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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Nós voltamos para a mesa e distribuímos as sobremesas sob os olçhares desconfiados do restante da família, menos do Bóris, que já estava pedindo informações à Hana sobre a tal casa a venda no condomínio.

- Olha, Rai.. que sobremesa linda! Algum motivo especial? - A Tia Rúbia provocou. O Anderson estava fazendo um esforço hercúleo para manter a cara de paisagem.

- Bom, já que o noivado foi um sucesso, eu queria celebrar com um doce especial. - A minha mãe pondeu, colocando os pratos na frentre de cada um.

- Ah, mas o meu e o do Bóris devem ser mais especiais que os outros. São até de cor diferente. - A minha tia observou e a minha mãe fez de conta que não ouviu.

- No três, todos abrem juntos. - A minha mãe pediu. - Você pode contar, Bóris?

- Um brinde ao açúcar! - O Boris brincou, já com a colher na mão. - Um, dois... três!

Todos esperaram o Bóris abrir o dele primeiro, como se todos já soubessem o que iria acontecer e a minha tia já estava com o celular à postos fotografando. Por sorte, a minha mãe estava muito concentrada em não perder a reação do noive e acabou não se dando conta que estavam todos, assim como ela, de olho no Bóris.

Quando o Boris quebrou a esfera de chocolate, o sorriso dele congelou. Dentro da esfera dele, no lugar do doce, havia um pequeno par de sapatinhos de tricô brancos, com um minúsculo laço de cetim. Ele ofegou, engasgou e os olhos lacrimejaram.

O silêncio na sala foi absoluto. O Boris olhou para o sapatinho. Olhou para a minha mãe. Voltou a olhar para o sapatinho. Ele parecia ter esquecido como se falava, ou como se respirava.

- Rai... - A voz dele saiu num fio, quase inaudível. - Isso é o que eu acho que é? Você está dizendo que decidiu ter um filho comigo? Ou é só um chaveiro novo para as chaves da nossa casa nova que você vai aceitar?

Minha mãe riu e limpou as lágrimas que caíam. Era alívio, alegria, tudo o que estava guardado.

- Não é um chaveiro, Boris. Sabe, decidir não é bem a palavra, algumas coisas acontecem na vida porque não poderiam ser diferentes. Algumas pessoas chamam de "agir de Deus". Outras podem dizer que é quando o amor transborda e se personifica. Eu acho que é as duas coisas. O meu amor por você transborda, Bóris. - Minha mãe respirou. - Eu nem sabia o quanto eu queria ter esse filho com você até ele estar aqui. Esse é o primeiro par de sapatos do seu filho. Eu estou grávida.

O Boris não gritou. Ele não pulou. Ele simplesmente desabou em lágrimas, escondendo o rosto nas mãos, os ombros sacudindo.

O Anderson, ao meu lado, respirou aliviado. O segredo tinha acabado. Eu sorri, vendo o Boris finalmente abraçar a minha mãe com uma força que quase os derrubou da cadeira.

- Eu vou ser pai! - O Bóris comemorou depois que soltou a minha mãe. - A família vai crescer!

A nossa reação foi uma comemoração explosiva e todos nós atiramos os guardanapos brancos de linho para o alto enquanto a felicidade tomava conta da mesa, substituindo a tensão e as provocações anteriores por um momento de pura felicidade geral.

- Nossa, essa chuva de guardanapos me deu uma foto linda! - A minha tia comentou e a minha mãe se virou para nós sorrindo. Mas o sorriso começou a murchar quando ela viu todas as sobremesas intactas.

- Por que ninguém tocou na sobremesa ainda? - A minha mãe nos olhou sem entender.

- Sua vez, Rub! - O meu pai limpou a garganta e todos nos viramos para a minha tia como se a minha mãe não tivesse dito nada. - Vamos ver o que a Rai colocou dentro da sua esfera.

- Fotografa tudo, fofinho. Vou tentar fingir surpresa.

- Fingir...? - A minha mãe olhou para mim e eu simplesmente me fiz de boba. Felizmente a Tia Rúbia já estava quebrando a esfera dela.

A minha tia quebrou a esfera e dentro tinha um pequeno ursinho e um cartão, onde a minha mãe pedia desculpa e jurava que tinha sido sem querer, mas que sabia que ela amaria o sobrinho e afilhado como um filho e elas dividiriam aquela maternidade. Quando a minha tia acabou de ler, ela também estava chorando.

- Sabe, Rai... você estragou os meus planos. - A minha tia limpou as lágrimas e começou séria. - Eu já tinha todo um roteiro de chantagem planejado e você passaria um apuro tão grande que não teria escolha, teria que me nomear a madrinha desse bebê. Mas... você estragou tudo e já fez isso. Perdeu a graça.

- Como assim um roteiro de chantagem planejado? - A minha mãe não estava entendendo nada.

A minha tia se levantou, deu a volta na mesa e segurou as mãos da irmã.

- Eu te amo, minha irmã! Eu me alegro com a sua alegria e eu jamais ficaria magoada, triste ou sentida porque você vai me dar um sobrinho. Um bebê não é motivo para discórdia, disputa ou mágoa. Um bebê é uma bênção, é algo muito maravilhoso e digno só de sentimentos bons e muito amor. Eu estou muito feliz por você, Rai. Pelo Bóris também. E por esse anjinho que vai chegar em breve. E eu tenho muito amor no meu coração, tanto que não sobra espaço para sentimentos de mágoa ou frustração.

- Não se desculpa. Tá bom?! Você tem razão em estar se sentindo assim. E eu prometo para você que nunca vou te esconder algo tão importante. - Eu dei um beijo nele. - Agora, passa isso pra cá.

Eu fui para o banheiro, fiz o que tinha que ser feito e me sentei na cama ao lado do Anderson. Nós esperamos o que parecer ser os minutos mais silenciosos da nossa vida. O Anderson estava olhando fixamente para o bastonete, como se isso fizesse o resultado aparecer mais depressa. E aí apareceu. Um único traço. Nítido. Negativo.

- Viu? Nenhuma surpresa no nosso lado da família, Gracinha.

Ele pegou o teste, analisou como se fosse um documento oficial e soltou um suspiro de alívio tão profundo que os ombros dele relaxaram na hora. Ele me puxou para um abraço apertado, enterrando o rosto no meu pescoço.

- Obrigado, Ferinha. Agora eu posso voltar a ser o seu namorado e parar de ser o seu segurança de maternidade. - Ele falou com certa graça.

- Ótimo! - Eu disse rindo. - Porque o Anderson nutricionista era bem chatinho.

Ele riu comigo, mas logo ficou sério e se afastou um pouco para me encarar.

- Gi, não é que eu não queira ter um filho com você, eu quero muito... só acho que pode demorar um pouco mais.

- Eu também acho! - Eu concordei e me sentei no colo dele. - Agora, Anderson, já que você voltou a ser o meu namorado lindo, gostoso, que faz umas coisas que me deixam assim... sem fôlego. Que tal me jogar nessa cama e fazer...

- Ah, com certeza hoje você não dorme. Mas primeiro eu preciso fazer uma coisa.

Ele tirou do celular do bolso e digitou uma mensagem sem explicar nada. Apenas digitou a palavra "negativo" e enviou. A resposta chegou quase imediatamente, em letras maiúsculas: "ÓTIMO! USE O PRESERVATIVO!"

- Acho que o seu pai também vai dormir melhor esta noite. - Ele sorriu e jogou o celular na mesinha de cabeceira. - Agora, onde estávamos?

Antes que eu respondesse ele me jogou sobre a cama, me fazendo rir enquanto beijava o meu pescoço.

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