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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Anderson"

O sol de domingo batia forte no quintal da casa do Rafael e da Hana. Os gêmeos estavam sentados com a Giovana em uma manta no gramado, e enquanto o Rafael e o Rubens estavam dominando a churrasqueira, a Hana e a Rúbia estavam preparando caipirinhas.

- Toma, Gracinha, bebe um pouco, você está muito mais tenso que de costume. - A Hana se sentou ao meu lado na grande mesa que eles tinham na área gourmet. - O que está havendo?

- São apenas as preocupações de sempre, Nana. - Eu respondi com um sorriso que certamente não chegou aos olhos e tomei um gole da caipirinha. - Minha nossa, com o que vocês fizeram isso? Álcool absoluto?

- Ai, que exagerado! - A Rúbia se sentou do meu outro lado. - É o de sempre, Gracinha, e nem está tão forte assim, a gente colocou bastante limão.

- Sei... - Eu sorri. - Só não dá isso pra Ferinha, ela não pode.

- E desde quando vc fiscaliza o que a Ferinha bebe? - A Hana apoiou o rosto na mão e me encarou.

- Eu...?! Não, não... só que ela vai ter que dirigir, porque vocês estão me fazendo beber. - Eu pensei rapidamente em uma desculpa.

- Olha que esperto! Você é tão responsável, Gracinha. - A Rúbia sorriu e encheu o meu copo até a borda. - Já que vai beber, então faça isso direito.

Eu olhei para o copo duplo quase transbordando e pensei em como me livraria dele sem que elas me enchessem de perguntas. E foi aí que a minha salvação chegou.

- Rafael, estamos invadindo, eu, a minha creche e a minha baixinha! - O Flávio anunciou sorridente entrando pelo quintal com dois dos filhos nos braços.

- Flávioooo... vocês já são da família! - O Rafael respondeu animado.

Meia hora depois da chegada do Flávio, depois que a agitação dos cumprimentos passou e todos se distraíram em pequenos grupos de conversa, eu enviei uma mensagem discreta para o Flávio, pedindo para falar com ele em particular. Ele leu a mensagem, mas nem me olhou, logo deu um jeito de se afastar do Rafael para "ir ao banheiro" e ao passar por mim, bateu a mão no meu ombro. Eu esperei um pouco e entrei na casa atrás do Flávio, ele estava me esperando na porta do lavabo.

- O que foi, Anderson? Você está tão tenso que parece que cometeu um homicídio e não sabe o que fazer com o cadáver. - O Flávio me olhou por um momento.

- Na verdade eu é que estou quase tendo um ataque cardíaco, Flávio. - Eu fechei os olhos e respirei fundo. - Preciso de um conselho. A Gi...

- Ih, a Ferinha aprontou de novo? - O Flávio perguntou com um risinho divertido.

- Na verdade fui eu quem aprontou. Eu fui um irrespnsável, Flávio.

- Não, você não é irresponsável. Só não me diz que você traiu a Ferinha, nisso eu não posso acreditar.

- Eu jamais trairia a minha Ferinha, Flávio! Eu amo demais aquela garota atrevida. - Meu olhar suavizou por um momento ao falar da Giovana. - Flávio, sabe aquele dia na faculdade? A Giovana enfrentando a Maya na frente de todo mundo?

- Sei, ela assinou o nome e o sobrenome naquela faculdade. - O Flávio sorriu orgulhoso.

- É, ela fez! E eu fiquei muito orgulhoso. Mas... pra mim foi mais que isso. Vê-la ali, toda... poderosa! Me deixou meio louco, sabe?!

- Sei. Você achou sexy.

- Pra caralho! E aí, quando voltamos pra casa depois do trabalho... eu a levei para o seu apartamento...

- Seu apartamento! Você mora lá e paga aluguel, então você está na posse dele. É seu!

- Tá... meu apartamento... mas o caso é que eu estava tão... e ela é tão... - Eu repsirei e fechei os olhos. - Eu esqueci o preservativo.

- Ah, entendi! A velha preocupação de ter sido imprudente. Mas veja, Anderson, isso acontece, não significa que vocês terão consequências, até porque, a Gi é uma garota bem informada e deve se prevenir também. - O Flávio tentou me acalmar.

- Rafael... - O que eu ia dizer? Ele era o pai da minha namorada! - Foi um único descuido, uma única vez, e eu nem posso tentar me desculpar dizendo que estava bêbado, porque não estava, eu apenas me esqueci do preservativo.

- Ok, Anderson, entendi! - O Rafael puxou os cabelos para trás como se fosse arrancá-los da cabeça. - Agora eu entendo a Arlete no dia em que a Raíssa e eu contamos que ela estava esperando a Gi... e eu estava bêbado! - O Rafael me olhou como se tivesse entendido a minha indireta.

- Rafael, me desculpa te decepcionar. - Eu pedi sinceramente. - Olha, você não imagina o quanto eu estou me culpando por ter estragado o futuro dela. Eu sei que ser mãe agora, com tudo o que ela tem pela frente, toda a vida que ela merece... não é o ideal. Mas ela está grávida e eu vou fazer o que for preciso para dividir isso com ela e tornar menos difícil e eu vou me empanhar ao máximo para que ela não perca nada!

- Eu sei que vai! - Ele esfregou os olhos. - Ah, Anderson... não é decepção. É preocupação. Vocês são jovens demais e têm tanta coisa para viver ainda. Me explica direito o que está acontecendo.

- Naquele dia da briga na faculdade, lembra? Eu esqueci o preservativo. E aí, na sexta eu encontrei o teste. Já faz mais de uma semana que eu estou tentando protegê-la sem que ela saiba que eu sei, porque ela ainda não me contou e eu estou tentando respeitar o tempo dela, mas eu estou surtando porque a Gi não é exatamente cuidadosa com o seu estado. - Eu expliquei.

- Então ela ainda não te contou? - O Rafael perguntou.

- Não. Eu acho que ela está preocupada pensando que eu estou sempre cuidando dos outros e... enfim, por causa da minha história, você sabe.

- É, é bem a cara da Gi. - O Rafael respirou fundo. - Mas isso acaba agora. Nós vamos falar com ela. Ela está bebendo caipirinha lá fora.

- Ela não pode beber! - Eu reclamei.

- Bem-vindo ao clube dos pais surtados, Anderson. Mas se você chegar gritando, ela te j**a na piscina. - O Flávio deu um tapinha no meu ombro. - Gente, calma! Vamos todos respirar fundo, pensar direito e abordar a Gi com mais... tranquilidade. - O Flávio sugeriu e ele não estava errado.

O Rafael e eu olhamos um para o outro, respiramos fundo e falamos juntos:

- Isso acaba agora!

Nós nos viramos e marchamos pelo corredor rumo ao jardim seguidos pelo Rubens e o Flávio. No momento em que eu atravessei a porta eu vi a Giovana levando o copo de caipirinha à boca, o resto de controle que eu tinha se esvaiu.

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