Ela balançava a cabeça enquanto murmurava para si mesma, sem saber se tentava convencer Juliana ou a si própria.
Cíntia não conseguia aceitar a ideia de que a neta que ela mesma criou pudesse ter envenenado o próprio pai adotivo. A realidade era dura demais para ser digerida.
Juliana, sem paciência, suspirou e lançou um olhar frio para Cíntia. Ela não disse mais nada, apenas virou as costas e foi embora.
Logo em seguida, Juliana ligou para o presídio e agendou uma visita.
Se sua desconfiança estivesse correta, Beatriz teria mais uma acusação em sua ficha: tentativa de homicídio. Ela precisava olhar nos olhos daquela ingrata, da filha adotiva que havia cuspido no prato em que comeu.
...
Após uma longa e exaustiva espera, as portas da sala de emergência finalmente se abriram.
Gabriel, Percival e Leonidas avançaram ao mesmo tempo, suas vozes se sobrepondo.
— Doutor, como está a Helena? — Perguntou Gabriel, com os olhos fixos no médico.
— Doutor, qual é a situação dela? — Indagou Percival, ansioso.
— Doutor, minha filha está bem? — A voz de Leonidas saiu trêmula, cheia de tensão.
Todos os outros presentes ficaram em silêncio, mas os rostos carregavam a mesma expressão de preocupação. O ar parecia pesado, e ninguém ousava respirar fundo, temendo ouvir uma notícia devastadora.
O cirurgião retirou a máscara e, com o rosto cansado, esboçou um leve sorriso.
— A paciente está fora de perigo. Ela será transferida para a UTI agora. As visitas só serão permitidas daqui a três dias.
Um suspiro coletivo de alívio tomou conta do ambiente.
Os olhos de Gabriel, antes vazios e sem vida, finalmente brilharam com um fio de esperança. O peso esmagador que ele sentia no peito diminuiu um pouco, e ele fechou os olhos por um momento, tentando se recompor.
Ao abrir os olhos novamente, Gabriel falou com sinceridade:
— Muito obrigado, doutor.
Os outros rapidamente se juntaram aos agradecimentos.
Leonidas, um homem de quase cinquenta anos, tinha os olhos vermelhos de tanto chorar. Ele tentou falar, mas a voz estava embargada.
— Obrigado, doutor... Muito obrigado... Obrigado...
O médico assentiu e se afastou. Logo depois, Helena foi trazida para fora da sala de emergência em uma maca, ainda desacordada, com o rosto pálido e sem cor.
Quando Gabriel viu Helena naquele estado, seu coração pareceu se despedaçar. A dor que sentiu foi avassaladora, como se mãos invisíveis estivessem apertando e rasgando seu peito sem piedade.
Todos queriam se aproximar para vê-la, mas as enfermeiras foram firmes.
Chloe, que não havia derramado uma lágrima, finalmente relaxou os ombros e soltou um longo suspiro. Sua expressão, antes rígida, suavizou-se.
Mas o clima de alívio foi interrompido por um comentário cortante.
Leonardo olhou para Gabriel e soltou uma risada fria antes de dizer:
— Gabriel, a Helena quase perdeu a vida por sua causa. Não se aproxime mais dela.
Gabriel não respondeu.
As horas em que Helena esteve na sala de emergência foram as mais dolorosas e sufocantes da vida de Gabriel. Ele sentiu uma culpa esmagadora, uma dor tão intensa que parecia que seu coração estava sendo dilacerado.
Ele sabia que Leonardo estava certo. Se não fosse por ele, Helena nunca teria se tornado alvo de Zuriel.
A culpa consumia Gabriel por completo. Sua mente estava repleta de pensamentos sombrios, e seu coração parecia prestes a parar de tanto sofrimento.
Leonidas, com os olhos fixos em Gabriel, falou em um tom frio e firme:
— O Leonardo está certo. Fique longe da Helena. Não a machuque mais.
As palavras atingiram Gabriel como um soco no estômago. Ele sentiu o ar escapar de seus pulmões, e seu peito se contraiu de dor. Ele sabia que merecia cada palavra.

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