cheguei à faculdade pronta para enfrerntar a Maya de novo, achando que ela estaria tão furiosa que não me deixaria em paz, mas ela faltou à aula. No entanto, eu parecia ser o assunto da semana e passei a receber mais atenção do que gostaria, os olhares nos corredores oscilavam entre admiração pela "vencedora" e aquela fofoca velada de quem ainda processava o barraco. Eu tentei ignorar tudo, eu estava ali focada em aprender... e manter as vacas longe do meu Gracinha.
Na noite de quinta feira, aproveitando a minha folga, eu convidei a minha mãe para jantar novamente no meu apartamento. Eu queria compartilhar com ela o quanto eu estava feliz, o Anderson estava me fazendo flutuar, e, estrategicamente, o Boris precisava de tempo e da ajuda do Anderson no bar para terminar os preparativos do pedido de casamento. Era o plano perfeito: uma noite de garotas enquanto os homens planejavam o futuro. Ou melhor, executavam o que eu tinha ajudado a planejar.
- Mãe, você está muito calada e mal tocou no risoto. E olha que eu caprichuei no parmesão, do jeito que você gosta. - Eu observei, servindo mais vinho na taça dela. Como o Flávio dizia, "no vinho está a verdade", não custava nada ajudar a soltar a língua da D. Raíssa.
Minha mãe, geralmente inabalável e mais sensata do que qualquer outro membro dessa família, parecia completamente fora do seu padrão. Ela tamborilava os dedos na mesa, os olhos perdidos em algum ponto da parede e respondendo com monossílabos enquanto eu falava como se tivesse engolido um rádio ligado.
- Desculpe, Gi. Acho que é o cansaço acumulado, nós temos tido muito trabalho na farmacêutica. - Ela respondeu baixo e se voltou para o prato, mas quando o cheiro do queijo subiu, ela desviou o rosto com uma careta de repulsa que me fez lembrar da Hana e os seus enjôos de gravidez. - Hum, acho que esse queijo não está bom.
- Sei... o queijo não está bom, você está cansada, pálida como se não tivesse uma gota de sangue no corpo... está igualzinho a Hana ficou. Daqui a pouco eu vou achar que você está grávida. - Eu brinquei, dando um gole no meu vinho. - Imagina só? Eu ganhando mais um irmãozinho?! Essa família só fica melhor!
Eu ri, esperando que ela revirasse os olhos e fizesse algum comentário sarcástico sobre a idade. Mas o silêncio que se seguiu parecia mais barulhento do que uma resposta afiada. O garfo dela caiu no prato com um barulho seco. Ela me olhou e, pela primeira vez na vida, eu vi pânico real nos olhos do minha mãe.
- Giovana... não brinca com isso! - Ela respirou fundo e cobriu o rosto com as mãos. - Eu estou atrasada. Tipo, muito atrasada. E eu nunca atraso. Eu acho que posso estar entrando na menopausa precoce e...
- Menopausa? - O riso morreu na minha garganta. - Mãe, você é jovem demais para estar na menopausa, mal fez quarenta. É mais fácil você ter se descuidado...
- Uma única vez, Giovana! Uma única vez! - Ela respondeu frustrada e eu quase ri. - Um descuido ridículo. Uma adolescente faria melhor do que eu! - Ela se levantou e começou a andar de um lado para o outro.
- Mãe, se desesperar não vai resolver nada. Você já fez um teste?
- Eu nem tive coragem! A Rúbia está desesperada tentando engravidar e logo eu, que não queria ter outro filho, posso estar grávida. Imagina se eu aparecer com um positivo agora, eu destruo o coração da minha irmã. E o Bóris? Ele... ele anda tão estranho, distante, cheio de segredinhos, falando ao telefone às escondidas... eu acho que ele quer terminar comigo, Gi, e ele vai achar que eu fiz de propósito.
Eu tive vontade de rir, minha mãe não podia estar mais enganada. Eu tinha como acalmar o coração dela, mas se eu fizesse isso eu estragaria a surpresa do Bóris e eu tinha certeza que aquela surpresa era tudo o quer ela precisava agora.
