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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Se o Anderson não fosse o homem mais pé no chão que eu conhecia, eu diria que ele tinha passado o fim de semana me enlouquecendo, me cercando com cuidados excessivos, como se eu pudesse quebrar. Ele estava surtando e entrando numa paranóia de que eu estava em risco de morte e ele tinha que me proteger de... bom, de absolutamente tudo.

- Gracinha, é só uma mochila com um caderno e um livro. - Eu disse, rindo enquanto ele praticamente arrancava a alça do meu ombro antes de sairmos do apartamento.

- Um caderno, um vade mecum, um notebook e todas essas coisas menosres que você coloca aqui, Ferinha. Essa mochila deve pesar uns cinco quilos. É peso desnecessário para a sua coluna. - Ele não cedeu, pegou a mochila e passou o outro braço pelos meus ombros, parecendo mais protetor que o normal. - E nada de escadas hoje. O elevador está funcionando perfeitamente, eu conferi com o zelador.

- O elevador sempre funciona aqui no prédio, Gracinha. Você está ficando preguiçoso é? - Eu ri, mas ele me olhava sério. - Não acredito, você perguntou mesmo para o zelador.

- É claro que eu perguntei. Eu me preocupo com a sua segurança.

Nós entramos no elevador e eu o encarei por um momento. Ele estava sério. Não era uma brincadeira.

- Anderson, você está me assustando. Desde ontem você está agindo como se eu fosse feita de cristal. O que está acontecendo? É o estresse das provas do fim do semestre que está te deixando paranoico?

- Eu não estou paranóico, Ferinha. - Ele disse, segurando o meu rosto com as duas mãos. Havia um brilho diferente nos olhos dele, ele estava me escondendo alguma coisa. - Eu só estou cuidando de você.

Eu engoli aquele "cuidado" excessivo, ele devia estar tenso com as provas e estava estravasando no excesso de cuidado. Era isso. Nós chegamos à faculdade e assim que entramos no prédio demos de cara com a Maya, eu esperava que a essa altura ela já tivesse se dado conta de que mexer comigo não era uma boa idéia, mas ela parou na minha frente, os olhos cheios de raiva.

- Parabéns, caloura, se escondeu atrás dos figurões e garantiu seu posto no juri simulado.

- Ah, já voltou, Maya? Que pena, a faculdade estava tão mais agradável sem você. - Eu respondi com a voz mansa.

- Olha aqui, Giovana, infelizmente eu preciso olhar para a sua cara até terminarmos esse juri simulado. Vai ser do seu jeito, ou melhor, vai ser do jeito que os seus figurões vão estabelecer para você... - Ela deu um passo em minha direção e o Anderson simplesmente entrou na frente.

- Se afasta, Maya! - AS voz dele soou furiosa e cortante. - Não se atreva a chegar nem perto da Giovana. Quando a vir suma. Nós vamos fazer o juri, mas eu já falei com o professor e ele tirou você da acusação. Vá conversar com ele e se informar sobre a sua nova posição. Mas eu não quero ver você a menos de vinte metros da Giovana! - Era um aviso frio e intimidador que ninguém ousaria questionar.

- Você fez o que Anderson? - A Maya gritou com a voz fina demais.

- É isso mesmo que você ouviu. A Letícia está assumindo o seu lugar. Depois do que aconteceu, não tinha a menor condição de continuarmos fazendo esse trabalho juntos. Agora some da minha frente! - A voz do Anderson era um comando firme, carregada de desprezo.

- Vocês vão me pagar por isso, Anderson! - A Maya sibilou e se virou, subindo as escadas batendo os pés ruidosamente.

- Anderson, só para que eu saiba, desde quando você se mete nas minhas brigas? Eu sou perfeitamente capaz de lidar com os meus desafetos e você sempre respeitou isso. - Eu perguntei e ele se virou para mim bastante sério.

- As coisas mudaram, Ferinha. A Maya é louca, eu não vou permitir que ela te ameace de novo e nem que tente te tocar. - Eles respondeu sério. Ele não estava bem.

- E quando você falou com o professor? Por que não me contou? Não que eu ache ruim, mas...

Aquele modo super cuidadoso do Anderson já estava me irritando, eu não era um torrão de açúcar prestes a pular em um copo d'água e se dissolver.

- Anderson, não é por nada não, mas onde está o meu café? - Eu perguntei olhando fixamente para o copo dele.

- Ferinha, você precisa consumir menos cafeína, não faz bem no seu... no seu organismo tanta cafeína.

- Sei e você leu isso em algum artigo científico muito sério tirado... das vozes da sua cabeça? - Eu perguntei irritada, me levantei, peguei o copo dele e coloquei o copo de suco em sua mão.

- Viu, tanta cafeína não está te fazendo bem. - Ele tentou tirar o copo de mim e eu mordi a mão dele. - Ai!

- Se afasta desse copo e não mexe com o meu café! - Eu me recostei e sorvi o café com um suspiro. - Anderson, só para, tá?! Eu sei que você está estressado com as provas, então vai para a academia e soca um saco de areia, mas para de me estressar com essa superproteção maluca!

- Ferinha, eu só quero cuidar de você. - Ele choramingou.

- Então seja o Anderson que você sempre foi. - Eu pedi e ele me encarou por um tempo longo demais enquanto eu tomaca o café e comia o sanduíche.

No final da aula o Anderson apareceu na porta da minha sala com uma rosa na mão e um pedido de desculpas. Ele não insistiu com o elevador quando fomos para a biblioteca e não interferiu nos meus embates com a Maya durante a nossa reunião. Mas o meu namorado não diminuiu o ritmo. Ele continuou com as preocupações e me tratando como se eu fosse um fino cristal. Não que ele não me tratasse bem e com todo o cuidado antes, mas agora tinha algo diferente, algo que eu não tinha idéia do que era.

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