— Duas listras...
Gabriela Junqueira olhou para o teste de gravidez em suas mãos, seus grandes e amendoados olhos marejados de alegria.
Casada com Bernardo Barros há três anos, ela finalmente estava grávida.
Um toque estridente ecoou.
O celular sobre a mesa tocou logo em seguida.
Era o toque de mensagem exclusivo que ela havia configurado para Bernardo.
Bernardo com certeza devia ter voltado da viagem de negócios!
Gabriela correu para a mesa segurando o teste de gravidez, ansiosa para pegar o celular e ler a mensagem.
Mas a imagem que viu a fez sentir como se tivesse sido atingida por um raio, deixando sua mente em branco.
Um baque surdo ecoou.
O teste de gravidez e o celular escorregaram de suas mãos, caindo juntos no chão.
Na tela, o marido que ela esperara ansiosamente por um mês inteiro aparecia em uma boate lotada, segurando uma mulher de estatura pequena no colo com um só braço, enquanto a outra mão guiava uma menininha vestida com uma saia rodada rosa.
Gabriela reconheceu de imediato que a mulher nos braços de Bernardo era Letícia Lima.
A famosa amiga de infância que, como todos na alta roda sabiam, era a menina dos olhos de Bernardo!
Uma hora depois, no clube Le Prestige.
Gabriela estava parada diante da porta do Camarote Imperial.
Através da porta entreaberta, ela viu Bernardo e Letícia sentados no sofá, cercados por uma multidão. Entre os dois, a menininha usando uma coroa sorria radiante. Toda vez que a garota se virava para falar com Bernardo, ele se inclinava para escutar com atenção. Aquela expressão de ternura e cuidado era como uma agulha envenenada, quase ferindo os olhos de Gabriela.
Flores, balões, a interação amorosa de uma família de três, e ao redor, um grupo de amigos com expressões de felicitações.
Qualquer um que visse aquela cena não acharia que era uma imagem de pura felicidade e doçura?
Mas quem estava vendo aquilo era justamente Gabriela.
A Sra. Barros, a esposa de Bernardo no papel!
Em meio à algazarra e aos gritos animados, Letícia, vestindo um vestido vermelho sedutor, levantou-se e inclinou-se para colocar um chapéu de aniversário na cabeça de Bernardo.
Ouviu-se o clique de um interruptor.
Alguém apagou as luzes.
O belo rosto de Letícia pareceu ainda mais deslumbrante e sedutor sob a luz das velas.
— Bernardo, sopre as velas e faça um pedido.
Se fosse Gabriela quem dissesse algo assim, Bernardo com certeza a chamaria de infantil.
Não faz mal nenhum?
Gabriela se lembrava muito bem de que Bernardo detestava que fizessem piadas sobre ele.
Mas agora estava dizendo que não fazia mal nenhum?
Ou seja, o temperamento de Bernardo dependia da pessoa.
Bastava estar na frente de sua amiguinha de infância para que qualquer regra pudesse ser quebrada.
Gabriela não sabia como havia conseguido sair do clube no final.
Não houve escândalos, nem questionamentos, muito menos histeria...
Sentada no táxi, Gabriela colou o rosto no vidro. Soluços reprimidos escapavam de sua garganta, e seu coração doía em espasmos contínuos.
Há três anos, o patriarca da família Barros estava à beira da morte. Por um acaso do destino, ela havia salvado a vida do idoso, que em troca prometeu conceder-lhe um desejo.
Ela não quis nada material; seu único pedido foi casar-se com Bernardo.
Os de fora diziam que tudo havia sido premeditado, que ela só queria dar o golpe e ascender através da família Barros.
Ninguém sabia que, muito antes daquilo, ela já era apaixonada por Bernardo havia muitíssimos anos. Ele era o centro de todos os seus sentimentos de juventude, a ilusão que ela construiu dedicando todo o seu coração e esforço.
Por mais que, naqueles três anos, Bernardo tivesse sido frio com ela, ele ainda voltava pontualmente para casa para comer a comida que ela preparava, abraçava-a para dormir e confiava plenamente em deixar os cuidados de sua vida diária nas mãos dela.

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