- Mãe, para de tentar adivinhar as coisas! - Eu fui até ela e a puxei para se sentar à mesa de novo. - Primeira coisa, eu vou preparar um sanduíche pra você, porque com fome ninguém toma boas decisões.
- Eu não estou com fome. - Ela parecia uma adolescente emburrada com medo de ter engravidado do namorado. - Gi, o que eu vou fazer se eu estiver grávida?
- Como o quê? Você vai curtir a gravidez, ter um bebê lindo e criá-lo para ser tão incrível quanto eu! - Eu sorri para ela que estalou a língua, amolecendo um pouco com a minha brincadeira.
- Gi, eu não tenho mais idade para lidar com uma gravidez.
- Mãe, para de se tratar como uma senhorinha! Você é uma mulher jovem e incrível. Vai lidar muito bem com o que tiver que lidar. E pensa, mãe, você tem a mim, tem toda a nossa família para te apoiar. E eu duvido muito que o Bóris vá te deixar ou pensar que você fez de propósito.
- Gi, você não entende...
- Talvez não, mas eu sei o que fazer. A primeira coisa é parar de sofrer por antecedência porque quem morre de véspera é o peru!
Eu peguei o celular e fiz o pedido do teste de gravidez na farmacia. Enquanto esperávamos eu a fiz comer um sanduíche e assim que o teste chegou eu abri a caixa e li as instruções.
- Estou ótima! É que nós... - Eu olhei para a minha mãe, que parecia uma estátua de gelo enquanto o Bóris a abraçava. - Nós estávamos vendo um filme de terror e vocês chegaram bem na hora em que o monstro aparece. Vocês nos assustaram!
- Minha linda, você não deveria ver essas coisas. - O Anderson me abraçou e me deu um beijo na testa.
- Esse sorvete é de... - Minha mãe apontou para a mão do Bóris.
- De chocolate belga com cerejas amarenas do jeitinho que você gosta! - O Bóris mostrou o pote de sorvete para a minha mãe.
- Vamos para a cozinha, Gacinha? Preciso de ajuda com as taças. - Eu sugeri, puxando o Anderson pela gola. - E vocês dois, venham para a mesa. - Eu falei sobre o ombro para a minha mãe e o Bóris. Eu precisava evitar aquele sofá até tirar o teste de lá.
Enquanto tomávamos o sorvete, parecia haver um elefante enorme na sala. A minha mãe estava tensa, claramente nervosa demais e eu estava a ponto de contar tudo sobre tudo para todos, mas eu me controlei. E quando a minha mãe finalmente foi embora com o Boris, eu suspirei aliviada fechando a porta, mas o meu coração quase parou ao ver o Anderson voltar para a sala e se esticar justamente no canto do sofá.
- Finalmente sozinhos... - Ele falou abrindo os braços para mim.
Meu coração errou uma batida. Eu precisava tirar o Anderson dali. E eu sabia que, se ele encontrasse o teste escondido no sofá, ele contaria para o Bóris antes que a minha mãe pudesse decidir se realmente fugiria e teria o bebê num lugar remoto.
- Sabe o que eu acho, Gracinha? Eu acho que precisamos de um banho!
Eu me afastei da porta e sorri pra ele, abaixei as alças do meu vestido e deixei que ele caísse do meu corpo, ficando apenas de calcinha e sutiã. Era golpe baixo? Era, mas era um golpe bom demais para não ser aplicado. Eu me virei e fui caminhando em direção ao corredor.
- Giovana Maria, você ainda vai me matar! - O Anderson respondeu e eu ouvi os seus passos apressados atrás de mim. Eu disparei para o banheiro rindo. Na manhã seguinte eu jogaria aquele teste fora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Pq está travado, não consigo ler os próximos capítulos, depois do 265 Que inclusive é a parte da giovana...
Por que o livro da Giovana e do Anderson está ficando em meio ao livro do Jose Miguel e da Eva. Ficou muito bagunçado isso...
Faltou apenas os três últimos capítulos completos, poderiam liberar ne?...
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...