"Giovana"
Meu corpo ainda carregava a memória da tarde do dia anterior. Cada músculo parecia ter uma lembrança vívida das mãos do Anderson, da força dele e daquela entrega absoluta sobre a mesa da sala. Aquele Anderson que ele escondia sob os bons modos era viciante, tocava o meu corpo de forma diferente e sabia como elevar o nível do desejo que eu sentia por ele. É, talvez eu devesse arrancar do Anderson a personalidade de príncipe mais algumas vezes, porque eu tinha gostado do meu "Gracinha badboy" mais do que eu conseguia descrever para ele.
Mas agora eu tinha problemas e preocupações para resolver. Enquanto eu subia o elevador para o apartamento da Tia Rúbia, aquela sensação de flutuar que o Anderson me causava foi substituída por um peso frio no estômago. O que será que o Tio Rubens tinha descoberto?
Eu aproveitei que o Anderson tinha as coisas dele para fazer e avisei que iria visitar a minha tia. Meu Gracinha me deu um beijo antes de sair da minha casa, sem desconfiar que eu estava cuidando de um assunto que o interessaria demais.
Eu também não contei para a Bianca e muito menos para o Rui. Se o que o Tio Rubens tinha para me dizer era tão sério quanto o tom da mensagem dele sugeria, eu precisava processar a informação primeiro, não deixar a Bianca a beira de um ataque de nervos e forçar o Rui a contar mais mentiras.
Eu estava protegendo os meus, assim como eles já haviam me protegido tantas vezes, e isso significava de vez em quando resolver os problemas antes de causar uma preocupação.
Quando eu entrei no apartamento, o clima não era o de um café da tarde em família. O Tio Rubens estava com o laptop aberto e vários papéis espalhados pela mesa de jantar. A Tia Rúbia, que abriu a porta para mim, parecia mais tensa do que no dia anterior.
- Senta aqui, Gi. - O Tio Rubens nem levantou os olhos de imediato. Ele indicou a cadeira ao lado dele com um aceno de cabeça. - Eu fiz algumas ligações. Conversei com o pessoal que faz a segurança das casas de pôquer clandestinas e alguns contatos que tenho... por aí.
- Casas de pôquer clandestinas? - Eu o encarei, sentindo um comichão no couro cabeludo. - E o que você descobriu, tio?
- Gi, você já tinha reparado uma mudança de comportamento no F|elipe há muito tempo, não é? Eu me lembro que você um dia comentou comigo que o Felipe era "diferente" dos irmãos. - O Tio Rubens comentou e eu suspirei.
- Sabe o que é, tio, quando eu conheci o Felipe ele era um rapaz sorridente, divertido, que adorava o irmão. Mas ele me pereceu sempre ser alguém despreocupado. Talvez eu tenha pensado isso porque o meu Gracinha é preocupado demais e cheio de responsabilidade e eu esperava que o irmão fosse igual.
- Mas nunca foi. A Fátima jogou toda a responsabilidade nos ombros do Anderson com a desculpa de que ele é o mais velho. Eu a questionei algumas vezes por que o Felipe não dividia as obrigações com o Anderson e a desculpa dela era sempre que "não adiantava sobrecarregar os dois, que era melhor um estudar e depois ajudar o outro". Mas no fim, não é isso que vai acontecer. - O Tio Rubens suspirou e pareceu triste com aquela constatação.
- Não é. Mas o meu Gracinha é incrível e está construindo a vida dele com o próprio esforço, sem esperar por ninguém. Claro, eu sei que ele tem o seu apoio, do meu pai e do Flávio, mas o mérito é todo dele.
- É sim, Gi, o mṕerito é todo dele, sempre foi. - O Tio Rubens sorriu. - Mas quando foi que o Felipe mudou?
- Não demorou muito, foi quando ele começou o estágio nessa empresa onde ele está. No início não era nada demais, mas ele foi se afastando do Anderson. Meu Gracinha reclamou algumas vezes. E ele foi exigindo cada vez mais coisas, tipo as roupas, ró roupa de marca, que ele dizia que precisava porque deveria estar no nível de todos naquela empresa, ele não levava mais os amigos em casa e foi se tornando... carrancudo, é isso.
- Foi um processo lento, então?
- Foi, tio. Ele passou a estar sempre irritado e impeciante com a família. Mas quando veio o negócio do carro eu fiquei indignada, foi quando eu me dei conta que ele não era mais o mesmo. Eu não falei nada porque não cabia a mim, mas foi um absurdo ele exigir que o Anderson comprasse um carro zero para ele, ao invés de ficar com o carro antigo do Anderson e o Anderson ter um novo. O dinheiro era do Anderson, não é?
- É, eu me lembro que você conversou comigo e eu mesmo te disse para evitar uma brigha com o Anderson por isso. O Anderson não se apega a coisas materiais, é como se ele trabalhasse para dar uma vida melhor para a família e não para si mesmo.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Pq está travado, não consigo ler os próximos capítulos, depois do 265 Que inclusive é a parte da giovana...
Por que o livro da Giovana e do Anderson está ficando em meio ao livro do Jose Miguel e da Eva. Ficou muito bagunçado isso...
Faltou apenas os três últimos capítulos completos, poderiam liberar ne?...
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...