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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Anderson"

Eu já estava a meio do caminho de casa quando me lembrei do material de Direito Administrativo. Eu tinha uma prova importante e tinha deixado os meus resumos no apartamento da Giovana. Com a Giovana e a Bianca tendo ido bater pernas por aí, eu tinha uma tarde inteira sem muito o que fazer, era a chance perfeita de me trancar e estudar.

Pensando melhor, eu tinha uma tarde inteira para me preocupar, a Giovana e a Bianca saindo juntas, cheias de segredinhos, boa coisa não vinha por aí, elas iam aprontar. Eu girei a chave e entrei no apartamento silencioso. O cheiro da minha ferinha pairava no ar, eu fechei os olhos e respirei fundo. Como eu amava aquela encrenquinha e sentia saudade quando ela não estava por perto.

- Melhor manter o foco nos estudos, Anderson! Antes que você acabe num banho gelado... - Eu suspirei e fui direto para a mesa de jantar, mas não encontrei as apostilas. - Onde você meteu isso, Ferinha? - Eu resmunguei, começando a procurar nos lugares mais óbvios.

Eu vasculhei o closet, as estantes, o móvel da TV e, por fim, fui até o sofá. Às vezes ela estudava ali e os papéis acabavam escorregando para os vãos quando ela pegava no sono. Eu comecei a afastar as almofadas com pressa, a mente focada em não perder tempo. Mas, quando puxei a almofada do canto, não foi um papel que apareceu.

Um objeto pequeno, de plástico branco, deslizou para o chão e eu me abaixei para pegar, achando que fosse uma caneta ou um batom. Mas, ao virar o objeto na palma da mão, meu sangue pareceu virar gelo instantaneamente. Era um teste de gravidez. Com duas listras tão nítidas que pareciam brilhar no escuro. O pior dos cenários passou pela minha cabeça. Mas o que aquilo significava? Eu nunca tinha visto um teste desses, porque eu nunca precisei, nunca me descuidei, só aquela noite com a Giovana.

Eu precisava saber o que era, embora na minha cabeça já fizesse sentido, o estranho comportamento da Giovana e da Raíssa na noite passada, a tristeza nos olhos da Rai. O esforço da Giovana para me tirar do sofá... no fundo eu sabia a resposta, mas queria ter certeza. Eu peguei o celular e pesquisei rapidamente o que aquelas duas listras significavam. A resposta veio à jato:

"Duas listras rosa em um teste de gravidez de farmácia, mesmo que uma seja clara, positivo, significando que você provavelmente está grávida."

O sangue foi drenado do meu corpo e a minha alma pareceu escorrer pelo chão, minhas pernas ficaram tão moles que eu desabei no sofá e pos meus pulmões queimaram pela falta de ar.

- Não... não pode ser. - Eu sussurrei, sentindo a minha cabeça girar.

Minha mente deu um salto violento para a noite de terça-feira. A Giovana na minha casa, o desejo que nos consumiu... e o meu erro. Eu tinha falhado na proteção, pela primeira vez na minha vida. Eu tinha sido irresponsável com a mulher que eu amava. Isso era indesculpável. O Rafael me mataria... que nada... eu me mataria! Não eu não podia me matar, eu precisava cuidar da Giovana e do... bebê.

Eu já nem lembrava mais do material de estudo. As minhas mãos tremiam enquanto eu encarava aquele positivo. Na minha cabeça, a conta era simples e cruel: nós falhamos juntos, mas ela fez o teste sozinha. O teste estava escondido, o que significava que ela já sabia e não tinha tido coragem de me contar. Ela deveria estar apavorada.

Uma onda de culpa me atingiu como um soco. A Gi estava no melhor momento da faculdade, ganhando voz, ganhando espaço... ela estava se decobrindo. E agora isso? Por causa de um descuido meu? Não era justo com ela. E tudo o que eu poderia fazer era me responsabilizar pelo máximo possível e tentar evitar que ela perdesse algo por causa da gravidez não planejada.

Eu ouvi o barulho do elevador e o som da risada da Giovana no corredor. Ela estava chegando! E eu entrei em pânico. Ela não podia me pegar com o teste na mão e eu não podia confrontá-la sem processar aquilo primeiro, porque quando ela me contasse eu estaria inteiro para ela, como um homem, e não como um moleque assustado. E se ela escondeu, era porque precisava de tempo, e eu não seria o cara que ia pressioná-la e deixá-la ainda mais angustiada.

Eu enfiei o teste de volta no sofá e corri para a mesa de jantar, abrindo um livro qualquer, como se estivesse ali estudando calmamente e esperando por ela.

- Gracinha? - A Gi parou na entrada, surpresa ao me ver, nós tínhamos combinado que ela me ligaria quando chegasse. - Esqueceu alguma coisa?

- Eu só quero cuidar de você, Ferinha. - Eu respondi e isso era verdade. - Só quero que você fique bem. Descansada. Nutrida. Vou passar no mercado e comprar umas frutas. Frutas fazem bem à saúde.

- Anderson, tem fruta na geladeira. - Ela me segurou e colocou a mão na minha testa. - Não, você não está com febre. Mas isso deve ser o calor. Que tal um banho?

- Não ferinha, eu estou bem. Mas você deveria sim tomar um banho e descansar. - Eu insisti e ela deu um sorrisinho atrevido. - E eu preciso... estudar. Essa é a prova mais importante da minha vida.

- Ai, Gracinha, você é muito responsável. - Ela riu. - Está bem, vou deixar você estudar e vou tomar um banho. Depois eu vou me sentar e estudar com você, eu também tenho prova semana que vem. Mas antes de ir para o trabalho, Sr. Anderson Cavalcante, o senhor vai me dar um amasso de respeito... você não quer a que a sua namorada fique carente e faça o teste do sofá com o gerente do bar, quer?

Eu sorri para ela. Ela sempre tinha uma piadinha sobre "o gerente gostoso do bar", como se não falasse de mim mesmo.

- Não, minha Ferinha, eu estou aqui para tudo o que você quiser. - Eu respondi e a apertei no meu abraço.

Ela foi para o quarto e eu fiquei em pé ali, quase em transe. Eu precisava de um plano. Eu ia ser pai. O meu material de estudo agora parecia irrelevante perto da missão que eu tinha pela frente: ser o melhor suporte do mundo para a minha Ferinha, mesmo que ela ainda estivesse escondendo a maior notícia das nossas vidas de mim. E eu nem conseguia entender porque ela estava passando por aquilo sozinha.

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