— Você... Você, você... — Cíntia engasgou de tanta raiva, quase sem fôlego.
Nesse momento, ouviram-se batidas na porta. Era hora do almoço, provavelmente a empregada com a comida.
Juliana controlou a expressão e disse:
— Entre.
A empregada entrou carregando uma marmita, montou a mesinha dobrável e começou a dispor os pratos.
— Dona Cíntia, essa sopa de creme com cogumelos eu cozinhei por horas, no fogo baixo. A senhora precisa provar, está deliciosa...
— Tire isso daqui! Eu não quero! — Gritou Cíntia, furiosa.
As palavras eram dirigidas à empregada, mas o olhar dela estava fixo em Juliana, queimando de ódio.
Juliana curvou os lábios em um sorriso leve, pegou sua bolsa e saiu do quarto sem dizer mais nada.
...
Percival chegou ao hospital acompanhado de Estella para visitar Helena. Ao abrir a porta do quarto, percebeu que o ambiente estava bastante movimentado.
Júlia e Inês haviam chegado há poucos minutos e estavam animadas.
Inês segurava uma bolsa Hermès enquanto sorria de forma descontraída para Helena.
— Amiga, olha só! Fiz questão de ir até a França para comprar essa bolsa pra você. Aqui no país nem tem para vender ainda. Bolsa cura tudo, viu? Aceita logo e você vai ficar ótima rapidinho.
Júlia, ao lado, segurava uma pequena caixa da Cartier e sorriu ao dizer:
— Helena, esse bracelete é para você. Espero que goste.
Helena retribuiu o sorriso e respondeu:
— Vocês não precisavam comprar presentes. Não é nenhuma data especial.
— A gente só quer que você melhore logo e volte a sair com a gente. — Inês riu, piscando. — Sem você, nem os modelos que eu escolho na boate parecem interessantes.
Mateus, que estava por perto, franziu o cenho ao ouvir aquilo. Sem hesitar, deu dois leves tapas na parte de trás da cabeça de Inês.
— Santuário de Santa Luz do Vale? — Larissa, que estava sentada ao lado, olhou para o pingente na mão de Percival com um misto de surpresa e curiosidade. — Minha mãe foi a esse santuário no mês passado e conseguiu um igualzinho a esse.
Percival manteve-se calado, os lábios levemente contraídos em uma linha fina.
Larissa continuou, agora com um brilho de incredulidade no olhar:
— Minha mãe disse que não é fácil conseguir esse pingente. Para isso, você tem que começar a rezar do lado de fora do santuário, no meio da noite, ajoelhado nos degraus de pedra. Precisa rezar até alcançar o altar principal e continuar de joelhos até o amanhecer, para que a Virgem Maria aceite sua devoção. Só então o padre entrega o pingente.
Ela fez uma pausa, encarando Percival, sua expressão cada vez mais intrigada.
— Você foi até lá e fez tudo isso por Helena?
Mesmo sendo uma das maiores defensoras do casal Gabriel e Helena, Larissa sentiu suas convicções vacilarem naquele momento.
Helena ouviu atentamente as palavras de Larissa e ergueu os olhos para Percival. Ele permanecia impassível, com a mesma expressão serena de sempre. Seus óculos de armação dourada destacavam suas feições elegantes, mas seus olhos escondiam algo que Helena não conseguiu decifrar.
Ele não havia dito, tantas vezes, que só a via como uma amiga? Se fosse apenas amizade, ele teria ido tão longe?
Percival permaneceu em silêncio, mas seu olhar encontrou o de Helena, firme e inabalável.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após a volta da ex-namorada, a herdeira parou de fingir