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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Bianca"

O Rui ficou por alguns segundos congelado olhando para mim. Os olhos dele estavam grudados em mim, ele nem piscava. Ele limpou a garganta, como se recobrasse os sentidos, e eu soube, naquele exato momento, que a "operação banho gelado" dele tinha acabado de evaporar.

- É... essa camisa...? - Ele estava todo atrapalhado com as palavras. Eu o conhecia bem demais para saber que ele estava nervoso e sem saber o que dizer.

- Ah, é a sua camisa, meu lindo! Espero que você não se importe por eu estar dormindo com ela. Assim eu não morro de saudade de você. - Eu coloquei a cabeça de lado e passei as pontas dos dedos sobre a pele que os primeiros botões abertos deixava exposta.

Ele fechou os olhos por um segundo e quando os abriu de novo o "príncipe protetor" que ele vinha ostentando a semana toda estava de volta. E o sorrisinho dele de quem sabia o que eu estava fazendo quase me desarmou. Ele até tinha entendido o que eu queria, o que ele não sabia ainda era que ele não teria como escapar.

- Não me importo, minha linda. Pelo contrário. É bom saber que você sente saudade. Eu também sinto.

Ele se aproximou e se ajoelhou ao meu lado, cando um braço sobre a minha cintura e a outra mão na minha nuca, ele me puxou para um beijo. Já fazia tempo que o beijo do Rui tinha mudado. Não era mais o toque contido do "bom menino" que ele tentava ser, nem era mais inexperiente. Já tinha um tempo que ele me beijava como quem quisesse me consumir, com a urgência de alguém que guardava um furacão no peito por tempo demais e tivesse que se esforçar muito para não deixá-lo sair.

- Bianca... - A voz dele saiu rouca, como se ele estivesse travando uma batalkha difícil consigo mesmo. - Eu prometi que a gente ia devagar e eu quero cumprir. - Ele falou com aquela disciplina irritante.

Eu quase ri. Ah, Ruizinho... se você soubesse. Mas eu ia deixá-lo perceber por si só que mais devagar que isso a gente pararia num beco sem saída e era nesse beco sem saída que eu iria pegá-lo.

- Eu... não encontrei os livros da Gi. Talvez o Anderson já tenha levado e ela não tenha visto. - Ele me deu um beijo na testa. Eu podia ver o quanto ele estava se esforçando para se afastar.

- É... talvez. - Eu sorri inocentemente... ou não.

- Bom, então é isso! - Ele se levantou e esfregou as mãos nas pernas da calça jeans. O nervosismo dele parecia uma placa de neon piscante. - Bi, a noite foi linda, o jantar da Rai foi emocionante... mas agora eu tenho que ir. Venho te buscar de manhã para a faculdade.

- Tá bom, Ruizinho. Vou ficar aqui sonhando com você. Mande beijo para os seus pais. - Eu disse, sem sair do lugar. - A chave está ali no aparador.

Ele sorriu, me deu mais um beijo casto na testa, que me fez querer bater nele de tanta vontade de beijá-lo de verdade. Mas ele sorriu, se virou e caminhou até a porta. Eu o observei tateando o móvel, olhando para a porta e depois o silêncio.

- Bi? A chave não está aqui. - Ele nem se virou.

- Ué?! Será que eu fechei a porta e deixei a chave do lado de fora? - Eu conjecturei seriamente, mas estava gostando demais da brincadeira.

Ele tentou abrir a porta. Trancada. Ele sacudiu a maçaneta outra vez. Nada.

- Bianca, a porta está trancada e a chave sumiu. - O Rui falou sério, com certeza o desespero estava batendo.

- Não? Que estranho... - Eu fiz a minha melhor cara de desentendida, enquanto ele se virava pra mim. - Será que eu coloquei na bolsa? Deve ter sido isso. Se importa, meu lindo de buscar? Está no quarto.

- Isso é uma lição que você nunca mais vai esquecer na sua vida, Ruizinho.

Eu me aproximei, parando a centímetros dele, sentindo o calor que emanava do seu corpo e o seu perfume "Dior Sauvage" que fazia o meu pulso acelerar.

- Você achou que podia me deixar no limite e sair andando, Rui? Eu espero que tenha se divertido com isso, porque a sua brincadeirinha acabou. Hoje a porta só abre quando eu decidir. E eu decidi que você não vai a lugar nenhum até admitir que está morrendo de vontade de perder esse controle todo comigo e ir de zero a cem em três segundos.

O Rui deu um passo para trás e encostou as costas na parede, a respiração ficando pesada. O olhar dele não era mais o do "menino fofinho", era o olhar do homem que eu via me observando do balcão do bar enquanto eu trabalhava, profundo e cheio de um desejo que ele não conseguia mais esconder.

- Você... você não tem ideia do que está fazendo, Bianca Cavalcante. - Ele murmurou.

- Tenho sim. - Eu sussurrei, subindo as mãos pelo peito dele, sentindo os batimentos cardíacos do Rui disparados sob a palma da minha mão. - Eu estou pondo fim aos seus banhos gelados. E eu decidi que você não vai ser o único a ditar o ritmo dessa vez.

Eu passei as mãos pelo pescoço dele, puxando-o para perto até sentir o calor do corpo dele contra o meu. A camisa entreaberta roçou no seu peito, e eu vi o momento exato em que a última barreira de autocontrole do Rui se estilhaçou.

- Você disse que queria que fosse perfeito, não foi, Rui? - Eu provoquei, roçando meus lábios no lóbulo da orelha dele. - Pois agora fica quieto e presta atenção... porque a aula começou. E agora, Rui? O que o meu príncipe cavalheiro vai fazer já que não pode fugir?

Ele não respondeu com palavras. Em um movimento rápido e possessivo que me pegou totalmente de surpresa, ele segurou minha cintura com as duas mãos e me prensou contra a parede do quarto, invertendo nossas posições. O olhar dele estava escuro e o sorriso de "bom menino" tinha sido substituído por uma expressão de desejo puro que me fez estremecer. Ele me calou com um beijo que carregava toda a frustração, o amor e o desejo contido da última semana. A Hana estava certa: às vezes, para um homem se entregar, você só precisa tirar a rota de fuga.

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