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Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex romance Capítulo 120

— Vai com mais calma.

— Arthur... já acabou?

Larissa mantinha o rosto baixo. Os olhos, fechados, como se nem ousasse olhar. A pergunta saiu num fio de voz, trêmula, macia demais.

Antes, ela era toda orgulho e brilho. Mas cinco anos ao lado de Ciro lhe desgastaram a alma, deixando nela uma cautela que não combinava com a mulher que um dia foi.

E, naquele instante, aquela fragilidade quase doía.

As pupilas de Arthur se contraíram de leve. Quando falou, a voz saiu mais rouca do que antes:

— Está quase acabando.

Por sorte, o ferimento não era fundo. O cuidado era mais para evitar infecção. Limpar bem já bastava para deixá-lo mais tranquilo.

Depois da desinfecção, ele colou um curativo sobre o arranhão.

Arthur jogou o cotonete fora e começou a guardar os frascos sobre a mesa.

— Pronto.

— Obrigada.

Larissa enfim soltou o ar. Olhou para a palma da mão.

Ela sempre foi sensível à dor.

Uma ferida pequena, daquelas que outras pessoas quase nem sentiam, nela ardia o suficiente para dar vontade de chorar.

Então se lembrou da força com que agarrou o braço de Arthur há pouco. Num impulso, puxou a mão dele e dobrou a manga da camisa.

Uma fileira de marcas de unha apareceu diante dela.

Fundas. Quase abertas na pele.

O peito de Larissa apertou.

— Desculpa. Eu não fiz por querer.

— Está tudo bem. Não se culpa.

Arthur segurou a mão dela e puxou a manga de volta, cobrindo as marcas. Depois ergueu uma sobrancelha, o olhar escuro preso nela com uma calma perigosa.

— Mas, se quer mesmo me compensar, pode começar me contando o que aconteceu esta noite.

— ...

Mesmo que ele não perguntasse, Larissa já pretendia explicar.

Então contou tudo, sem esconder nada.

— Esta noite, foi o Ciro que apareceu a tempo e me salvou. Se ele não chegasse, nem sei o que podia acontecer comigo e com a Zelda.

Ao dizer isso, ainda sentiu um frio discreto no estômago.

Aquela talvez fosse a única coisa decente que Ciro fez em muito tempo.

Depois de ouvir tudo, o peso que Arthur carregava no peito enfim cedeu.

Bastava saber que ela não pensava em voltar para Ciro.

No mesmo instante, a raiva que ainda restava se desfez.

Os olhos fundos de Arthur ficaram sobre ela. A frase veio baixa, mas trazia outra camada por baixo:

— Belmonte é a capital. E a segurança daqui sempre foi famosa.

Larissa abriu os olhos de repente.

— Você acha que o que aconteceu esta noite foi armado?

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