Quando Tessa voltou para a sala de aula, a terceira aula já estava em andamento.
Por sorte, era a aula do professor Hamilton. Ele sabia que ela havia tido um imprevisto de última hora, então apenas acenou para que ela entrasse e mandou que ocupasse seu lugar.
Assim que o sinal tocou, encerrando o período, Ysabel a agarrou pelo braço e a puxou para o corredor.
“Onde você estava? Tem ideia de como fiquei preocupada? Sério mesmo — fugiu da aula sem mim?”
“Srta. Thorne, você está empolgada demais com essa história de matar aula.”
“E estou mesmo!”, Ysabel sorriu. “Principalmente se for daquele tipo onde a gente escala o muro.”
Ela já tinha sido a aluna exemplar por tempo suficiente. Se o último ano não viesse com, pelo menos, uma pitada de rebeldia adolescente, qual era a graça? Ela merecia um pouco de irresponsabilidade juvenil.
“Tudo bem, um dia desses eu te ajudo a pular o muro”, Tessa respondeu com naturalidade.
“Você está falando sério? Tessie, eu sabia que você era incrível!”, Ysabel exclamou, olhando para ela com admiração brilhando nos olhos.
Tessa, na verdade, nem precisava ir ao banheiro. Assim que Ysabel entrou, ela permaneceu no corredor, colocou os fones de ouvido e começou a ouvir uma música.
Um leve toque em seu ombro a fez se virar.
Era Nico.
Tessa arqueou a sobrancelha, mas tirou os fones. Ela não se incomodava com Nico. Diferente da maioria dos alunos, ele nunca a julgava pelos boatos. Mesmo sendo o melhor da turma avançada, ele sempre fazia questão de vir conversar com ela — educado, direto, e genuinamente interessado, especialmente quando o assunto era física.
Na verdade, eles haviam ficado um pouco mais próximos na noite anterior. Ela e Ysabel estavam jantando em um restaurante perto do colégio quando um garçom, sem querer, derramou sopa quente nas costas delas. Nico, que estava por acaso no mesmo local, não pensou duas vezes e se jogou para protegê-las, acabando com o braço queimado no lugar delas.
Nem Tessa, nem Ysabel se feriram. Mas Nico sim.
Aquela atitude havia ficado gravada na mente dela.
“Então… pensou no assunto? Vai participar da competição de física?”, Nico perguntou.
“Pensei sim. Decidi que vou participar”, Tessa respondeu. Para ser sincera, ela não aguentava mais as tentativas insistentes do professor Clark. Quanto mais ela recusava, mais ele aparecia para tentar convencê-la. Nunca conhecera um professor tão persistente — era irritante, sim, mas também meio engraçado.
“Isso é ótimo!” Nico sorriu e puxou do bolso um pacote de chicletes, estendendo para ela.
Tessa piscou. Espera aí — quando foi que concordei em ir ao laboratório?
“Você é repulsiva. Não envolva os outros nos seus problemas.”
“Chega”, Tessa disparou, perdendo a paciência de vez. Essas garotas realmente não sabem quando é hora de se calar.
“Winona, olha só a sua querida irmã”, uma das garotas zombou. “Passa o dia inteiro se jogando em cima dos caras. É patético.”
Winona apenas observava tudo, claramente se divertindo com a situação.
Ver Tessa sendo atacada? Era o ponto alto do seu dia.
Mas Tessa não estava disposta a seguir o roteiro.
“Parece que alguém precisa de uma lição de comportamento”, ela disse, com indiferença. “Vocês acham mesmo que sou um alvo fácil. Está na hora de resolver isso.”
Sem hesitar, ela deu um tapa em cada uma das garotas — rápido, certeiro, e antes que pudessem reagir.
“Você bateu na gente?”, uma delas gritou, com a mão no rosto. “Acabou para você — vamos acabar com essa esquisita! Vamos ensinar uma lição que ela não vai esquecer!”

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