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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

As palavras do Tio Rubens ainda ecoavam na sala como um veredito. "Do jeito que você se perdeu". Aquilo doeu porque era verdade, mas a diferença era que eu tive uma mão estendida, várias na verdade, antes de chegar ao fundo do poço. O Felipe estava chutando a mão de todo mundo.

Assim que o Tio Rubens desapareceu no corredor, o silêncio se tornou pesado demais, eu quase podia ouvir grilos na minha cabeça. Eu olhei para a Tia Rúbia, ela estava em silêncio absoluto, quase como se a mente dela não estivesse ali.

- Tia Rúbia? - Eu chamei, sentindo que ela também tinha um problema.

E tinha. Ela se curvou sobre a mesa e agarrou as minhas mãos com uma força que me assustou. O olhar dela tinha algo mais profundo, mais pessoal.

- Gi... eu preciso que você me ouça. - Ela sussurrou e olhou para o corredor, garantindo que ele ainda estava trocando de roupa e me puxou para mais perto, me fazendo quase cair da cadeira. Ela estava sussurrando. - E que não conte nada para o meu Fofinho. Nem agora, nem nunca, se isso não der certo.

- Ai meu Deus! Mais segredos. Tia, péssimo momento para me fazer de sua confidente. - Eu murmurei.

- É, lindinha? Mas é meio tarde para isso. - Ela respondeu mal humorada. - Sabe o negócio da fertilização in vitro?

- Você ainda não começou esse negócio de novo, tia? Desse jeito vai ser avó e não mãe! - Eu reclamei e tomei um safanão dela, que não conseguiu conter o riso.

- Idiota! Presta atrenção. Eu comecei a tomar os remédios e tal... passei os últimos meses em tratamento de novo. Injeções, hormônios, exames...

- Tudo escondido do Fofinho? - Eu olhei para ela sem acreditar e ela fez que sim.

- Sim, tudo escondida dele. - Ela confirmou.

- Como você consegue guardar um segredo desses?

- Pelo mesmo motivo que você está guardando um segredo do seu Gracinha, porque eu amo demais aquele homem e não quero que ele se decepcione se isso não der certo. Eu não queria dar a ele mais uma expectativa que pudesse ser esmagada. Mostrar o doce e tomar. Não, de novo não. Esse homem não merece! - Ela justificou de uma forma que eu compreendia.

- Então pra quê você me contooouuu...? - Eu choraminguei.

- Porque eu quero que você vá comigo na consulta com o Dr. Gatíssimo na semana que vem. Se tudo estiver certo, ele vai fazer o implante e eu preciso de você lá comigo, não quero ir sozinha. - Ela parecia com medo.

- Tia Rúbia, mas e você? O que acontece se não der certo? - Eu precisava perguntar, por que ela passaria por aquela dor sozinha e por escolha própria. - Tia, você não precisa passar por isso sem ele. O Tio Rubens vai te matar se souber que você passou por isso sozinha. - Eu sussurrei, preocupada.

- Ele não vai saber, Gi. Não até que o médico me diga que o coração do meu bebê está batendo dentro de mim. - Ela segurou meu rosto pelas bochechas, me transformando praticamente em um peixinho dourado. - Gi, eu não tenho mais ninguém em quem confiar. O Rafa ficaria nervoso, a Rai está vivendo o próprio milagre agora e a sua avó... ah, aquela lá colocaria num jornal de grande circulação. Me acompanha, sobrinha? Eu só preciso que você esteja lá comigo segurando a minha mão.

Eu olhei para aquela mulher que me fotografou em todas as fases da vida, que me deu colo todas as vezes que eu precisei e que largou a vida que tinha na Austrália para ajudar a me tirar do fundo do poço anos atrás. Eu devia muito a ela, mas acima de tudo eu a amava como uma mãe. Como eu poderia dizer não?

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