Violet
Meu coração parecia prestes a explodir, assim como o estômago, cheio de tantas borboletas que já estava ficando sem espaço para voar. Eu não sabia mais se eram apenas borboletas ou um turbilhão de emoções que eu mal conseguia controlar. Tudo parecia tão intenso, tão avassalador, e ainda assim, tão certo.
Não vou dizer que as dúvidas desapareceram — elas ainda estavam ali, enraizadas em algum canto da minha mente, prontas para aparecer no momento mais inoportuno. Mas naquele momento, olhando para Damon, com a sensação de sua presença tão próxima, eu estava cansada. Cansada de carregar o peso de um passado que parecia me puxar para trás o tempo todo.
"Dane-se", pensei. Eu não sabia o que o futuro reservava, não sabia se isso tinha alguma chance de ser real ou se tudo não passava de um risco que eu estava disposta a correr. Mas, por algum motivo, naquele instante, eu estava disposta a pagar para ver onde isso nos levaria.
Durante a noite, deitados na barraca, a conversa entre nós foi mais tranquila, sem pressa, como se o tempo tivesse parado. Decidimos que não precisaríamos dar um nome para o que estava acontecendo. Não havia mais necessidade de rotular algo que ainda estava se moldando, algo que, no fundo, nem sabíamos exatamente o que era. A única coisa que sabíamos era que queríamos viver isso, sem pressa, sem expectativas, apenas deixando o tempo decidir.
O contrato que ainda tínhamos, o famoso contrato que nos unia de forma tão fria no início, parecia distante agora. Quase um ano de obrigações ainda nos separava, mas Damon, com aquela segurança que eu já conhecia tão bem, pediu para eu esquecer tudo aquilo. Não havia mais um prazo, não havia mais condições. O que tínhamos agora era um ao outro, simples assim.
Ele não hesitou em me fazer um único pedido em troca, e eu sabia que ele tinha razão.
— Eathan não pode mais estar na equação. — Suas palavras estavam firmes, sérias.
Eu olhei para ele, tentando entender o peso daquilo. Ele sabia do meu passado com Eathan, das complicações e da bagunça que ainda trazia consigo. Mas Damon não estava pedindo que eu esquecesse tudo o que aconteceu. Ele só queria uma coisa: que Eathan não tivesse mais espaço entre nós.
— Quero você, Violet — ele disse, e o tom de sua voz era suave, mas cheio de uma intensidade que não pude ignorar. — Mas descobri recentemente que sou uma pessoa ciumenta, e eu não sou maduro o suficiente para permitir que seu ex-noivo continue sendo seu motorista.
Aquelas palavras, ditas em um sussurro suave, estavam impregnadas de uma vulnerabilidade que eu nunca imaginaria dele. Ele me aninhou mais contra seu peito, como se, naquele momento, tentasse me proteger não apenas fisicamente, mas de algo que, até então, eu não sabia que existia dentro dele: a insegurança.
No fundo, eu não queria mais ver Eathan perto de mim. Não queria que ele fizesse parte do presente, do agora, quando, ao meu lado, Damon estava me oferecendo algo novo, algo sem as amarras do passado.
Ainda assim, as palavras ficaram no ar, e o tempo parecia se arrastar enquanto tentava organizar meus próprios sentimentos.
Eu finalmente faria o que deveria ter feito no dia em que fui abandonada naquela igreja. Deixaria Ethan para trás de uma vez por todas. Mas antes, havia algo que eu precisava fazer para fechar esse capítulo de uma vez por todas. Era a última coisa que me prendia ao passado, e sabia que só assim poderia seguir em frente. Por isso, no dia seguinte, Damon estava chegando no hospital, me dando o apoio que eu precisava para dar o passo final.
Eu olhei para Damon enquanto ele estacionava o carro, o som do motor desligando e o silêncio se instalando entre nós. Sentia uma mistura de nervosismo e alívio, mas a decisão já estava tomada. Eu sabia que precisava fazer isso. Precisava encerrar esse capítulo da minha vida, fechar essa porta de uma vez por todas, e só assim poderia avançar para o que estava começando a se formar entre Damon e eu.
Me virei no banco, encarando-o, e uma dúvida tomou conta de mim.
— Você tem certeza disso? — perguntei, a insegurança na minha voz não conseguindo se esconder. O medo de estar tomando a decisão errada, de fazer algo que não conseguiria consertar, me paralisava por um instante.
Damon me olhou com firmeza, seu olhar seguro, quase como se fosse ele quem estivesse me guiando através dessa tempestade interna. Ele não vacilou.
— Se é o que você precisa para seguir em frente — ele afirmou com a certeza de quem conhece a importância desse momento, e de quem estava disposto a ficar ao meu lado, não importa o que acontecesse. — Vou te esperar aqui.
Ele estava disposto a me apoiar, sem questionar, sem hesitar. Isso me deu a força que eu precisava. Eu sabia que o que estava prestes a fazer não era só por mim, mas também por ele, por nós. E, com esse pensamento, respirei fundo e sai do carro, indo em direção ao hospital, onde a última página do meu passado estava esperando para ser virada.
