Chloe Teixeira empalideceu, apertando o casaco ao redor do corpo, temendo que José Cruz saísse do quarto naquele momento.
— Srta. Teixeira, o que faz aqui?
— Eu...
Chloe Teixeira desviou o olhar e inventou uma desculpa:
— Não me senti bem em casa, então decidi me hospedar aqui. Não esperava que minha glicose caísse desse jeito.
Um dos seguranças se aproximou para ajudá-la a levantar, olhando para o número da porta atrás dela.
— Está hospedada aqui neste quarto?
O segurança fez menção de empurrar a porta, mas Chloe o interrompeu:
— Não precisa, já estou bem melhor. Aliás, o que vocês estão fazendo aqui?
Os dois seguranças se entreolharam, como se não pudessem dizer muito.
Chloe não insistiu.
— E o João, como está?
— O Presidente Cavalcanti está bem — respondeu o segurança, lançando um olhar atento ao redor. — Se está tudo certo com a senhora, vamos nos retirando.
Chloe Teixeira mal podia esperar que eles fossem embora.
Assim que os seguranças partiram, Chloe quase desabou no chão.
José Cruz saiu do quarto, caminhando com calma. Só então ela percebeu que ele a havia empurrado para fora de propósito, usando-a como escudo.
— Considere isso um aviso — disse ele, lançando-lhe um olhar antes de se afastar.
Chloe encostou-se à parede, cerrando os dentes, sem entender onde estava errando.
No passado, ela conseguira fazer com que João Cavalcanti se apaixonasse perdidamente só por ela. Mais tarde, outro homem gastou uma fortuna para tê-la só para si. Nunca houve um desejo seu que não se realizasse, nunca sofreu um revés quando queria algo.
Achou que, ao voltar ao país, poderia novamente navegar com maestria entre os homens, como sempre fizera. Mas a presença de Clara Rocha destruiu todos os seus planos.
João Cavalcanti começara a proteger Clara Rocha.
Até mesmo José Cruz, que a princípio só queria usar Clara, agora se importava com ela.
Essa sensação era insuportável.
Os seguranças, tendo perdido José Cruz de vista, foram obrigados a voltar ao hospital para prestar contas.
João Cavalcanti estava recostado na cabeceira da cama, folheando alguns documentos. Nádia Santos estava ao seu lado. Ao perceber o silêncio dele, voltou-se para o segurança que fazia o relatório:
— Não tinha câmeras de segurança? Não conseguiram ver com quem ele se encontrou no hotel?
O segurança parecia frustrado.
— A administração do hotel disse que, como não somos policiais, não temos direito a acessar as gravações.
— Que hotel era esse?
...
No dia seguinte, Clara Rocha estava no quarto de Hector Rocha, arrumando as coisas. Para não chamar atenção, separou tudo em diferentes pacotes e pediu aos seguranças de Isaque Alves que levassem algumas coisas.
Todos no andar sabiam que o herdeiro da família Alves cuidava pessoalmente do paciente do leito 29, que estava em coma. Por isso, ninguém desconfiava dos seguranças da família Alves.
Quando Clara saiu do quarto, deu de cara com Januario Damasceno e Isaque Alves no corredor.
Isaque a encarou.
— Já terminou de arrumar tudo?
Ela assentiu.
Transferir Hector Rocha de maneira discreta do hospital da família Cavalcanti era motivo de apreensão.
— Não se preocupe, — disse Isaque — já falei com o vice-diretor do Hospital Vida Serena, ele concordou com a transferência. Além disso, as decisões do hospital não precisam necessariamente passar pela família Cavalcanti. A menos que algo fuja do controle, João Cavalcanti não ficará sabendo agora.
As palavras dele a tranquilizaram.
— Que bom.
— João Cavalcanti aceitou o divórcio?
Clara hesitou, depois balançou a cabeça.
— Acho que ele acredita que quero me divorciar por causa de outro homem. O orgulho dele o impede de aceitar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Apenas Clara
Affffff, cobram em dólar pra não continuidade?...
Não tem o restante?...