"Eva"
Embora o José Miguel tivesse saído para resolver as coisas com a Salma, não era ela quem me preocupava e sim aquela cobra de aplique que ainda não tinha se dado por vencida. O que quer que ela estivesse armando, eu pressentia que não seria bom.Mas eu também tinha certeza que não demoraria muito para descobrirmos o que ela ia aprontar.
- E então, Evita, pronta para irmos às compras? Minha mãe indicou umas lojas muito legais. - O Enzo entrou despreocupado na minha sala.
- Ai, Enzo, acho que eu vou desmarcar com a minha mãe. Eu voltei hoje ao trabalho e o José Miguel ainda não voltou... - Eu estava preocupada com a demora dele.
- Mais um motivo para irmos. Hoje é um ótimo dia, já que você ainda não está cheia de trabalho, além do mais hoje era apenas para você passar pela readmissão e se inteirar de como andam as coisas aqui. E o Perfeito vai ficar bem feliz em saber que você não se deixou abater pelas ameaças. Anda, vamos comprar móveis para a sua casa nova. Se a minha tia Sam tiver um pouquinho de influência nessas lojas, e eu acredito que tenha, você poderá receber algumas coisas ainda hoje. - O Enzo me incentivou e a possibilidade de começar a mobiliar a casa onde eu iria morar com o José Miguel me empolgou.
- Quer saber, tem razão. Vamor! - Eu peguei a minha bolsa e me levantei.
- É assim que se faz! Sua mãe vai nos encontrar na loja, ela foi almoçar com o Romeuzinho. - Ele me informou.
- Por que você sabe disso e eu não? - Eu o encarei com as mãos na cintura.
- Porque eu ligo para os meus amigos e liguei para a minha amiga Martinha essa manhã. - Ele me ofereceu o braço. - Nós estamos organizando o aniversário do Romeuzinho, Eva, esqueceu?
- Ah, é! - Eu realmente tinha me esquecido. Você e a minha mãe estão brincando de cerimonial. - Eu ri e ele me encarou muito sério e por um longo tempo em frente ao elevador. - O que foi?
- Você acabou de me dar uma idéia! - Ele se limitou a me dizer isso, mas foi o suficiente para me deixar curiosa.
Quando o Enzo me disse que a tia dele tinha alguma influência nas lojas onde fomos, eu pensei que não passasse de uma brincadeira, contudo o nome Samantha Martinez não apenas abria portas, ele fazia o impossível acontecer. Desde tratamento especial nas lojas até entregar tudo o que eu comprei em prazo recorde, tudo se tornava possível com a menção do nome daquela mulher. E com tudo que usar onome dela facilitou e possibilitou, nofim da tarde eu estava na minha casa nova recebendo alguns móveis e eletros que já estavam sendo entregues.
- Ufa! Esse foi o último. - Eu me joguei no sofá de couro marrom claro que agora ocupava grande parte da sala e constrastava perfeitamente com o bege das paredes e toda aquela luz natural do fim da tarde que entrava pelas janelas.
- Tenho que concordar, esse sofá é maravilhoso! Eu poderia dormir nele todas as noites. - O Enzo estava sentado, com a cabeça apoiada no encosto, olhos fechados e pernas esticadas.
- Você escolheu a cama e o colchão do quarto de hóspedes, não tem porque dormir no sofá quando estiver aqui. - Eu o lembrei e ele riu.
- É, crianças, o sofá é ótimo, mas eu preciso ir. Tenho que preparar o jantar para a família. - Minha mãe se levantou.
- Mãe, deixa aqueles marmanjos cozinharem para si mesmos. - Eu me queixei.
- Para eles deixarem a minha cozinha como um campo de batalha? Não, querida. Além do mais eu convidei o Romeu para jantar. - Ela contou como se não fosse nada demais.
- E quando ele vaisemudar para lá? - Eu perguntei e a minha mãe congelou no meio da sala. - Não se faça de boba, D. Marta, todos nós sabemos o que está rolando.
- Então, minha filha, continuem fingindo que não sabem de nada, poprque pra mim está muito bom do jeito que está. - Minha mãe me encarou como se me desafiasse a contradizê-la.
- Martinha, me convida também para esse jantar? - O Enzo choramingou.
- Você é meu convidado de honra, porque eu vou fazer aquele picadinho que você gosta. - Minha mãe contou animada.
- Vamos, Evita, tenho pressa para saborear esse picadinho. - O Enzo se levantou e me puxou, mas eu tinha outros planos.
- Se depender de mim, sim! - Eu respondi convicta. - Mas daqui a alguns meses teremos um bebê chorando e fraldas para trocar, então talvez não haja muita paz.
- Parece o paraíso pra mim. - Ele declarou e eu senti como borboletas se espalhando dentro de mim.
- É o paraíso para mim também. - Eu concordei enquanto nossos olhos se mantinham fixos um no outro, até que eu me lembrei do molho e me virei depressa para tirá-lo do fogo.
- Nós já temos um sofá e você tinha decidido manter aquela cama que eu comprei para a noite em que te pedi em casamento. Parece que nossa cozinha é funcional também. Por acaso você está planejando passar a noite aqui? - Ele quis saber.
- Esta e todas as próximas até o fim da vida. - Eu respondi e ele me olhou com um sorriso maior e um olhar surpreso.
- Nós estamos nos mudando hoje? - Ele perguntou com um tom alegre na voz.
- Eu espero que sim. Graças ao Enzo e a esposa do Heitor muitas coisas já foram entregues, a casa já é habitável e o resto vai chegar nos próximos dias. Ainda faltam algumas coisas, mas isso a gente vai organizando devagar. O que você acha? - Eu o encarei, torcendo para que ele concordasse.
- Eu acho que você me surpreendeu com uma das melhores notícias do mundo. - Ele me abraçou outra vez, enquanto ria com uma alegria contagiante. - É oficial, amorzinho? Estamos morando juntos?
- É oficial, amorzinho! - Eu afirmei e ouvi a sua risada, pertinhodo meu ouvido, fazendo o meu corpo inteiro vibrar desejando pular o jantar.
- Nós precisamos pegar as coisas no apart, passar na casa da sua mãe e pegar as suas coisas... - Ele começou a se agitar com os planos.
- Podemos fazer isso amanhã. Por hoje, o Cachorrão passou no apart e trouxe tudo o que precisamos para passar a noite e ir para o trabalho amanhã. Nós só temos que aproveitar a nossa primeira noite morando juntos oficialmente na nossa casa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...