Todos os domingos, Eathan buscava Rosalind após sua sessão de tratamento. Apenas uma carona, pois ela ficava fraca demais para aquilo, ele dizia
Eu segui até a área da oncologia e parei em frente à porta, espiando para dentro em busca de Rosalind. A sala estava praticamente vazia naquele momento. Nenhuma das cadeiras onde os pacientes recebiam seus tratamentos estava ocupada por ela, então decidi seguir até o balcão para perguntar.
— Boa tarde — disse, forçando um sorriso para a atendente. — Eu vim buscar minha amiga, mas não sei onde encontrá-la. Rosalind Stevens.
A atendente, concentrada no computador, rapidamente digitou algo.
— A senhora Stevens não recebe tratamento neste andar — ela disse sem levantar os olhos da tela.
Fiquei confusa por um momento.
— Mas como assim? Aqui é a área da oncologia, não é?
Ela olhou para mim, com um tom profissional.
— Sim, mas este é o andar para tratamentos mais agressivos — ela explicou, virando a tela do computador para me mostrar. — O caso da sua amiga, por não ser agressivo, é tratado no andar três. Lá, a medicação é administrada mais rapidamente. Este andar é dedicado a pacientes que precisam de tratamentos mais longos.
Eu assenti lentamente, compreendendo, embora ainda estivesse um pouco surpresa pela separação. A atendente me deu as instruções para o próximo andar, e antes de sair, eu agradeci e segui em direção ao elevador.
Lembro do primeiro dia em que Eathan saiu para buscar Rosalind. Aquele olhar que ele me deu ainda está gravado na minha memória, como se eu fosse a última pessoa que merecesse entender o que estava acontecendo. Ele estava tão irritado, tão descontrolado com a situação, e eu... eu não sabia o que dizer.
— Ela está com câncer, Vi! — ele me olhou com uma raiva silenciosa, como se eu fosse a pior pessoa do mundo por não querer que ele buscasse a ex-namorada. — Fica horas recebendo veneno na veia para ficar bem, ela sai destruída, precisa de ajuda!
Eu fiquei ali, paralisada, tentando processar suas palavras. Era como se ele tivesse me dado um golpe direto no estômago. Eu sabia que Rosalind estava passando por um momento difícil, mas não sabia que era algo tão... profundo.
Aparentemente, não tão profunda assim. Segui até onde a atendente me encaminhou, e parei na porta.
Não precisei procurar muito, pois logo a encontrei. Rosalind estava ali, impecável como sempre, com um braço estendido, a agulha conectada à veia, enquanto com a outra mão mexia distraidamente no celular.
Para alguém que, segundo Eathan, ficava "destruída" após a medicação, ela estava... bem demais. A cena não batia com a imagem de sofrimento que ele havia pintado. Ela parecia confortável, em paz, talvez até entediada, como se estivesse em uma sala de espera qualquer.
Sua doença era real, mas nem de longe parecia ser tão grave quanto Eathan fazia parecer.
Enquanto eu observava, uma enfermeira se aproximou e retirou a medicação de sua veia. Rosalind, sem qualquer sinal de cansaço, se levantou rapidamente, pegou sua bolsa e se despediu com um sorriso. Eu me esquivei para a parede ao lado da porta, tentando não ser notada, segundos antes de ela passar por mim, desfilando com seu salto quinze.
A segui silenciosamente, sem que ela percebesse, até o banheiro.
Fiquei ali, esperando do lado de fora. Dez minutos depois, a porta se abriu e ela saiu. Rosalind parecia outra pessoa. O conjunto de moletom confortável e o cabelo preso em um coque bagunçado contrastavam completamente com a imagem impecável que eu tinha visto antes. Ela estava despojada, sem maquiagem, com chinelos nos pés e um ar totalmente diferente de quem acabara de sair de uma sessão de quimioterapia.
Ela caminhou até os elevadores, com aquela postura altiva, quase como se estivesse no controle de tudo. Sem desviar o olhar, ela apertou o botão para chamar o elevador e, imediatamente, agarrou o celular novamente, voltando a digitar com a mesma naturalidade de antes.
Corri pelas escadas, descendo rapidamente até o térreo. Cheguei a tempo de ver Eathan saindo de seu carro, caminhando em direção a Damon. Eles se encontravam próximos ao estacionamento, e eu consegui ouvir a conversa antes que chegassem mais perto.
— Senhor, o que faz aqui? — Eathan perguntou, seu tom carregado de uma preocupação sutil enquanto se aproximava de Damon.
Damon, que estava encostado em seu carro e digitando algo em seu celular, apenas levantou os olhos e encarou Eathan por um breve segundo antes de voltar a atenção para a tela de seu aparelho.
— Esperando a Violet — respondeu Damon, com a calma de sempre.
Eathan, agora mais visivelmente inquieto, franziu a testa.
— Por que? Ela está bem? — Sua voz carregava uma preocupação genuína.

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