“Ela está segura lá dentro? Teve contato direto com algum paciente?”
“Está usando o nível máximo de proteção. Por enquanto, está bem. Mas o vírus está se modificando rápido demais. Ela e o Dr. Samuel estão lutando contra o tempo…”
“Diga a ela para se concentrar no vírus. Não precisa se preocupar com o resto”, interrompeu Landon, a voz firme. “Se algo mudar, me avise imediatamente.”
Ele encerrou a ligação e se voltou para Nathaniel.
“A equipe de segurança do conselho isolou completamente o hospital. Ela não pode sair, mesmo que queira. Se esse vírus for levado para fora, as consequências seriam devastadoras.”
Nathaniel assentiu.
“E os nossos agentes posicionados por lá?”
“Mantenha-os cooperando com o conselho. Quero o perímetro protegido. Ninguém deve se aproximar do hospital sem autorização”, ordenou Landon. “Os agentes de Yalvaria ainda estão à espreita. Não podemos dar nenhuma brecha.”
Com isso resolvido, ele lançou um olhar em direção ao hospital. Um lampejo de conflito cruzou seus olhos. Tessa estava presa em um prédio tomado por infecção e soldados armados. Walter agonizava em casa, esperando por ela. Landon se encontrava entre dois mundos — e só lhe restava carregar o peso de ambos.
“Envie outra equipe para vigiar a mansão Sinclair”, acrescentou. “Principalmente perto de Winona e Lila. Não deixem que causem confusão.”
“Já está feito”, respondeu Nathaniel, sempre preparado. “Uma equipe monitora o quarto, outra está posicionada ao redor da propriedade. Nada escapa da nossa vigilância.”
Landon não respondeu. Ficou parado no fim do corredor, observando o céu coberto pela escuridão densa.
Uma crise viral no hospital. Um avô morrendo em casa. E Yalvaria rondando como abutres famintos.
Aquela noite, certamente, não traria descanso.
…
No hospital, Samuel e Tessa já haviam tentado diversas estratégias — e nenhuma delas surtira efeito.
Ambos estavam exaustos. Principalmente Tessa, que mal havia terminado uma batalha digital contra hackers de elite e, sem pausa, mergulhara na análise do vírus. Agora, olheiras profundas marcavam seu rosto pálido.
“Descanse um pouco, se quiser. Cuido disso por enquanto”, disse Samuel, preocupado com a expressão cansada dela.
Tessa balançou a cabeça, os dedos deslizando sobre o relatório de análise.
“Não é simples. Acabei de ajudar Ethan a capturar S. E essas amostras do vírus… tenho um mau pressentimento. Acho que estão ligadas à facção rebelde do sul — Yalvaria.”
Montedra era o coração dos clãs lobisomens. E há anos, o núcleo de Yalvaria, no sul, via essa terra como uma ameaça constante.
“Estou. Não se preocupe comigo”, respondeu Landon, com uma calma forçada. “Cuide de si. E não tire o traje, em hipótese alguma.”
“Entendido.” Sua voz suavizou. “Pode verificar como está o vovô? Tenho um pressentimento ruim…”
O coração de Landon apertou, os dedos se cerrando em torno do celular.
“Estou indo para lá agora. Foque no vírus. Eu cuidarei dele — não deixarei nada acontecer.”
Ele olhou na direção da mansão Sinclair, a voz tomada por um peso silencioso.
Queria tanto lhe contar a verdade.
Mas, com o hospital trancado e sob vigilância, dizer qualquer coisa só a abalaria — e o caos era o que menos precisavam.
Melhor deixá-la concentrada em salvar vidas. Do lado de fora, ele faria de tudo para manter Walter vivo — nem que fosse por mais um minuto — tempo suficiente para que Tessa conseguisse sair.
“Certo, vou desligar”, disse ela, sem perceber a tensão na voz dele. Assim que encerrou a ligação, voltou-se para Samuel. “Vamos tentar mais uma abordagem. Usar a energia central dos lobisomens para neutralizar o vírus. Talvez…”
Ela não completou a frase, mas o brilho determinado em seus olhos reacendeu a esperança de Samuel — uma chama frágil, mas ainda viva.

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