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Após a volta da ex-namorada, a herdeira parou de fingir romance Capítulo 243

No jardim, o aroma suave das camélias misturava-se ao frio cortante do vento, que trazia consigo flocos de neve que caíam suavemente.

As pétalas de neve pousavam sobre os cabelos de Helena e desapareciam, derretendo-se quase que instantaneamente.

Ela estava de pé, imóvel no meio do jardim, mas parecia prestes a desabar. Sua gripe ainda não havia passado completamente, e o tempo que passou sob o vento gelado trouxe de volta a dor em sua cabeça.

Ao ouvir as palavras de Gabriel, Helena recolheu o brilho triste que carregava no olhar. Ela ergueu os olhos e encontrou os dele, com uma expressão de frágil serenidade.

— Tudo bem. Só lembre-se de tirar da próxima vez.

A garganta de Gabriel apertou, e ele sentiu um nó impossível de desfazer.

A voz de Helena era baixa, quase um sussurro que o vento levou até ele. Havia um tom de choro contido, tão quebrado que fazia o peito dele doer.

— Eu sei, Gabriel. Quando você amava, era real. E quando deixou de amar, também era real.

Um calafrio percorreu a espinha de Gabriel, espalhando-se por todo o corpo como um gelo que o paralisava.

Nos olhos de Helena, havia uma tranquilidade que parecia ter aceitado tudo, mas essa calma carregava um peso melancólico.

— Admito que, no começo, eu não conseguia aceitar. Você disse que estaria sempre ao meu lado, e eu não conseguia entender como isso mudou tão de repente. Tentei encontrar justificativas, tentei entender suas razões. Mas você me disse que eu estava apenas me iludindo.

Ela parou por um instante, respirou fundo e, com uma leve curva nos lábios, completou:

— Agora eu entendi. Quando se trata de sentimentos, nada é previsível.

Gabriel sentiu uma pontada aguda no coração, e sua dor transpareceu em seu olhar, mesmo que por um breve instante.

— Promessas só valem enquanto há amor. — Disse Helena, quase como um sussurro, tão leve que o vento parecia levar suas palavras embora.

Gabriel olhou para o rosto dela, tão cheio de tristeza e solidão. O medo invadiu sua mente como uma onda incontrolável.

Ele estava aterrorizado. Tinha medo de que, depois de resolver o problema com Zuriel, não houvesse mais volta para eles.

Ele não conseguia imaginar um futuro sem Helena.

Helena ficou em silêncio por alguns segundos, apenas encarando Gabriel, como se estivesse gravando cada detalhe de seu rosto em sua memória.

Depois de um longo tempo, ela curvou levemente os lábios, forçando um sorriso que não chegava aos olhos.

— Gabriel, desejo que você seja muito feliz.

Os olhos de Gabriel se arregalaram, seus músculos tensionaram. Ele estendeu a mão, como se quisesse segurá-la, mas Helena já havia virado as costas.

Ele permaneceu ali, imóvel, completamente estático, como se fosse uma estátua.

O crepúsculo deu lugar à escuridão, e a luz do dia desapareceu lentamente, deixando o ambiente envolto em sombras.

Não se sabia quanto tempo havia passado quando Gabriel baixou os olhos. Seu olhar fixou-se no relógio em seu pulso.

Ele ficou assim por muito tempo, encarando o objeto como se fosse algo precioso e insuportavelmente doloroso ao mesmo tempo.

Com um movimento lento, ele tirou o relógio com cuidado, como se estivesse segurando algo frágil. Ele abriu o estojo onde guardava o relógio e o colocou ali com delicadeza.

Ao fechar o estojo, sentiu seus olhos arderem. Uma emoção desconhecida e avassaladora o tomou de surpresa, deixando-o completamente desarmado.

Uma lágrima solitária caiu, fazendo um som suave ao atingir o estojo de metal.

A escuridão do quarto escondia o vermelho de seus olhos, mas a luz da lua delineava sua silhueta solitária e desamparada.

Naquela noite, a família Costa recebeu convidados.

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