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Apenas Clara romance Capítulo 232

— Gustavo, você acha que ainda tem como eu salvar meu relacionamento com ela?

Gustavo Gomes estava com as pernas cruzadas, recostado no sofá, lendo um livro sobre medicina tradicional. Ao ouvir o dilema do homem à sua frente, levantou os olhos.

— Não sei. Veio perguntar pra mim?

José Cruz sorriu amargamente.

— Também… você nunca se envolve nessas questões.

Ele conhecia Gustavo Gomes há anos e sabia bem que ele não se interessava por assuntos amorosos; o olhar de Gustavo estava sempre mergulhado nos livros de medicina. José sabia que pedir conselhos para Gustavo sobre Clara Rocha era inútil.

Gustavo não podia lhe dar uma resposta.

— Pelo que lembro, você nunca ficou angustiado por causa de mulher nenhuma. — Gustavo voltou seu olhar para o livro.

— Antes não, mas… — José apertou os lábios. — Eu falhei com ela.

Gustavo, de repente, o encarou com seriedade.

— É raro ouvir você dizendo que sente culpa em relação a uma mulher. Agora fiquei curioso, quem é ela?

— O nome dela é Clara Rocha.

Gustavo ficou surpreso por um instante, mas logo recuperou a compostura, refletindo sobre o assunto.

Do lado de fora da porta, Clara Rocha permaneceu parada, sem coragem de bater.

Era verdade que José Cruz mentiu para ela, mas também era verdade que ele ajudou tanto a ela quanto à mãe dela nos momentos mais difíceis.

Entre ela e José Cruz, tudo já estava resolvido, as dívidas de gratidão pagas. Por que ele ainda se sentiria culpado?

Clara Rocha tinha acabado de voltar para sua sala quando viu José Cruz saindo.

Gustavo Gomes acompanhou José até a porta.

— Gustavo, estou indo. Se souber alguma coisa dela…

— Eu te aviso.

Gustavo ficou encostado ao lado da porta.

José não disse mais nada e foi embora.

Gustavo observou seu amigo sumir no corredor, depois desviou o olhar para a sala ao lado.

Três dias depois, João Cavalcanti embarcou em seu jato particular rumo à Cidade R, acompanhado de sua equipe de negociações.

Clara Rocha preparava um café instantâneo na copa do escritório quando Merissa Barbosa entrou. Ao ver Clara ali, o rosto de Merissa ficou um tanto tenso.

Não sabia se entrava ou dava meia-volta.

Clara virou-se e a cumprimentou.

— Diretora Merissa.

Merissa torceu a boca, mas, sem alternativa, foi pegar água.

— Bom dia…

— Você chegou cedo hoje. Tem algum tempo livre no fim de semana? Que tal almoçarmos juntas?

Clara, na verdade, não desgostava de Merissa. Apesar de Merissa ter tentado prejudicá-la na primeira vez, Clara percebeu, nesses dias, que, enquanto outras enfermeiras do setor a isolavam, Merissa não aproveitou a situação para piorar as coisas nem tentou fazer nada de ruim.

— Você quer sair comigo? — Merissa não acreditava.

— Claro. Por que não?

— Mas… por que me chamar? — Merissa desviou o olhar, meio sem jeito. — Você sabe que não gosto de você, não é?

— Sei que você gosta do Prof. Gomes. — Clara sorriu de leve e se aproximou, encostando-se na bancada. — Mas não quero competir com você. Nem me divorciei ainda, continuo casada. Que tal deixarmos essa rivalidade de lado?

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