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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Bianca"

Na manhã seguinte, eu acordei com a luz do sol entrando pela janela e o peso do braço do Rui na minha cintura. Ele ainda dormia, o rosto sereno, parecendo um anjo que tinha acabado de pecar e não estava arrependido. Eu estava sorrindo para o teto, sentindo-me a mulher mais sortuda do mundo, quando ouvi o som da chave girando na porta da sala.

Anderson. O que ele estava fazendo aqui? Ele deveria estar acordando feliz e contente ao lado da namorada dele. Eu pulei da cama, jogando o roupão por cima dos ombros, mas não tive tempo de avisar o Rui. Ouvi os passos pesados do meu irmão em direção à cozinha.

- Bianca? - A voz do Anderson ecoou. - Já está acordada?

Eu caminhei até a cozinha, tentando manter a dignidade. O Rui apareceu logo atrás de mim, vestindo apenas a calça jeans desabotoada e a camisa rosa aberta. O Anderson tinha acabado de ligar a cafeteira. Ele olhou para mim. Olhou para o Rui. Olhou para nós dois e revirou os olhos.

- Bom dia... - O Rui começou, o rosto passando do branco ao vermelho em dois segundos. - Anderson, eu posso explicar... a porta...

- A porta perdeu a chave, Gracinha! - A Giovana apareceu atrás do Rui rindo. - Coisa de louco, né?! Ou melhor, de doida. - A Giovana deu uma piscadinha pra mim e eu tive que conter o riso.

O Anderson cruzou os braços, encarando o meu namorado, que parecia querer que o chão se abrisse. Ele olhou para o Rui, respirou fundo e estreitou os olhos.

- Rui, meu amigo... - O Anderson disse, com um meio sorriso que me surpreendeu. - Eu só espero que você tenha se lembrado do preservativo. Por que se você engravidar essa louca, eu não vou aceitar devolução!

- Eu me lembrei e eu nunca a devolveria. - O Rui respondeu, recuperando a voz e olhando para mim com um brilho que fez meu coração derreter. - Eu amo a sua irmã, Anderson.

- Eu sei que ama. - O Anderson deu um tapinha no ombro dele. - Agora senta aí e toma café. A Bianca faz uns ovos mexidos horríveis, mas a companhia compensa. Eu vim pegar uns livros que esqueci, mas vai ser divertido esse café da manhã. Vem, Ferinha!

O Anderson saiu da cozinha levando a namorada e eu aproveitei para pular no pescoço do Rui e cobrar o meu beijo de bom dia, porque a noite... tinha sido perfeita!

O Anderson e a Giovana pegaram os livros e saíram rindo, deixando o apartamento com aquele cheiro de café e de cumplicidade. Eu estava nas nuvens e flutuei até a faculdade com o Rui me puxando pela mão. Ele me deixou na minha sala de aula com um beijo que fez meus colegas se alvoroçarem e com a promessa de que ele ficaria longe somente pelo tempo necessário.

Eu estava tão feliz que mal prestei atenção as aulas, na minha cabeça, tudo o que eu conseguia pensar era no que eu vivi com o meu namorado na noite anterior, os beijos que ele me deu, as coisas lindas que falou, o que ele me fez sentir. Sim, eu estava sonhando, mas a realidade bateu à porta, na minha mesa, na hora do intervalo.

Eu olhei para a mão grande que bateu sobre a minha mesa como se fosse uma porta e ergui os olhos. Eu dei de cara com o Felipe. Nós não havíamos nos falado desde a briga com o Anderson sobre a venda da casa. Ele estava com uma postura defensiva, segurando um envelope azul marinho e me olhando muito sério.

- Você, aqui? Precisou de tanto tempo assim para reconhecer que pisou na bola e precisava se desculpar? Já procurou o Anderson? - Eu perguntei cruzando os braços e o encarando sem sorrir.

- Eu não vim me desculpar, Bianca, porque eu não pisei na bola. Foi o Anderson quem bancou o mimado e é ele quem deve se desculpar. Eu não vou procurá-lo. - Ele respondeu com um ar de arrogância que me fez estreitar os olhos para talvez ver melhor, porque aquele não parecia o meu irmão do meio. - Eu vim trazer o seu convite para a minha formatura. Achei que você, pelo menos, ia querer estar lá, embora não tenha me procurado. - Ele me estendeu o envelope.

Eu peguei o envelope, mas notei que era apenas um.

- Onde está o do Anderson? Já que você não vai procurá-lo...

- Você não consegue ver o meu lado. - Ele bancou o injustiçado.

- Eu vi, Felipe, eu vi! Eu vi o Anderson chorando de cansaço na mesa da cozinha enquanto você gastava o dinheiro dele com festas e ropupas de marca porque "precisava estar no mesmo nível dos seus amiguinhos para ter as mesmas oportunidades". Não era isso que você dizia para a nossa mãe?

- Pois é, e esta aí a minha oportunidade, mas parece que só a nossa mãe entende isso.

- Sabe, Felipe, no fundo eu tenho pena de você, porque a vida ensina e você vai aprender do jeito mais difícil que oportunidade, dinheiro, status, tudo isso é muito vazio se você não sabe reconhecer o valor das pessoas. A nosa mãe te entende, o nosso irmão não guarda mágoa e eu até te tolero, porque somos família, mas o mundo aqui fora não vai ter com você a mesma gentileza e você não vai ter para onde voltar, porque você está desprezando quem sempre cuidou de você. A vida ensina, Felipe, e ela cobra também. - Eu joguei o convite de volta no peito dele. - Eu não vou à sua formatura. Se o meu irmão, que construiu o degrau para você subir, não é bem-vindo, eu muito menos. Onde não cabe o Anderson, não me cabe, Felipe. Passar bem.

Eu me virei para sair dali, mas ele me segurou pelo braço.

- Ele é mais importante para você do que eu? - A pergunta do Felipe era mais uma facada no meu coração, mas eu não precisava pensar.

- Eu amo vocês dois, mas ele... ele é a pessoa com quem nós sempre pudemos contar e ele nunca pode contar com ninguém. Até agora. Porque desde que saímos de casa, ele pode contar comigo e ele vai poder contar comigo todos os dias da vida dele. Eu não gostaria, mas se você me fizer escolher, eu não vou precisar parar para pensar.

Ele ficou ali, parado, com a cara de quem tinha levado um tapa. Eu me abaixei, peguei as minhas coisas e me virei para me afastar, sentindo as lágrimas de raiva e tristeza escorrerem de novo pelo meu rosto. E quando eu ergui a cabeça, eu a vi parada na porta.

A Giovana respirou fundo, guardando o celular e abrindo os braços para mim. Ela tinha visto aquela baixaria, se não tudo, pelo menos em parte. E a tristeza nos olhos dela era de quem conhecia e amava o Anderson, e sabia que ele ficaria destruído se soubesse da exclusão. Mas ela também sabia que, às vezes, a melhor forma de proteção era a verdade.

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