Damon
— Você lembra qual foi a primeira coisa que eu disse quando você me contou sobre essa garota? — Minha mãe sorriu, mas o gesto não alcançou os olhos. — Eu disse que não acreditava nesse teatrinho.
Ela ergueu o queixo, me encarando com a arrogância de sempre, desafiando cada palavra minha antes mesmo de eu terminá-las.
Não foi fácil admitir a verdade, mas eu já tinha tomado minha decisão. E não voltaria atrás.
— Eu estou apaixonado. De verdade. — Minha voz saiu firme, sem hesitação. — Tudo começou como uma mentira, mas agora... agora é real.
Ela riu com amargura, aquele riso frio e descrente que eu conhecia bem.
— De verdade? — ela repetiu, cruzando os braços e me analisando com aquele olhar afiado que sempre usava quando queria me desmontar. — E o que exatamente você espera que eu faça com essa informação, Damon?
Respirei fundo, mantendo meu olhar fixo no dela. Eu sabia que seria difícil, mas não esperava que doesse tanto.
— Eu não espero nada, mãe. Só achei que você deveria saber. — Minha voz saiu firme, apesar do nó na garganta. — Você sempre me acusou de ser calculista, de nunca me envolver de verdade em nada. Mas dessa vez... aconteceu.
Ela balançou a cabeça lentamente, como se processasse minhas palavras, mas o ceticismo ainda estava lá.
— E o dinheiro? A herança? — Sua voz era afiada como uma lâmina.
Eu ri, sem humor.
— Não tem nada a ver com isso. Se tivesse, eu não estaria aqui agora.
Ela me analisou por um longo momento, e pela primeira vez, vi algo diferente em seus olhos. Não era aceitação, nem orgulho... mas talvez, apenas talvez, fosse um resquício de dúvida. E para mim, isso já era um começo.
Encarei minha mãe, meu coração acelerado, mas minha decisão já estava tomada. Eu não recuaria.
— O casamento com Violet foi uma mentira. Desde o início. — Soltei as palavras sem rodeios. — Mas, no meio disso tudo, algo mudou. E agora, eu não quero mais nada disso. Nem essa empresa, nem essa vida que você sempre me impôs.
Victoria piscou algumas vezes, absorvendo minhas palavras. Então, inclinou levemente a cabeça e soltou um riso incrédulo.
— Você acha que pode simplesmente jogar tudo para o alto? Acha que pode viver sem dinheiro, sem status? — Sua voz transbordava desdém.
Eu respirei fundo, sentindo o peso do momento.
— Pela primeira vez na minha vida, eu tenho alguém que me ama pelo que eu sou. Não por quem espera que eu seja. — A firmeza na minha voz a fez estremecer. — E, sim, mãe... eu vou ficar bem.
O choque estampado em seu rosto me disse que, pela primeira vez, ela percebeu que não tinha mais controle sobre mim.
Victoria abriu a boca para responder, mas nada saiu. Pela primeira vez, ela parecia sem palavras. Seus olhos me analisaram, como se procurassem algum traço de hesitação, alguma dúvida que ela pudesse usar contra mim. Mas não havia.
— Damon… — ela começou, a voz vacilante, mas logo recuperou a postura. — Você está sendo ingênuo. Esse... sentimento que acha que tem por essa garota vai passar. E quando passar, o que vai sobrar? Você não sabe viver sem dinheiro, sem a segurança que eu e seu pai te demos.
Cruzei os braços, sustentando seu olhar sem piscar.
— O que vai sobrar? — Repeti, deixando escapar um riso seco. — Tudo o que nunca tive antes. Liberdade. Paz. Alguém que me ama sem esperar nada em troca.
Ela riu, mas não havia humor em seu riso. Apenas incredulidade.

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