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Após a volta da ex-namorada, a herdeira parou de fingir romance Capítulo 192

— Aquela garota que parecia bem inocente? — Valdir pensou por um momento e arriscou. — É a Ágata?

Zuriel deu uma longa tragada no cigarro e soltou a fumaça devagar, deixando o ar ao seu redor tomado por uma névoa branca.

— Acho que não é esse o nome. Estou falando daquela que o Tomás trouxe na nossa primeira noite em Cidade J. Era baixinha, com cabelo longo e liso, olhos grandes. Disseram que tinha acabado de completar dezoito anos e que ainda era estudante.

Ao ouvir isso, Valdir se lembrou. Naquela noite, quando chegaram em Cidade J, Tomás organizou uma festa de boas-vindas para impressionar Zuriel. Ele havia escolhido a dedo algumas jovens de aparência impecável, todas virgens, para agradá-lo. Entre elas estava a garota que Zuriel mencionava.

Na mesma noite, Zuriel escolheu duas das mulheres para acompanhá-lo. Após beber bastante, ele as levou para o hotel e as usou para uma noite de prazer a três. A garota de cabelo longo e liso foi deixada de lado, não escolhida.

Mesmo assim, parecia que Zuriel havia se interessado por ela. Embora não a tenha levado naquela noite, ele foi generoso: deu a ela duzentos mil reais em dinheiro, dizendo que era para ajudá-la a pagar a faculdade.

Garotas que frequentavam aquele tipo de festa eram, na verdade, prostitutas. Todos sabiam que aqueles duzentos mil reais eram, na prática, o pagamento pela primeira vez dela.

Além disso, Zuriel deu a ela um apartamento novo, próximo à universidade onde ela estudava.

Valdir conhecia Zuriel melhor do que ninguém, afinal, trabalhava ao lado dele há anos. Ele sabia que Zuriel era um homem sem limites, conhecido por sua vida devassa e promíscua. Ele mantinha diversas mulheres, algumas por mais tempo, como Renata, que estava ao lado dele há quase dois anos, e outras que ele usava uma ou duas vezes antes de descartá-las.

Valdir hesitou por um momento antes de falar:

— Chefe, há uma hora, a Renata ligou dizendo que preparou o jantar e que estava esperando você voltar. Você prometeu jantar com ela hoje.

Zuriel deu uma risada curta e desdenhosa, com um olhar frio e indiferente.

— Mudei de ideia. Não estou mais com vontade de voltar.

— Entendido.

Valdir não insistiu e ligou o carro em silêncio.

...

— Ouviu? Estou ocupado, querida. Hoje à noite não vou poder jantar com você. — A voz de Zuriel era rouca, com um tom áspero que parecia carregado de cinismo.

Renata mordeu os lábios com força, tentando conter o choro, mas as lágrimas não paravam de cair.

Zuriel não desligou a chamada. Ele simplesmente jogou o celular no colchão, deixando os sons indiscretos ecoarem diretamente no ouvido de Renata.

Renata, mesmo sabendo que aquilo a estava destruindo, continuou ouvindo. Cada som vindo do outro lado da linha era como uma lâmina cortando sua alma, fragmentando seu coração em mil pedaços. Ela mal conseguia respirar de tanta dor.

Ela acreditava que era diferente para Zuriel. Por ser a mulher que estava ao lado dele há mais tempo, a única que ele havia trazido de volta ao país, Renata achava que, de alguma forma, ocupava um lugar especial no coração dele.

Mas agora, toda essa ilusão parecia uma piada cruel.

Os gemidos da outra mulher ficaram cada vez mais altos. De um começo tímido e reservado, a voz passou a ser descaradamente intensa, como se ela tivesse perdido toda a vergonha.

Renata não aguentou mais. Em um acesso de raiva e desespero, ela arremessou o celular com força, vendo-o se quebrar em pedaços no chão.

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