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Apenas Clara romance Capítulo 120

No entardecer, Isaque Alves fez questão de acompanhar Clara Rocha até Villa Azul Verde. Antes que Clara saísse do carro, ele perguntou de repente:

— Você tem tempo depois das oito hoje à noite?

Clara parou do lado de fora da casa, intrigada:

— Aconteceu alguma coisa?

— Tenho um jantar hoje à noite. Cheguei há pouco à Cidade Capital e não conheço muita gente por aqui. Gostaria de saber se você aceitaria ser minha acompanhante.

Isaque olhou para ela e, atencioso, acrescentou:

— Posso te pagar um valor extra.

Clara aceitou sem hesitar.

Isaque sorriu, sem dizer mais nada.

De repente, ela falou com seriedade:

— Não precisa me pagar mais. Só por consideração à tia Letícia, eu te acompanho de graça.

Afinal, ele já lhe pagava cem mil por dia.

Era mais do que suficiente.

Ela não era gananciosa.

Um leve traço de surpresa passou pelos olhos de Isaque. De súbito, ele sorriu, os olhos se curvando de alegria:

— Então, venho te buscar mais tarde.

Assim que ele partiu, Clara entrou em casa e tomou um banho.

Ao abrir a gaveta e ver a coleção de produtos de maquiagem, ficou absorta por um longo tempo.

Já tinha até esquecido que fora uma garota vaidosa, e que fazia tanto tempo desde a última vez que se arrumara de verdade.

Diante do espelho, viu não só o seu reflexo, mas também os seis anos em que se humilhou e implorou por amor, sempre tentando agradar.

Naquele momento, decidiu fazer as pazes com o passado — e consigo mesma.

A noite estava adiantada, as ruas iluminadas por uma profusão de luzes.

Isaque Alves esperou apoiado no carro por alguns minutos, até que a mulher surgiu à sua frente. Ela vestia um vestido Chanel de veludo vermelho, decote canoa, e calçava sandálias de salto com tiras finas. Os longos cabelos, soltos em ondas suaves, caíam pelos ombros.

Clara tinha traços marcantes, e a maquiagem leve realçava ainda mais sua beleza. Os lábios pintados de vermelho davam destaque ao seu rosto, transmitindo elegância e vivacidade.

Isaque a olhou, com admiração nos olhos:

— Essa produção ficou perfeita em você.

— Obrigada. — Clara respondeu com um sorriso.

Ela não sabia muito sobre o evento daquela noite, apenas que era uma festa beneficente organizada por um grande empresário, e que não haveria muita gente.

O jantar aconteceria no Sabores da Alma.

Limitou-se ao nome, sem mencionar qualquer cargo ou origem, de maneira direta e cordial.

Esse tipo de apresentação era raro nos círculos da elite, tornando-a ainda mais simpática.

O homem hesitou por alguns segundos, mas logo sorriu e apertou sua mão. Logo, foi interrompido por outros convidados que se aproximavam, claramente interessados em falar com Isaque.

Por acaso, ao virar-se, Clara deu de cara com José Cruz, do outro lado do salão.

José ergueu sua taça, cumprimentando-a à distância.

Clara contornou as pessoas e foi até ele:

— Zé, você também está aqui?

— Sim. Mas você… — O olhar de José percorreu Clara, com um significado dúbio. — Não imaginei que conhecesse o Sr. Isaque. Subestimei você.

— De certo modo, ele foi um benfeitor para mim.

— Raro te ver tão arrumada assim. — José, de repente, passou a mão pelas pontas dos cabelos de Clara, admirando — Você está linda.

Clara ficou um pouco sem jeito, surpresa com a reação dele.

— Presidente Cavalcanti!

Alguém gritou atrás deles. Clara congelou, voltando-se para olhar a multidão.

E então, cruzou o olhar com aqueles olhos profundos.

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