O policial, fingindo intimidade com o homem do outro lado da linha, respondeu de forma casual:
— Chefe, foi mal aí. A diversão ontem foi tão boa que acabei esquecendo de te mandar o vídeo.
O homem mordeu a isca e, sem desconfiar, respondeu irritado:
— Anda logo! Quero destruir a vida daquela vadia da Raquel! Vocês fizeram o que eu pedi, né? Arranjaram seis caras pra dormir com ela?
O policial continuou no jogo:
— Claro, chefe. Vou mandar o vídeo pra você agora mesmo.
— Rápido!
E, sem dizer mais nada, o homem desligou a ligação.
Assim que a chamada terminou, Helena e Raquel trocaram um olhar.
— Ou ele não conhece bem o dono do celular, ou só tem uma relação superficial com ele. Não percebeu nem que a voz era diferente. — Helena comentou com desdém.
Raquel assentiu, ainda incrédula com a estupidez do homem do outro lado da linha.
Os policiais rapidamente rastrearam o número do celular pelo sistema de segurança pública e identificaram o proprietário.
Um dos policiais então perguntou a Raquel:
— O dono do número se chama Douglas. Você o conhece?
Raquel arregalou os olhos ao ouvir o nome.
— Douglas! Ele era o vice-gerente do departamento de projetos da minha empresa. Eu o demiti há alguns dias.
Helena ficou séria ao ouvir isso e comentou:
— Isso explica tudo. Aqueles homens que te drogaram provavelmente foram contratados por ele. E sua “amiga” deve ter participado do esquema também.
Raquel balbuciou, perdida em seus pensamentos:
— Não pode ser... Dora não faria isso comigo... Eu sempre fui tão boa com ela... Como ela pôde...
...
Enquanto isso, Douglas estava sentado no sofá da sua casa, esperando ansiosamente pelo vídeo que nunca chegava.
— Eu sei... Eu sei que devia ter falado com você! Eu cometi um erro, Raquel, me perdoa! Por favor, não me denuncia... Retira a denúncia, eu imploro! Meu filho tem só cinco anos. Ele acabou de passar pela cirurgia e ainda está no hospital. Ele precisa de mim... Ele não pode ficar sem a mãe... Por favor, Raquel, me perdoa!
Raquel manteve o rosto frio como uma rocha.
— Agora é tarde para isso, Dora.
Desesperada, Dora caiu de joelhos diante de Raquel e implorou:
— Eu me ajoelho pra você! Pelo amor de Deus, retira a denúncia, Raquel! Eu sei que errei, mas eu imploro, me perdoa!
Enquanto dizia isso, Dora encostou a testa no chão e começou a bater com força, repetidamente.
Raquel olhou para ela de cima, sua expressão gelada como o inverno mais rigoroso, e respondeu com uma voz cortante:
— Dora, tentativa de estupro é um crime de ação pública. Não é algo que eu posso simplesmente retirar. O caso já foi encaminhado ao Ministério Público com provas suficientes para abrir o processo. Não há nada que eu possa fazer.
Ela fez uma pausa, deixando suas palavras caírem como uma sentença final, antes de continuar:
— E mesmo que eu pudesse retirar a denúncia, eu não faria isso. Não sou nenhuma santa. Vocês tentaram destruir minha vida e ainda têm a coragem de pedir que eu perdoe? Isso é um absurdo.

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