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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Anderson"

Eu não consegui dormir direito. Toda vez que eu fechava os olhos, a frase que ouvi no corredor do bar, entre o barulho dos copos e a música alta, ecoava como um eco torturante na minha cabeça: "Só mais uns dias para anunciar que a família está crescendo". Eu não estava vigiando a Giovana, eu só estava passando pela porta do banheiro a caminho do escritório, foi impossível não ouvir com a porta entreaberta.

A Giovana tinha contado para a mãe. E, por algum motivo que eu não conseguia entender, eu estava sendo deixado no escuro, sendo tratado como um namorado que não tinha o direito de saber que seria pai. Eu não gostava disso, não gostava que ela não se sentisse segura para me contar algo tão importante. O que eu precisava fazer para que ela confiasse em mim?

Quando eu saí da cama, a manhã de domingo mal começava a despontar no céu e a Giovana estava dormindo profundamente. Eu fui para a cozinha, preparei o café da manhã e quando estava terminando de arrumar a mesa, a Giovana apareceu.

- Bom dia, Gracinha... - A Giovana estava com aquela carinha de sono que sempre me dava vontade de esquecer o mundo e apertá-la contra o meu peito. - Que cheiro bom!

Ela esticou a mão para pegar a minha caneca de café, mas eu afastei a caneca dela.

- Você anda tomando café demais, Ferinha, o cortisol faz mal para o sistema. - Eu avisei, colocando nas mãos dela um copo de suco verde.

- Grama batida, Anderson? - Ela me encarou meio emburrada.

- Suco verde, ferinha, é ótimo para a saúde. Vem, eu deixei iogurte natural, granola e mel pra você sobre a mesa, e frutas picadas. O que você acha de tomarmos o café da manhã juntos, comer uma coisa bem saudável para ter energia... - Eu a puxei para o meu peito e dei um beijo no topo da sua cabeça. - Hoje nós temos o almoço no seu pai, vai ser um dia longo.

- Iogurte natural, granola e mel? - Ela me olhou como se eu fosse louco. - O que aconteceu com o meu iogurte grego?

- Iogurte grego tem muito açúcar, Ferinha. Iogurte natural é muito melhor.

- Anderson, você mudou secretamente para o curso de nutrição? Ou está achando que eu estou gorda? Tem mais de uma semana que você parece o fiscal da vida saudável! - Ela reclamou, me encarando como se eu fosse um completo estranho.

- Eu só quero cuidar de você, Ferinha, em cada detalhe. Eu percebi que a vida é curta. Eu quero que você confie em mim, que confie que eu posso cuidar de você... que eu posso cuidar de nós. - Eu olhei nos olhos dela, procurando um traço de dúvida sobre nós, mas não havia.

- Gracinha, eu confio em você e eu sei muito bem que você pode cuidar de mim, aliás, pode cuidar de uma família inteira. Você só não precisa se preocupar tanto, nem se sentir pressionado ou obrigado a me proteger o tempo todo. Você não precisa se sobrecarregar assim. - Ela passou a mão pelo meu rosto com carinho. - Eu sedi que você foi o responsável pela sua família por muito tempo, sei que você está acostumado a cuidar dos outros, mas agora, meu lindo, você precisa respirar um pouco e viver um pouco mais a sua vida de forma mais leve, sem tanta sobrecarga. É justo que você aproveite um pouco a vida com as coisas e as preocupações naturais de um jovem solteiro. Aliás, é mais que justo.

Eu olhei para ela e talvez todo o dilema residisse nisso, talvez ela não tivesse me contado porque pensava que seria um fardo para mim e que, depois de tudo e todos os problemas com a minha mãe, ela pensava que eu precisava de um tempo sem me responsabilizar pelos outros. Mas não era assim.

- Gi... não. Eu sou o que sou. Eu fui forjado pela vida assim. Eu cuido dos meus e isso não é um fardo, isso é o que eu sei fazer. E você faz o meus dias mais leves e mais feizes desde que entrou na minha vida. Eu não preciso de tempo, Gi. Eu quero cuidar de você! Aliás, eu andei pensando.

Eu a levei para a mesa e a fiz sentar, me sentei na cadeira ao lado dela e segurei as suas mãos. Eu tinha algo importante para dizer.

- Pensando? Em quê? - Ela me olhou meio desconfiada.

- Anderson, se você me obrigar a beber aquela grama batida... eu nem sei o que eu faço com você! Mas se você não me der um café agora, eu vou pedir o divórcio antes mesmo de casar! - Ela brincou, me puxando para um beijo que quase me fez esquecer todas as preocupações do mundo.

É claro que eu cedi, eu era capaz de tudo por ela. Eu preparei o café, os ovos e sorri enquanto a via comer com apetite. No fundo, eu a admirava por ser tão forte, por conseguir sorrir e brincar enquanto carregava uma notícia daquelas sozinha. Mas a mágoa de ser o último a saber ainda estava lá, cutucando o meu peito, mesmo que eu compreendesse os motivos dela.

- Vamos tomar um banho? Nos preparar para o almoço com o meu pai? - Ela perguntou me dando mais um beijo, depois que lavamos a louça do café.

- Eu vou ligar para a Bianca, ver como ela está. Vai ligando o chuveiro. - Eu dei um beijo nela e a pior desculpa que eu pude inventar, tão ruim que ela me encarou por um momento antes de me deixar.

- Não demora, Gracinha! - Ela gritou do corredor ao se afastar.

Eu fiquei sozinho na cozinha. Eu já não estava suportando mais que ela não falasse comigo. Eu não ia estragar o domingo dela com uma briga, mas eu não conseguia mais guardar aquilo só para mim. Eu precisava de um conselho. De homem para homem. Eu precisava falar com o Flávio, ele sempre me deu ótimos conselhos, ele com certeza saberia o que eu precisava fazer para que ela me contasse a verdade.

- É isso. - Eu murmurei, sentindo uma determinação crescer. — Hoje esse segredo acaba. Ela não vai poder fugir disso por nove meses.

Eu tentei agir com a maior normalidade possível durante o banho e o trajeto até a casa do Rafael, mas eu já não suportava mais que o assunto não fosse dito, saber a verdade e ter que fingir que não sabia de nada estava acabando comigo. Eu queria acabr logo com aquele segredo, queria começar a me preparar, tomar as decisões importantes que a situação exigia e postergar aquilo só tornaria tudo mais difícil e menos planejado... a gravidez já não foi planejada. Eu olhei para a Gi, cantando animada no banco do carona, e só pude pensar em como ela conseguia ser tão plena guardando algo tão grande. Porque aquilo estava me devorando!

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