— Helena, acabou. — A voz de Gabriel soou baixa e rouca pelo celular. — Zuriel está morto. Tudo terminou.
O coração de Helena começou a bater mais rápido.
— Você... Você está bem?
Do outro lado da linha, pareceu haver uma breve pausa.
Na sequência, a voz de Gabriel voltou, firme, mas com um tom suave:
— Estou bem.
Ele estava bem.
Helena soltou um longo suspiro de alívio. O peso que carregava no peito finalmente diminuiu. Ela tinha medo de que Gabriel pudesse ter se ferido ao enfrentar Zuriel no País A.
— Então, vou desligar. Vou jantar. — Helena disse, tentando manter a voz tranquila.
— Helena, espere por mim. — A voz de Gabriel era quase um sussurro, cheia de ternura.
Helena não respondeu. Apenas desligou o telefone, com a mente em completa confusão.
Zuriel estava fora de cena, mas e a avó de Gabriel? E Leonidas, que agora estava em pé de guerra com a família Costa?
Além disso, Helena sabia que não poderia simplesmente ignorar as feridas do passado e recomeçar com Gabriel como se nada tivesse acontecido.
— Helena, venha jantar! — A voz de Fernanda ecoou, trazendo Helena de volta à realidade.
— Já vou. — Helena respondeu, afastando os pensamentos tumultuados enquanto seguia para a sala de jantar.
…
Desde que soube da gravidez de Camila, Maria estava nas nuvens de felicidade.
Leonardo, no entanto, ainda não havia contado a ela sobre os problemas do Grupo Mendes. Ele estava tentando salvar a empresa e planejava revelar a verdade apenas se não houvesse mais opções.
Por isso, Maria permanecia completamente alheia à realidade. Embora a situação fosse crítica, ela seguia desfilando como uma típica dama da alta sociedade: sempre usando joias chamativas, impecavelmente maquiada e com um sorriso radiante no rosto.
Naquela tarde, Maria foi ao mercado com a empregada para comprar suplementos nutricionais para grávidas. Ela também pediu que a empregada fosse até um supermercado exclusivo para membros, onde comprou vegetais orgânicos e uma galinha caipira. Seu plano era visitar Camila e preparar uma reforçada canja de galinha para ela.
— Gravidez é assim mesmo. Às vezes a gente fica emocionalmente instável, irritada, ou até deprimida. — Maria segurou a mão de Camila e sorriu gentilmente, adotando o papel de uma sogra atenciosa. — Quando eu estava grávida do Leonardo, também tinha dias em que nada parecia bom. Se quiser, pode se mudar para a nossa casa. Lá você terá toda a assistência e eu ficarei mais tranquila.
— Não, tia. — Camila retirou a mão discretamente. — Já estou acostumada a morar aqui. Se eu me mudar, tenho medo de não me adaptar.
Maria não insistiu. Ela assentiu e disse:
— Tudo bem. O importante é você se sentir confortável. Mas que tal eu mandar alguém para te ajudar todos os dias? Ou podemos até deixar alguém morando aqui, se for mais prático. Assim, fico mais tranquila. Leonardo está resolvendo assuntos da empresa e não tem como estar sempre ao seu lado.
Camila desviou os olhos, mas sua mente começou a trabalhar. Ela então perguntou, fingindo desinteresse:
— Tia Maria, como está a empresa?
— Hã? Como assim? — Maria franziu a testa, confusa com a pergunta repentina.
Camila tentou sondar mais:
— É que nos últimos dias não consigo ver o Leonardo. Fui à empresa algumas vezes, mas ele nunca estava lá. Aconteceu algo na empresa?
Maria, que era uma dona de casa dedicada a suas atividades sociais, como compras, massagens e tardes de café, não fazia ideia do que estava acontecendo com a empresa.

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